Giases discute segurança em universidades

Reportagem publicada em 16/02/2007
Segurança chega ao banco das universidades e promete se transformar no principal foco de discussões sobre prevenção e cidadania.

Com o aperfeiçoamento das técnicas, produtos e serviços para a prevenção ao crime, o assunto segurança está cada vez mais inserido no mundo dos negócios, principalmente pela capacidade de reduzir custos ao evitar os mais diversos tipos de perdas. Na sociedade, investir em segurança passou a ser o principal meio utilizado pela população para proteger o patrimônio, haja vista o número crescente de câmeras de vídeo, alarmes e sensores que passaram a equipar empresas, shoppings, hospitais, condomínios e comércios dos mais variados tamanhos.

Em todo lugar onde exista uma grande movimentação de pessoas houve um crescimento significativo do risco e da violência. Fato que fez com que, em 1996. o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) iniciasse uma ampla discussão sobre o avanço da violência urbana. Dessas reuniões, que foram acompanhadas por representantes das áreas de segurança das instituições particulares de ensino superior, surgiu, em 1997, um grupo especifico para estudar o assunto, que mais tarde recebeu a denominação de Grupo Integrado de Apoio à Segurança no Ensino Superior (Giases).

É por meio dessa iniciativa que estão sendo desenvolvidos diversos projetos para aperfeiçoar as formas de prevenção e combate à violência. Nas universidades e faculdades, o assunto também ganhou evidência e se transformou em curso de especialização, com o objetivo de formar especialistas em Gestão de Segurança. Todo esse avanço fez com que o Giases passasse a ocupar um lugar de destaque no cenário das associações e instituições que lutam pela melhoria da segurança no pais. Em 2006, com a reeleição do presidente do Grupo, Ulisses Nascimento - da Universidade Paulista (UnipJ, novas instituições de ensino também passaram a fazer parte da coordenação do Giases, entre elas está a Universidade São Judas Tadeu, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) e a Uninove.

Dentre os projetos em discussão para 2007 está a criação da Comissão Estadual de Segurança Universitária na Assembléia Legislativa de São Paulo e o Observatório Nacional de Segurança em Universidades do Brasil. O objetivo dessas iniciativas, segundo Nascimento é ampliar as discussões sobre a violência no país, tendo por base projetos acadêmicos sobre o assunto. "A proposta da chapa 'Proteção Profissional' é dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos durante a gestão 'Tempestade e Compromisso' e inovar, procurando disseminar ao máximo o conhecimento da tecnologia na segurança empresarial voltada às universidades de forma cientifica", afirma Nascimento. De acordo com o supervisor administrativo da Uninove, Agenor Bonfineto, o problema da insegurança no país só será resolvido quando houver uma grande troca de informações sobre as melhores práticas de prevenção. "Nesse ponto, o Giases tem papel fundamental uma vez que amplia as discussões em ambiente acadêmico". Bonfineto diz que as instituições de ensino também sofrem diariamente com o problema da violência, até porque se transformaram em verdadeiros cidades, onde convive um público totalmente heterogêneo, composto por até 20 mil alunos. "Existem cidades que não possuem essa quantidade de habitantes e isso faz com que a segurança seja um fator muito importante, pois há uma série de transtornos que se não forem tratados de forma adequada podem se transformar num grande problema".

Na Universidade São Judas Tadeu, a principal preocupação é com a integridades e física dos alunos e do corpo docentes, por isso foi elaborado um plano de segurança que envolve tanto a área interna como as áreas próximas à instituição de ensino. "Nessa administração criou-se um leque de aç6es voltadas à área de segurança. A São Judas mantém o conceito de universidade aberta, não há catracas, mas temos um controle muito rígido sobre Tudo o que acontece na instituição", afirma o coordenador de segurança Wagner Grans. Para garantir a segurança interna a São Judas conta com um setor de segurança orgânica, de inteligência, além de serviços terceirizado segurança. "Qualificamos todo o pessoal interno e exigimos da empresa terceirizada qualidade na prestação de serviços de segurança. Hoje, não temos problemas em relação a Hirtos ou roubos dentro da universidade", afirma Grans.

O especialista disse que a universidade também investe na segurança externa, onde já foi possível reduzir em 90% os casos que ocorriam nas proximidades da instituição de ensino. "Tudo graças a uma parceria com o Conseg (Conselho • Comunitário de Segurança) e a atuação do nosso corpo de segurança que passa informações para a polícia". Participando pela primeira vez do Giases, o gestor de segurança da Fecap, Paulo Eduardo Borges, diz que a principal busca no mercado de segurança é por profissionais cada vez mais qualificados, capazes de gerenciar riscos e elaborar planos de ações que evitem perdas e gastos desnecessários. "A segurança está sendo tratada como parte de qualquer negócio e as instituições de ensino não poderiam ficar de fora desse processo de qualificação profissional", afirma.

Borges conta que muita coisa mudou na área de segurança depois dos atentados de 11 de setembro. "Hoje, é necessário ver segurança como uma gestão de riscos estratégicos, com prospecção de cenários, análise do ambiente onde se está inserido e planejamento tático". Para Borges, o Brasil está saindo das discussões empíricas para trabalhar com o conhecimento de risco. "Está surgindo um novo profissional de segurança e algumas técnicas de análise estão sendo adaptadas para essa nova realidade, enquanto outras estão sendo criadas especificamente para prevenção e muito desse conhecimento está sendo elaborado nas universidades", afirma o especialista Borges.

Fonte: Jornal Segnews

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