Scorpio Rising (Kenneth Anger, 1964)

Scorpio Rising é um filme estadunidense de 1964 do gênero experimental de Kenneth Anger, também autor do livro Hollywood Babylon (volume 1 e 2). No elenco, o filme traz Bruce Byron como Scorpio. O filme trata de temas como motociclistas com roupas de couro, ocultismo, Jesus e Nazistas.
O filme foi, inicialmente, mostrado no circuito de filmes undergrounds, e não tem diálogo. Ao invés dos diálogos, Kenneth Anger decidiu colocar músicas de artistas populares dos anos 50 e 60, incluindo Ricky Nelson, The Angels, The Crystals, Bobby Vinton, Elvis Presley, Ray Charles e Martha Reeves & the Vandellas. Este filme é também considerado o primeiro filme pós-moderno, o que serviu para influenciar diversos cineastas de renome, tais como Martin Scorsese e David Lynch.
A ligação pública mais conhecida entre motoqueiros fora da lei e a homosexualidade é o filme Scorpio Rising. O filme é um clássico underground medíocre do início dos anos 60. O cineasta kenneth Anger nunca afirmou que Scorpio tivesse alguma coisa a ver com os Hell's Angels, e sua maior parte foi filmada no Brooklyn com a cooperação de um grupo de aficionados por motocicletas tão pouco organizado que sequer se preocupou em arranjar um nome.
Diferentemente de O Selvagem, a criação de Anger não possuía nenhuma intenção jornalística ou de documentário. Era um filme de arte com uma trilha sonora de rock'n'roll, uma estranha crítica aos Estados Unidos do século XX que usava motocicletas, suásticas e homossexualidade agressiva como uma nova trilogia cultural. Quando os Hell's Angels chegaram à cultura mainstream, Anger já havia feito vários outros filmes com forte apelo homossexual e pareceu não gostar da ideia de estar tão parado no tempo a ponto de seu trabalho parecer algo tão banal quanto documentários sobre temas atuais.
No entanto, Scorpio Rising entrou em cartaz em São Francisco em 1964 num cinema de North Beach chamado The Movie, no mesmo prédio em que Anger estava morando na época, e que anunciava o filme na calçada com uma montagem de recortes de jornal sobre os Hell's Angels. A insinuação era tão óbvia que até os Hell's Angels de São Francisco fizeram uma peregrinação para conferir.
Eles não gostaram nem um pouco. Não estavam putos, mas sinceramente ofendidos. Sentiram que seu nome havia sido apropriado para uso comercial fraudulento. "Ei, eu gostei do filme", disse Frenchy, um dos Angels. "Mas não tinha nada a ver com a gente. Todo mundo curtiu. Mas aí a gente saiu do cinema e viu todos aqueles recortes sobre a gente, colados como se fossem propagandas. Nossa, aquilo foi uma droga, não estava certo. Muita gente foi sacaneada, e agora a gente tem que ouvir toda essa merda sobre a gente ser veado. Porra, você viu o jeito que aqueles vadios estavam vestidos? E aquelas motos de merda? Cara, não me diga que aquilo tem alguma coisa a ver com a gente. Você sabe que não tem."
Anger parecia concordar, mas em silêncio. Não havia razão para estragar um novo boom do filme...
Texto baseado no livro Hell's Angels, de Hunter S. Thompson
Abaixo, momentos do filme:

Vídeo 1/3



Vídeo 2/3
Não encontrado.


Vídeo 3/3

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