HISTÓRIA DA FILOSOFIA OCIDENTAL

LIVRO: História da Filosofia Ocidental I - (1957)
AUTOR: Bertrand Russell
EDITORA: Cia Editora Nacional - S. P. - Rua dos Gusmões, 639

Para o homem ou a mulher que, por coerção, é mais civilizado no procedimento do que no sentimento, a razão é uma coisa incômoda, e a virtude uma carga e uma escravidão. Isto conduz a uma reação de pensamento, sentimento e conduta. pgs 18 e 19

O homem civilizado distingue-se do selvagem principalmente pela prudência ou para empregar um termo um pouco mais amplo, pela previsão. Está disposto a sofrer dores momentâneas tendo em vista prazeres futuros, mesmo que os prazeres futuros se achem bastante distantes. p19

A verdadeira previsão só aparece quando o homem realiza algo sem que nenhum impulso o obrigue, porque sua razão lhe diz que isso lhe será proveitoso mais tarde. p19

A civilização sofria o impulso não apenas mediante a previsão, que constitui um freio voluntário, mas também por meio da lei, da moral e da religião. p19

ESCOLA DE MILETO

1º Filósofo: Tales (585 AC)
2º Filósofo: Anaximandro (546 AC)
3º Filósofo: Anaxímenes (594 AC)

A Escola de Mileto é importante não tanto pelo que realizou, como pelo que tentou. Surgiu devido ao contato do espírito grego com a Babilônia e o Egito. Mileto era uma cidade comercial rica, em que os preconceitos e as superstições primitivas foram atenuados pelo trato com muitas outras nações. A Jônia, até à época em que foi subjugada por Dario, no começo do sec. V, era, culturalmente, a parte mais importante do mundo helênico. Quase não foi tocada pelo movimento religioso ligado a Dionísio e Orfeu; sua religião era olímpica, mas parece qeu não lhe deram muita importância. As especulações de Tales, Anaximandro e Anaxímenes devem ser considerados como hipóteses científicas, sendo que raras vezes revelam qualquer intrusão indevida de desejos antropomórficos ou idéias morais. Os problemas que apresentavam eram importantes e seu vigor inspirou os investigadores subsequentes. p34

A fase seguinte da filosofia grega, associada às cidades gregas do sul da Itália, é mais religiosa e, em particular, mais órfica, sendo, sob certos aspectos, mais interessante e admirável em sua realização, mas de espírito menos científico que o dos filósofos de Mileto.

Tales: achava que todas as coisas eram feitas de água.
Anaximandro: todas as coisas provinham de uma única substância primária, uma substância infinita, eterna e sem idade, "e envolvia todos os mundos".
Anaxímenes: considerava o ar como elemento primitivo.

PITÁGORAS

(532 AC): A combinação das matemáticas e da teologia, que começou com Pitágoras, caracterizou a filosofia religiosa na Grécia, na Idade Média, e, nos tempos modernos até Kant. O orfismo antes de Pitágoras, era análogo às religiões asiáticas de mistérios. Mas em Platão, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Descartes, Spinoza e Leibniz, há uma fusão íntima de religião e raciocínio, de aspiração moral a par de admiração lógica pelo qeu é eterno, que vem de Pitágoras, e distingue a teologia intelectualizada da Europa do misticismo mais direto da Ásia.

HERÁCLITO

(500 AC): A guerra é o pai de tudo e o rei de todas as coisas; fez de certas criaturas deuses e de outras homens; umas, livres e, outras, escravas. p49

... acreditava que o fogo era o elemento primordial, do qual todas as coisas haviam surgido. p51

EMPÉDOCLES: sugeriu um compromisso diplomático, permitindo quatro elementos. Terra, ar, fogo e água.

METAFÍSICA DE HERÁCLITO

O bem e o mal são uma única coisa; Este mundo, que é o mesmo para todos, não foi feito nem pelos deuses nem pelos homens, mas sempre foi, é e será um fogo eterno com unidades qeu se acendem e unidades que se apagam. p51

Para Deus, todas as coisas são justas, boas e corretas, mas os homens consideram certas coisas erradas e outras certas. É o oposto que é bom para nós. p52

Esta doutrina contém o gérmen da filosofia de Hegel, que procede mediante uma síntese de contrários.

PARMÊNIDES

(430 AC): Heráclito afirmava que tudo muda, Parmênides replicou que nada muda. p56

Inventou a metafísica baseada na lógica.

A doutrina de Parmênides foi exposta num poema intitulado "Da Natureza". Considerava os sentidos como enganadores, e condenava, como mera ilusão, a multidão de coisas sensíveis. O único ser verdadeiro é o "Único", que é infinito e indivisível. Não é como Heráclito, uma união de oposto, já que não há opostos. Achava que o "frio" significava apenas "não quente", e "escuro", apenas "não claro". Parmênides divide seus ensinamentos em duas partes: "O caminho da verdade" e o "Caminho da opinião". Quando se refere ao caminho da verdade, diz, entre outras coisas: "A coisa que pode ser pensada, e aquilo pelo qual existe o pensamento é o mesmo; porque não podes encontrar uma idéia sem algo que é, e a respeito do qual ela se manifesta". (Nota de Burnet: "O sentido, creio eu, é: Não pode existir uma idéia correspondente a um nome que não é o nome de algo real"). p57

Continuo em outro momento...

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