ARTIGOS SOBRE SEGURANÇA EM UNIVERSIDADES (2)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
23-06-2003 16:53:32 - UFSC promove encontro sobre drogas

A Comissão de Prevenção ao Uso Abusivo de Drogas da UFSC promove nesta quinta-feira, 26/6, o I Encontro das Universidades Catarinenses Sobre Prevenção ao Uso Abusivo de Drogas. As atividades serão realizadas no auditório da Reitoria, a partir das 8h30min. Os temas em debate serão ‘Política de Prevenção nas Instituições de Ensino Superior’, com um representante da Secretaria Nacional de Anti-Drogas (Senad), e ‘Prevenção na UFSC’, com a apresentação da de Prevenção ao Uso Abusivo de Drogas da UFSC.
O encontro vai permitir a troca de experiências entre as universidades participantes e a proposição de ações conjuntas. O evento é realizado no Dia Internacional contra o Uso Abusivo de Drogas. O objetivo é que, além das universidades, toda a comunidade universitária participe. Para mobiliza-la, a Comissão está encaminhando a programação do encontro ao Diretório Central de Estudantes, aos diretores de centro das UFSC e aos coordenadores de curso.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no local do evento. Informações com Lúcia, pelo telefone 331 9611

Programa Viver Bem visa reduzir consumo de álcool e drogas na Universidade
Por Thiago Nassa
O ingresso numa faculdade é um dos momentos mais esperados pelos jovens brasileiros. É uma fase de transformação e amadurecimento. Mas será que todos os recém-universitários estão preparados para isso? Muitos se perdem no meio do caminho, pois acham que podem fazer de tudo.
O álcool e as drogas são os grandes vilões dos alunos. O aumento do consumo, em muitos casos, parece fazer parte do ambiente universitário, às vezes dentro da faculdade, ás vezes nas repúblicas e, à vezes, nas famosas festinhas.
Visando melhorar este quadro, o Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Unesp, câmpus de Botucatu, mantém o programa "Viver Bem", que traz um levantamento sobre a rela situação dentro da universidade e aponta possíveis soluções para o problema.
O programa teve início em 1997 e surgiu de uma proposta feita pelo Conselho de vice-diretores da UNESP- CONVIDUNESP em uma reunião realizada no mês de novembro daquele ano na Faculdade de Medicina, câmpus de Botucatu. Naquela ocasião, a partir de uma exposição feita pelos vice-diretores sobre a preocupação existente nas várias Unidades da UNESP relacionada com o consumo de álcool e drogas por parte de alunos de graduação e funcionários, chegou-se à conclusão que o problema deveria ser encarado pelas administrações universitárias de uma maneira profissional e técnica.
O programa é coordenado pela Profa. Dra. Florence Kerr-Corrêa, da disciplina de Psiquiatria do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Botucatu, profissional que trabalha na área de dependências químicas.

Diagnóstico do problema
Para construir o levantamento sobre a real situação do problema na UNESP, foi elaborado um questionário que abordava o uso de álcool, drogas e condições de saúde dos alunos de graduação da UNESP, composto por 161 questões, baseadas em um questionário proposto pela Organização Mundial de Saúde para detecção precoce do uso de álcool e drogas, acrescido de outras questões, que somadas possibilitariam saber a situação de risco para outras patologias clínicas e psiquiátricas, além de dados sobre condições econômicas e sociais desses alunos.
A análise dos resultados da pesquisa entre os universitários mostrou que esses alunos provêm principalmente de classes A ou B, seus pais têm nível universitário, incluindo as mães, em mais de 50% deles. "No entanto, cerca de 10 provêm de camadas menos favorecidas da população; aproximadamente 50% moram com amigos, em repúblicas, e apenas 5% em moradias estudantis", conta Florense.
Além disso, cerca de 67,2% não trabalham e, dos que têm remuneração, a receita é proveniente de bolsas de estudo em percentagem semelhante para rapazes e moças (20,3%). "Os que experimentaram alguma droga na vida (sem prescrição médica) estão m torno de 43,5% deles, sem considerar álcool e tabaco. Perto de 27,1% dos estudantes experimentaram drogas antes de entrar para a faculdade e outros 16,4%, após iniciar a faculdade", revela.
O uso mais intenso ocorreu entre 21 e 25 anos, entre o segundo e terceiro anos principalmente. "Nos últimos 30 dias, as drogas ilegais mais utilizadas tinham sido maconha (14,9%), inalantes (11,3%), cocaína (2,9%), alucinógenos (2,7%), ecstasy (0,6%) e crack (0,5%). "Das drogas legais (bebidas alcoólicas), foram consumidas por 74,4% dos alunos no último mês e 30% bebiam mais de uma vez por semana", conta a autora da pesquisa.
O levantamento apontou ainda que cigarros (tabaco) são fumados diariamente por 11,3% dos estudantes da área Biológica, 9,4% dos estudantes da área de Exatas e 11,9% dos estudantes da área de Humanidades.
"Todas as drogas são mais consumidas por homens, com exceção de medicamentos para emagrecimento (anfetaminas) e tranqüilizantes. Drogas e álcool são utilizados principalmente nas repúblicas e com amigos. Além disso, mais de 42,3% dos alunos não fazem uso regular de preservativos nas relações sexuais. A maioria (64,4%) não acha que tem risco de adquirir Aids, e cerca de 10,8% acha que não sabe o suficiente sobre prevenção de Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis", afirma Florence.
A pesquisadora também faz uma comparação com o problema instalado nos EUA. "A freqüência do uso de drogas, apesar de preocupante, é inferior à norte-americana. No entanto, o uso de álcool é semelhante e torna-se, de longe, o problema mais importante a ser enfrentado", explica. "Além disso, o acompanhamento das pesquisas sobre tendências no uso de álcool, nos EUA, permite acreditar que é possível influenciar e modificar o comportamento, principalmente quando se visa a moderação em vez da proibição", complementa.
A principal conclusão foi que seria importante iniciar um programa de prevenção no primeiro ano de todas as faculdades, tanto para o uso de álcool e drogas como de gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis. O programa escolhido é baseado no pressuposto da redução de danos, que parte do princípio de que não é possível conseguir que as pessoas não usem drogas ou álcool. "Assim, seria melhor ensiná-las a usar álcool de forma não prejudicial. No caso, a intenção é trabalhar mais com a ingestão de álcool, ensinando os estudantes a beber com moderação, saindo do padrão habitual de beber com intoxicação (embriagando-se)", finaliza Florence.

BOLETIM INFORMATIVO PRODUSP – ANO I - N o 11 - NOVEMBRO 2000
http://www.usp.br/medicina/grea/produsp/boletins/boletim_nov00.htm

I CURSO SOBRE ATUALIZAÇÃO EM DEPENDÊNCIA DE ÁLCOOL, NICOTINA E OUTRAS DROGAS

Organizado pelo Departamento Científico do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, do curso de Medicina, aconteceu no período de 20 a 23/11. Foram ministradas oito aulas com as diversas abordagens sobre o tema: conceitos gerais sobre álcool e outras drogas, modelo de tratamento desenvolvido pelo GREA, a evolução da doença sob os aspectos físicos, emocionais e sociais, programa de assistência para familiares de dependentes de drogas, tratamentos psicoterápico e farmacológico na dependência de nicotina, álcool e outras drogas, conceitos gerais de prevenção de drogas e apresentação do PRODUSP. Os palestrantes foram os profissionais da equipe do GREA. O público foi composto por estudantes e profissionais de diversas áreas. Parabéns aos alunos do CAOC pela iniciativa.

I SEMINÁRIO "ÁLCOOL E DROGAS NA UNIVERSIDADE: PANORAMA, CONSEQÜÊNCIAS E RESPONSABILIDADES" Este evento deu início ao diálogo entre pais, alunos e a Universidade, representada pelo diretor e pelos professores do IGC (Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo), profissionais do PRODUSP - Programa de Prevenção e Tratamento do Uso de Drogas da Universidade de São Paulo e da segurança universitária, sobre os vários aspectos envolvidos nos problemas associados ao uso, abuso e dependência de drogas. A participação ativa do centro acadêmico, como representante dos alunos, foi de suma importância para legitimar a discussão sobre o tema. A participação de especialistas abordando vários aspectos envolvidos nos problemas advindos do abuso e dependência de drogas como: tratamento, prevenção, segurança e o papel da família, contribuiu para que a discussão tivesse um caráter científico e pudesse desfazer certos mitos presentes entre os leigos no assunto, além de divulgar os trabalhos que vêm sendo realizados pela universidade nesta área, deixando claro a preocupação da Universidade, mais especificamente do IGC, com este tema. A participação maciça dos pais, apresentando opiniões e sugestões tornou fértil a discussão e contribuiu para que o evento cumprisse o seu objetivo de abrir um canal de diálogo com os pais, na presença dos filhos, alunos, e dos profissionais da Universidade na busca de alternativas mais eficientes na abordagem do tema. É importante ressaltar que todos os segmentos envolvidos na discussão foram ouvidos, permitindo assim obter maior legitimidade nas ações a serem desenvolvidas.
Universidade
Geociências combate drogas na USP

O Instituto de Geociências da USP está empenhado em combater o uso de drogas na Universidade. No próximo sábado, dia 25, às 9 horas, será realizado no Salão Nobre do instituto o encontro "Álcool e drogas na Universidade: Panorama, conseqüências e responsabilidades", destinado a pais de alunos, alunos, docentes e funcionários.
O programa prevê a realização de três palestras. Às 9h30, após a sessão de abertura, o diretor de Operações e Vigilância da Cidade Universitária, Ronaldo Pena, falará sobre "Prevenção, intervenção, controle e a participação comunitária". Às 10h15, o psiquiatra André Malbegier, do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea) da USP, fará a palestra "O tratamento da dependência de álcool e drogas na Universidade". "O papel da família" será o tema apresentado por Pedro Carlos Poccioti, funcionário do Instituto de Geociências, às 11h15. A sessão de abertura terá a presença do diretor do instituto, professor Wilson Teixeira.
O Instituto de Geociências fica na rua do Lago, 562, na Cidade Universitária, em São Paulo. Os telefones são (11) 3818-4274 e 3818-3973.
"Alunos da Estácio compram droga no Turano para usar antes e após aulas"
Jornal O Globo – 13.05.2003 - Rio - Carla Rocha

Um teco antes da aula. É assim que há cinco anos o dia começava para X., de 22 anos, estudante de Comunicação Social da Universidade Estácio de Sá. Nos tempos vagos, pela manhã, ela chegava a consumir dez papelotes de cocaína.
— Entrava chapadona na aula — diz X., que garante ter parado há quatro meses quando consumia carreiras de cocaína até nos banheiros do campus. — Os professores nem ligavam. Eles sabem, acostumaram. Até zoam quando o aluno chega com os olhos muito vermelhos, perguntam se não podiam ter usado um colírio para disfarçar.
Como outros alunos da universidade, ela tem consciência de que faz parte do principal mercado consumidor da droga vendida no morro do Turano, que fica ao lado da Estácio de Sá. O relato de X. ilustra o resultado de uma pesquisa do Diretório Central de Estudantes (DCE) da universidade, que, no final do ano passado, atestou que 70% de cerca de 3.000 alunos entrevistados eram a favor da descriminalização da maconha. E um percentual superior a 50% foi ainda mais explícito: defendeu a legalização da droga.
Alunos apelidam área vizinha de Amsterdã
Alguns alunos chegam a chamar o quarteirão formado pelas duas ruas vizinhas (um beco que dá acesso ao morro e a Rua Aureliano Portugal ) de Amsterdã, numa referência à capital da Holanda, onde 800 cafés vendem maconha.
— É surreal. Eu lá fumando um baseado (cigarro de maconha), às duas da tarde, e mães passeando com os filhos no colo pra lá e pra cá. Por qualquer dez reais, o policial livra a tua cara do flagrante — garante S., de 19 anos.
A maioria dos estudantes nega que exista venda de drogas na universidade. O argumento é de que não há necessidade porque o entorpecente é vendido a poucos metros. O consumo é livre, dizem eles, e a compra, mui fácilờo meu curso, de farmácia, os alunos chegavam a roubar clorofórmio, durante as aulas no laboratório, para cheirar — conta um outro estudante.
Por causa dessas e de outras histórias, a direção da universidade está cada vez mais rigorosa com a segurança. Desde o ano passado, o acesso dos alunos ao estacionamento que fica nos fundos do campus, atrás dos blocos F e G, foi proibido. Os estudantes que vão manipular substâncias de uso controlado como clorofórmio — que não pode ser vendido em farmácias — agora só têm acesso a uma quantidade limitada da substância e não podem entrar com mochila no laboratório onde se realizam as reações químicas que desprendem gases tóxicos.
— Se a gente pára de comprar, o negócio dos caras quebra. Não podemos ser hipócritas, protestar contra a falta de segurança e fazer fila no Turano para comprar cocaína — diz a universitária G., de 22 anos, que já foi usuária, mas que ontem à tarde debatia o problema com outros colegas viciados.
O coordenador-geral do DCE, Moisés Filho, vai organizar um ciclo de debates sobre drogas na Estácio:
— É claro que não podemos cobrir o sol com a peneira, mas o drogado não pode ser tratado como bandido.
Fonte: Jornal O Globo

Seminário "Qualificação de Profissionais de Educação para Ações Preventivas do Uso/Abuso de Álcool e outras drogas"

PREFEITURA PARTICIPA DE SEMINÁRIO SOBRE AÇÕES PREVENTIVAS CONTRA O ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS

A Prefeitura do Rio, através da Secretaria Especial de Prevenção à Dependência Química, participou no dia 19 e 20 de abril, do seminário "Qualificação de profissionais de Educação para Ações Preventivas do Uso/Abuso de Álcool e outras drogas", promovido pela ABRAD - Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas, na Universidade Gama Filho, auditório Dina Sfat, à Rua Manoel Vitorino, 553, Piedade.
O Secretário de Prevenção à Dependência Química, Francisco Duran, esteve presente na mesa de abertura, e a Profª. Glória Macedo, representando a Secretaria, coordenou a mesa Vivências e Experiências, onde apresentou as ações de prevenção contra o uso indevido de drogas, desenvolvidas dentro do programa "Saúde Total: Entre na Moda do Rio".
No sábado, dia 20/04, encerramento do seminário, o Secretário Francisco Duran, a convite da ABRAD, prestou uma homenagem à escritora Glória Perez, pela campanha contra as drogas que vem fazendo na novela O Clone.


http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/semana/unihoje_sema168pag02.html
Drogas – A Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários realiza no dia 14 (quarta-feira), às 10 horas, a palestra “Uso de Álcool e Outras Drogas na Universidade”. A palestrante, professora Florence Kerr-Corrêa, da Faculdade de Ciências Médicas da Unesp, implantou recentemente o projeto da redução de consumo de álcool entre estudantes da Universidade que leciona e possui significativa experiência nesta área. A programação faz parte do Programa de Redução do Uso de Substâncias Psicoativas na Unicamp. Toda comunidade pode participar, mas o evento é dirigido especialmente aos pró-reitores, diretores, dirigentes da administração e representantes docentes, discentes e de funcionários nos colegiados da Universidade. Informações: 3788-4714.

http://www.bireme.br/bvs/adolec/P/news/2002/04/2027/dstaids/001.htm
Projeto de Redução de Danos ajuda jovens na preveção da Aids
Ensinar estratégias para diminuir os prejuízos do uso de drogas entre os jovens é um dos desafios dos redutores de danos. A política é ainda controversa. "Mas os resultados nos dão razão. Em cinco anos, a infecção de HIV por droga injetável caiu de 25% para 8% no Rio de Janeiro", argumenta a supervisora do Conselho Estadual Antidrogas (Cead), Sabine Cavalcante. O projeto Redução de Danos do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, fornece kits que têm desde camisinhas femininas até seringas descartáveis para a aplicação de drogas injetáveis. O trabalho dos redutores é voltado para os adolescentes."Os jovens têm uma noção muito vaga da morte. Temos como ajudá-los a construir suas próprias identidades sem passar por acidente, infecção de HIV e outros perigos associados ao uso irresponsável da droga", explica Sabine.
Megazine/O Globo, pg. 12 e 13, 16/04

http://www.adpucmg.org.br/95-97.htm
Gestão 95 - 97 “A Adpuc vive e pulsa”
A Adpuc tem ocupado, com competência, os canais democráticos e o espaço que vem sendo aberto pela reitoria nos últimos 10 anos. A avaliação é do atual presidente da Adpuc, Gilmar de Abreu Cunha, que leciona na universidade desde 1986. “A nossa diretoria pegou, de certa forma, esse legado", ressalta o professor.
Na sua avaliação, a representação, hoje, significa administrar os espaços já ocupados através da luta travada, e não mais abraçar bandeiras genéricas e fazer disso fatos políticos. O crescimento da Universidade, que tem atualmente quase 1.000 professores e cerca de 19 mil estudantes, fez com que a Adpuc extrapolasse seu campo de atuação. "O campus é quase uma cidade e, como tal, tem seus conflitos e suas contradições. A associação, também inserida nesse processo, é requisitada hoje para coisas que ultrapassam os limites de sua atuação, como a questão da segurança e das drogas na Universidade."
Dentre os avanços de sua gestão, Gilmar destaca as discussões sobre o Estatuto da Carreira Docente e da previdência privada, a representação junto ao Conselho de Ensino e Pesquisa e ao Conselho Universitário. Ele ainda chama a atenção para o contexto econômico do país, depois da implantação do Plano Real, a partir de 1994. "Em 1995, quando nós assumimos, o Plano Real já era realidade e Fernando Henrique Cardoso estava eleito. Isso fez com que o movimento sindical tivesse um refluxo, que vem do início da década de 90, com o Fernando Collor, mas que foi acentuado agora. Nós estamos inseridos neste contexto também”, observa o presidente. As pautas de negociação, antes dominadas pela questão da reposição salarial, hoje tem muito mais um caráter acadêmico e profissional do que econômico. A melhoria das condições de trabalho passam, então, a ser priorizadas. Os desafios são muitos, avalia Gilmar, como acabar com as salas lotadas, melhorar a iluminação de alguns ambientes, suprir a falta de material, equipar laboratórios ainda sem infra-estrutura adequada e enfrentar um aluno menos preparado. "Alguns departamentos tentam situações pontuais na Universidade mas, no geral, o professor tem sido impedido de fazer seu trabalho com qualidade e uma das conseqüências quase imediata é a cobrança da sociedade, através das avaliações", acredita.
Nesses 10 anos, mesmo com a democratização da Universidade, existem, ainda hoje, muitas relações difíceis, permeadas por um certo conservadorismo, observa o professor. "Mas não podemos ficar só reclamando. Essa fase já passou também. A oposição por oposição acabou. Não existe um inimigo comum. Nós temos embates com a administração, mas em alguns momentos temos que caminhar juntos. A solução de problemas às vezes pode ser conjunta e não isolada", diz Gilmar.
"Comparando a Adpuc ao que se conhece de outras associações e sindicatos, a associação hoje ainda é viva, existe e está pulsando, o que eu acho que é mais importante", destaca. Apesar das limitações impostas pelo fato de ela existir "no sangue de uma empresa privada", multas conquistas são ousadas e permanecem, como a estabilidade para os diretores.
Sua avaliação da gestão e dos 10 anos da Adpuc é positiva, acrescenta. "Acho que a Adpuc pode avançar porque tem espaço para isso. Tem como respirar", sinaliza. Algumas questões polêmicas permanecem, como a manutenção da fiação ao Sinpro ou a opção pela Andes. "Essa é uma questão política para discutirmos. Não é de se imaginar que se resolva isso na justiça. A pendência jurídica o advogado resolve. A questão política que se coloca é saber efetivamente como queremos a representação", enfatiza o professor. O lado assistencial, das bolsas de estudo, não deve ser considerado preponderante. "Não se pode enxergar o Sinpro apenas como um apêndice assistencial, Se for por aí, eu sou contra a representação vinculada a eles porque acho que não existe nenhum assistencialismo no meio sindical que compense", critica, Para ele, a questão assistencial é momentânea e individual e, como associação, é preciso defender o coletivo. "A gente como associação tem que defender o coletivo". A falta de interesse e de leitura dos professores, em geral, quanto à representação sindical poderá gerar um problema futuro, "Não existe mais a interferência direta do Estado nas relações de trabalho. O capital e o trabalho vão ter que se virar. Por isso, ao falar em condições de trabalho, temos que saber sentar na mesa e negociar, más é preciso ter paciência. Hoje estamos em uma conjuntura adversa, com grande desemprego. O emprego, e não o salário, fala mais alto. Existem condições mais sérias para se tratar e é difícil trazer as pessoas para esse tipo de discussão porque, no geral, elas são muito imediatistas, analisa o professor. "Quando o problema não é o salário mas, sim, as questões mais diretamente ligadas ao trabalho, há uma facilidade geral de adaptação. Os professores se adaptam e tornam aceitáveis os problemas de voz, postura, alergia e stress, por exemplo", critica.
Isso é conseqüência, na avaliação de Gilmar, do recente processo de democratização no país. "Estamos saindo da ditadura e conseguimos até depor um presidente (Fernando Collor, em 1991) sem guerra, uma coisa rara na humanidade e inédita na história do Brasil. Temos uma democracia nova, engatinhando. As pessoas tem até dificuldade de saber quais são seus direitos e como se luta por eles, sem achar que a luta é aquele embate feroz, onde é preciso arreganhar dentes e sair rosnando para buscar o seu direito", brinca o professor. Mas para buscar o seu direito, é preciso ter respaldo. "Sozinho está fadado ao fracasso", avalia.
A grande dificuldade foi trazer um número maior de professores para junto da Adpuc. "Não conseguimos responder à esse desafio. Tentamos fazer de tudo, modificamos a comunicação com os professores com a distribuição de um boletim e modificamos o jornal, vislumbrando uma comunicação mais ágil mas, mesmo assim, as assembléias continuaram vazias, mesmo em momentos que eu considerava cruciais, como a previdência privada. A próxima diretoria vai ter que criar porque não existe vara de condão para resolver o problema", sugere. Atualmente, apenas um movimento organizado, na avaliação dele, tem conseguido resposta, que é o Movimento dos Sem Terra, "Para eles é claro que há um inimigo comum e que é preciso resolver a questão agrária do país", explica.
De uma forma geral, analisa o professor, a diretoria conseguiu segurar a associação e mantê-la pulsante. "Não é simples manter uma organização por local de trabalho viva. Foi o grande mérito da diretoria. Do ponto de vista pessoal, o grande trunfo foi ter participado de uma história e conseguir estar inserido nela e não ser agente passivo. Foi bom conseguir ver o lado coletivo sobrepor-se ao individual. Em qualquer sociedade, quando você consegue dar um passo, por menor que seja, você contribui para que as novas gerações usufruam disso aí. Em 1984, participei da campanha das Diretas, em pleno regime ditatorial, com todo o aparato da repressão montado. O país mudou com a campanha. Quem viveu aquela situação vê, hoje, que a democracia está firme e o país mais maduro. É uma satisfação pessoal participar e não passar simplesmente pela vida", declara.

Entenda o caso
Mistério na Estácio de Sá - Segunda-feira, dia 5

A estudante de enfermagem da Universidade Estácio de Sá Luciana Gonçalves Novaes é baleada no rosto. O tiro atinge a mandíbula e se aloja na coluna cervical.
Colegas de Luciana dizem ter ouvido tiros disparados do Morro do Turano, que fica ao lado da Universidade. Segundo versões da polícia, a estudante teria sido atingida durante um tiroteio de traficantes contra a Universidade, que não havia acatado o toque de recolher determinado pelos bandidos. A polícia invade o Morro do Turano à procura dos atiradores.
Em uma vistoria no campus da Estácio de Sá, nenhum outro projétil é encontrado.

Sexta-feira, dia 9
A polícia matou oito supostos traficantes no morro da Mineira (vizinho ao Turano). Oficialmente, a polícia procurava o grupo que teria baleado a estudante.
Peritos descobrem que a bala que atingiu Luciana era calibre 40, usada em pistolas Taurus, arma utilizada pela polícia, e em submetralhadoras. É divulgado um trecho de vídeo do circuito interno da universidade em que um homem aparenta estar segurando uma arma dentro do campus, próximo ao local em que a estudante foi baleada. Estudantes da Estácio de Sá dizem que a suposta arma seria uma vassoura e o homem, faxineiro da universidade
O que está sendo investigado
A partir das imagens e da perícia da bala, quatro hipóteses começam a ser investigadas pela polícia: 1) O tiro pode ter sido dado por traficantes do morro do Turano
2) O disparo pode ter sido dado de dentro da universidade, por um traficante, por um segurança, ou por um policial
3) Há ainda a possibilidade de Luciana ter sido vítima de uma disputa por ponto de venda de drogas 4) Um traficante teria atirado contra um estudante que vendia drogas na universidade e acertado a aluna

Repressão na UFPA: agressão a advogado dos estudantes
Por Grupo Tortura Nunca Mais-RJ 03/04/2002 Às 22:30
De acordo com denúncia encaminhada pela Comissão Pastoral da Terra de Xinguara, Pará, em 23/03/2002, o advogado militante de causas populares, Walmir Moura Brelaz, foi agredido por policiais, sob ordens do delegado da Polícia Federal de Belém, Pará, Dr. Anderson Rui Oliveira, quando compareceu ao prédio da Polícia Federal para dar assistência jurídica à 37 pessoas – dentre elas dois menores de idade – presas por terem sido acusadas de consumir e traficar drogas na Universidade Federal do Pará.
Na ocasião, o Dr. Walmir observou várias irregularidades e arbitrariedades na atuação do delegado, como a de ordenar, com gestos e palavras ofensivas, que cada detido, na frente dos demais presos e de outras pessoas, informasse seus dados pessoais e se despisse, enquanto um agente da polícia federal filmava a cena. Ao se manifestar contra estas arbitrariedades, o delegado ordenou que o advogado fosse retirado por um agente da polícia federal, que o agarrou pela gola da camisa e o arrastou por cerca de 7 metros, expulsando-o da sala. Estes fatos foram testemunhados por todos os presentes, inclusive jornalistas, tendo sido amplamente divulgados na mídia do Pará.
Em 25/03/2002, o Dr. Walmir Brelaz protocolou uma representação na Corregedoria da Polícia Federal contra o delegado Anderson Rui Oliveira. Por sua vez, o Presidente da OAB-PA solicitou providências à Procuradoria da República.
http://brasil.indymedia.org/pt/blue/2002/04/22082.shtml

http://odia.ig.com.br/odia/policia/pl120502.htm
Garotinho reclama da Polícia Civil
Antes mesmo de anunciada a transferência do inquérito sobre o ataque na Estácio de Sá, ontem, o secretário de Segurança, Anthony Garotinho, reclamou do vazamento de informações na Polícia Civil. Sobre fato de o delegado da 6ª DP (Cidade Nova), Renato Carvalho, ter dito que as fitas com imagens do momento em que Luciana Gonçalves de Novaes levou o tiro estavam à disposição do secretário, Garotinho disse: “Ele deveria ter antes ligado pra mim. Vai tomar um pito”.
O secretário também reclamou do vazamento da investigação sobre a existência de pontos de venda de drogas na universidade. “Esses delegados estão falando demais. Precisam trabalhar”. Garotinho aproveitou para anunciar que, após as trocas de comando em 10 batalhões da PM, mudanças também ocorrerão na Polícia Civil. “Elas são necessárias”, afirmou, acrescentando que espera começar a obter melhores resultados no combate à violência em três meses. O secretário minimizou o fato de ter entregue o 22º Batalhão (Benfica) ao tenente-coronel Álvaro Rodrigues Garcia, acusado no caso do espancamento de moradores da Cidade de Deus, em 1997. “Ele respondeu a inquérito, foi absolvido e não vai para a Cidade de Deus. Seria provocação nomeá-lo para o mesmo lugar. Ele sabe que tem que se comportar na norma da secretaria, que é todo rigor dentro da lei. Quem exceder a lei será punido”, assegurou Garotinho.

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