Humanidade Combina Guerra e Desenvolvimento

Guerra e Desenvolvimento. Essa aparente contradição foi na verdade, uma constante combinação ao longo da História da humanidade e é percebida ainda hoje. No século 5º. a.C. Atenas viveu essa situação de forma intensa, ao comandar as Guerras Médicas contra o Império Persa, a partir das quais impôs sua hegemonia ao mundo grego, e ao participar da Guerra do Peloponeso, na qual foi derrotada por espartanos e seus aliados. 

Durante o conflito com os Persas, ao comandar a Confederação de Delos, , a economia de Atenas desenvolveu-se intensamente. O tesouro de Delos serviu, na prática, para gerar empregos e incrementar todas as atividades produtivas na cidade. É verdade que a economia ateniense encontrava-se em crescimento antes da guerra, fruto do desenvolvimento mercantil, porém, durante o conflito, todo ateniense trabalhava e recebia uma remuneração, o que dinamizava a economia urbana. 

A hegemonia ateniense sobre a maioria das cidades gregas consolidou sua posição econômica. Essa situação retratava, na verdade, o imperialismo exercido pela cidade, que impunha-se às demais não apenas do ponto de vista econômico, mas militar. 

Este é o “Século de Ouro”, também conhecido como “Século de Péricles”. O principal governante de Atenas nesse período foi o responsável por incentivar o desenvolvimento artístico e intelectual na cidade. A arquitetura foi incrementada; sob patrocínio dos homens ricos desenvolveu-se o teatro, que reafirmou a visão humanista dos atenienses sobre o mundo. A filosofia, apoiada no racionalismo, conheceu significativa expansão, estimulando a reflexão e, ao mesmo tempo, a conscientização sobre a cidadania, sobre o “ser ateniense”.

Enfim, o imperialismo reforçou a cultura da superioridade já existente entre os habitantes da Ática. Situação semelhante encontramos em outros momentos da história e em especial no mundo contemporâneo, em que percebemos a importância da guerra como meio de manter não apenas a hegemonia de uma nação mas os privilégios de um pequeno grupo de indivíduos, que, na maioria dos casos, se julgam superiores em relação a outros povos.

Texto do Professor Claudio Recco publicado na Folha de São Paulo, levanta elementos de comparação ao longo da História da humanidade, envolvendo esses dois aspectos aparentemente contraditórios.

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