Desativação de Artefatos Explosivos - Perigosa atividade que envolve, também, os Mergulhadores

Skin Diver (Fev/90)S((Periscópio 45/1991)kin - Tradução: CT (Md) Jorge Soares Leite(Tradução)

MISSÃO PRINCIPAL
 A missão de uma organização de Desativação de Artefatos Explosivos (OAE) pode ser definida no meio militar, de maneira ampla, como "contornar efetivamente os incidentes envolvendo artefatos explosivos (AE) em apoio a militares ou população civil, de maneira a minimizar os perigos à vida, propriedades e a continuidade de operações inerentes em incidentes envolvendo artefatos não detonados (AND), em tempo de paz ou de guerra".

 ARTEFATOS EXPLOSIVOS
O termo "artefato explosivo" inclui bombas e cabeças de combate; mísseis guiados; artilharia; morteiros e foguetes; todos os tipos de minas; cargas de demolição; pirotécnicos; granadas; torpedos e bombas de profundidade; e todos itens similares ou correlatos ou componentes explosivos brutos, concebidos para causar danos pessoais e materiais. Esta definição inclui todas as munições contendo alto explosivos; materiais de fissão ou fusão nuclear e agentes biológicos, químicos e radiológicos.

 MISSÕES SECUNDÁRIAS
As missões secundárias atribuídas ao DAE podem ser:
1 -Destruição de munição inservível que tenha se tornado perigosa por avaria ou deterioração.
2 -Coleta de dados técnicos de inteligência no campo de DAE.
3 -Coleta de dados técnicos sobre AND.
Podem ser atribuídas tarefas adicionais tais como serviços de mergulho, demolição e doutrinação sobre os perigos dos explosivos.

CONSIDERAÇÕES
Esta perigosa e dinâmica atividade requer dos técnicos DAE treinamentos específicos e constante atualização para obtenção de sucesso em suas operações; tendo em vista que os fabricantes de artefatos explosivos estão sempre buscando a melhor resposta para "Como fazer a munição funcionar", enquanto o problema DAE é "Como tornar a munição inofensiva?"

DESATIVAÇÃO DE ARTEFATOS EXPLOSIVOS CONVENCIONAIS
Com a atração das atenções causada pelos ataques de bombas terroristas, torna-se muito fácil esquecermos a ameaça imposta por artefatos explosivos (AE) convencionais. Estamos acostumados a notícias de bombas terroristas envolvendo sofisticados sistemas de iniciadores assim como dispositivos de grande retardo, chaves de pressão ou mercúrio, ou suas combinações. Adicionalmente, explosivos como o "Semtex" têm sido destacados como maior ameaça. Entretanto, muitas organizações, particularmente no Terceiro Mundo, usam AE convencionais como base para seus dispositivos, como faziam os terroristas do Oeste nos tempos passados. Há várias áreas no mundoonde existe uma forma limitadade guerra usando armas convencionais, como exemplo: Afeganistão, Angola, Líbano, Moçambique e El Salvador.

Desativação de Artefatos Explosivos (DAE) significa diferentes coisas para diferentes pessoas e é muitas vezes usada como uma frase abrangente para incorporar todos aspectos relacionados com itens explosivos. Muitos países diferenciam claramente entre uma bomba lançada por aeronave e uma bomba terrorista, e têm diferentes grupos responsáveis pos suas desativações, enquanto outros tratam-nas em conjunto. Neste artigo, AE convencionais são os itens fabricados por indústrias de um modo improvisado, comumente chamados Artefatos Explosivos Improvisados (AEI).

VARIEDADE LETAL
AE convencionais podem ser subdivididos em armas lançadas por aeronaves, como as bombas de ferro tradicionais ou, as cada vez mais utilizadas, bombas de menor tamanho lançadas em grandes quantidades; munição terrestre (MT), assim como bombas para morteiros, foguetes e projetis de artilharia; e armas guiadas, como mísseis disparados a partir de uma variedade de plataformas de lançamento terrestre ou aéreas. Se nós adicionarmos diferentes cabeças de combate, assim como alto explosivas, químicas ou biológicas, antipessoal, penetrante em couraça ou concreto, ou incendiárias; e espoletas mecânicas, eletrônicas, autodestrutivas de retardo fixo ou variável, de proximidade, com dispositivo anti-remoção, ou apenas de impacto, podemos visualizar a magnitude do problema de desativação.

Munição Terrestre e armas guiadas normalmente requerem desativação por causa de algum defeito na espoleta, motor ou outra parte integrante que as tenha impedido de detonar, transformando-as, consequentemente, numa ameaça. Estes itens podem aparecer isoladamente, como consequência de algum conflito prévio, ou mesmo como um souvenir trazido de outro lugar.

Alternativamente, e de longe o maior problema, é clarear o terreno usado em guerra, onde muitos destes itens foram disparados, e vários deixados, sem detonar, no campo de batalha. Um exemplo do que a guerra moderna produziu num conflito relativamente limitado, é a Guerra das Malvinas, onde mais de 2,5 milhões de artefatos que não detonaram foram removidos pelos ingleses nos dois anos seguintes à guerra. Não se pode assumir, também, que nos tempos de paz a atividade de D.A.E. não tenha importância. A Inglaterra continua tendo problemas com munições originárias da Segunda Guerra Mundial que ainda ocuparão suas equipes de limpeza de área por muitos anos.

ARMAMENTOS LANÇADOS POR AERONAVES


Este artigo, entretanto, concentrar-se-á nas armas lançadas por aeronaves. Essas armas variam desde bombas pesando 1000 kg, com um diferente número de possíveis sistemas de espoletas, e que podem ser encontradas na superfície ou profundamente enterradas, até mina antipessoal ou pequenas bombas projetadas para causar ferimentos capazes de neutralizar o inimigo. Em termos gerais, o número de Artefatos não Detonados (AND) crescerá numa proporção inversa dos seus tamanhos, mas deve-se ter em mente que todos eles podem ser letais. Serão encontrados vários tipos de espoletas - alguns projetados para previnir a ação de DAE, alguns completamente sensíveis esperando para pegar os incautos, e outros incapazes de funcionar. Externamente, não haverá meio de sabermos qual é qual. Dados estatísticos compilados nos últimos 40 anos têm mostrado que pelo menos dez por cento dessas armas não funcionam completamente e, quando adic:ionadas aquelas que são projetadas com iniciadores de retardo, impõe uma considerável ameaça. Para colocarmos estes dados numa perspectiva atual, podemos assumir que uma força aérea moderna poderia lançar mais de 1000 toneladas diárias de bombas comparadas com as 300 toneladas que eram despejadas sobre Londres durante a "blitz" na Segunda Guerra Mundial.


Apesar de a ameaça imposta pelas grandes bombas ser considerável, causada pela grande quantidade de explosivos e pela destruição que podem causar, ela é pequena e relativamente simples quando comparada com as bombas disparadas por lançadores múltiplos. A tecnologia das armas modernas proporciona, ao utilizador, a habilidade de destruir alvos selecionados assim como paralisar áreas vitais e ainda atrasar, ou mesmo impedir as forças de defesa de repararem ou utilizarem suas instalações. Entretanto, essas bombas não são exatamente novas. O efeito do ataque sobre Grimsby, Inglaterra, em 1943, no qual foram usadas SD2 ou bombas de fragmentação "borboleta", é bem conhecido. Após o ataque na noite de 13 para 14 de junho, a cidade ficou paralisada durante 19 dias durante os quais foram utilizados 10.000 homens na execução da limpeza inicial da área, achando aproximadamente 1000 dessas pequenas bombas.
Durante uma única passagem, as aeronaves modernas podem lançar até quatro vezes aquele número de bombas numa área com 2,5 km de comprimento por 0,5 km de largura. Esta distribuição representa uma bomba para cada 16 m em qualquer direção da área. Algumas dessas bombas detonarão por impacto, outras após a penetração, mas muitas outras aguardarão serem perturbadas ou detonarão aleatoriamente durante o período seguinte ao ataque.

Alguns exemplos já em uso são o sistema de lançamento múltiplo alemão MW 1, para uso com o "Tornado", que dispara uma variedade de submunições contra alvos com couraça e campos aéreos, tendo uma capacidade de carga de 670 armas antipessoal ou 470 antiataque; o britânico BL-755, que carrega 147 bombas, e o JP 233 que comporta trinta SG-357 armas "craterantes" e duzentas e quinze HB 876 minas de interdição de área; o israelense TAL-1; o Sul-africano CB 470; o espanhol BME 330; o americano ROCKEYE II MK 20, o chileno CB; e o sistema francês BELOUGA; e muitos outros incluindo uma variedade de sistemas soviéticos.

Essas armas são prontamente utilizáveis e proporcionam considerável flexibilidade e grande eficácia às forças aéreas. Agora, muito mais alvos podem ser efetivamente atacados. Por exemplo: um ataque contra uma área logística, utilizando as tradicionais bombas de ferro, pode causar danos consideráveis, mas alguns depósitos certamente continuarão a funcionar, enquanto que submunições espalhadas por toda a vizinhança provocariam uma paralisação total até que fossem executadas as operações de limpeza da área.

Devido ao grande número disponível dessas armas e à grande variedade de fabricantes, a fase de reconhecimento é um elemento essencial na solução do problema DAE. É extremamente difícil para um indivíduo manter essa enorme gama de dados em sua memória.

Ele pode ser capaz de dizer: "Esta é uma bomba de fragmentação", mas os detalhes poderiam confundi-lo. Por esta razão, a OTAN criou um Centro de Informações Técnicas de D.A.E (EODTIC), situado na Inglaterra, ao qual os Estados membros podem recorrer. O EODTIC não se detém apenas em informações sobre munições, abrangendo também equipamentos relacionados com a detecção e a desativação.

Os procedimentos DAE envolvem localização, reconhecimento e obtenção de acesso antes de ser decidido sobre a desativação da bomba ou submunição. Essas fases podem ser bastante variáveis, desde uma simples munição pousada na superfície em lugar de fácil acesso, até a dificuldade de lidar com uma bomba de 500 kg a 5 metros abaixo da superfície, tendo caído através do teto da sala de Operações! As técnicas e equipamentos envolvidos não serão discutidos neste artigo, dando-se maior ênfase às opções de desativação.

DESATIVAÇÃO
A primeira pergunta que deve ser formulada no processo de desativação é se a detonação do AE é, ou não, aceitáve Obviamente, será melhor sem detonação mas, dependendo das circunstâncias, ela pode não ser um desastre. Por exemplo, um ataque aéreo sobre um campo de pouso pode resultar várias bombas não detonadas. Aquelas que estiverem na periferia do campo ou numa área "safa" distante de rodovias, aeronaves e edifícios provavelmente serão enquadradas na Categoria de detonação aceitável, mas para aquelas situadas em rodovias, perto de aeronaves ou edifícios (sala de operações, torre de controle, etc) não poderia ocorrer uma detonação. A grande vantagem, quando a detonação é aceitável, é que maioria das vezes a operação pode ser executada por pessoal sem especialização em D.A. E.

Em muitas situações a primeira opção é de não fazer nada, isto é, ignorar o A.N.D. e esperar que não detone, por exemplo: essa opção foi escolhida no caso do Posto Médico em Port San Carlos que permaneceu um tempo considerável, durante o conflito das Malvinas, com uma bomba de 1000 lb alojada no telhado. Isto é aceitável apenas em circunstâncias excepcionais e quando se tem certeza que a espoleta usada não é de retardo.

Alternativamente, a bomba poderia ser removida para um lugar seguro. Existem alguns meios de fazê-Io, a maioria do quais direcionados para os problemas envolvendo as pequenas bombas e as submunições lançadas em grande número O veículo ideal para isso é uma escavadeira com couraça protetora ou um trator superpesado, mas normalmente são difíceis de serem encontrados. Alguns países estão experimentando acessórios como lâminas ou escoras que podem ser acoplados a veículos, particularmente aos que possuem couraça. Veículos operados por controle remoto poderiam ser usados em menor escala.

Se não houver veículos disponíveis, pode ser usado o tradicional método de explosão controlada, ou seja, a colocação de uma pequena carga perto da bomba de pequeno porte, fazendo-a explodir. Existem algumas desvantagens que podem impedir essas opções:
1.      Movimentar a bomba seria como iniciar espoletas de influência ou antimovimento.
2. Escavadeiras e tratores podem destruir/remover parcial mente os A. N .D. .Provavelmente serão necessários novo reconhecimento e nova limpeza da área.
3.      Maquinaria e operadores podem sofrer avaria ou lesões.
4. Empilhar ou alinhar itens explosivos pode criar grande problemas, mesmo que futuramente.
5.      A aproximação sem a proteção de veículos é excessivamente arriscada, especialmente quando estão sendo usadas espoletas de retardo de tempo variável.

A última alternativa quando a,detonação é aceitável, é de atacar os A.N.D. usando armas de tiro direto. Neste caso, a intenção é perfurar a carcaça da bomba, abrindo espaço suficiente para que o ar penetre e possibilite a queima do explosivo. O explosivo queimará rapidamente mas sem a energia necessária para causar a detonação. Este processo é chamado e deflagração. Esta prática não possui parâmetros exatos e podem ser obtidos resultados diferentes na execução de procedimentos similares. Várias armas têm sido testadas, particularmente no cenário aéreo. A Força Aérea Britânica tem preferido o canhão de 30mm "Rarden", montado no carro de combate leve "Scimitar".

Embora esse canhão possua um poder de fogo ligeiramente acima do necessário, é dotado de um sistema de pontaria que preenche a qualidade requerida. Mesmo num campo aéreo, a localização de bombas torna-se, algumas vezes, muito difícil quando a área considerada possui um raio maior ou igual a 200 metros.

A munição Browning calibre .50, incendiária ou perfurante, tem obtido bons resultados no mesmo emprego. A vantagem deste método é que se a arma e o atirador forem precisos, a "limpeza" será eficiente, rápida e exporá o operador a um risco menor. A primeira desvantagem é que tiros erráticos e ricochetes podem criar um sério perigo na área. Além disso, o AND pode ser fragmentado em várias partes potencialmente letais.

Esses fragmentos poderiam ser espalhados por uma grande área requerendo outros métodos para serem destruídos. Por outro lado, os sistemas iniciadores poderiam sofrer várias avarias, deixando o AND num estado incerto e potencialmente mais perigoso que o inicial. Finalmente, esse método depende inteiramente da bomba estar na linha de visada, então aquelas escondidas por vegetação, cascalho ou enterradas necessitarão de outro método.

NEUTRALIZAÇÃO
Geralmente a detonação no próprio local não é aceitável para bombas grandes (acima de 50kg) porque, provavelmente, causará um grande montante de avarias. Mesmo que uma bomba tenha sido deixada intacta, como visto anteriormente, algum dia ela terá que ser neutralizada. Outra dificuldade é que, por causa do seu peso, a bomba provavelmente atravessará a superfície e ficará enterrada entre 1 e 10 metros de profundidade, dependendo do tipo e condições do solo.

Em média uma bomba será encontrada entre 2 e 5 metros de profundidade. Neste caso, a neutralização é a única opção. Isto requer que o técnico tenha amplos conhecimentos de AE, sistemas de retirada de espoletas e equipamentos necessários para executar a tarefa. Algumas vezes a neutralização envolverá, além do manuseio da espoleta, o acesso ao explosivo através da carcaça da bomba e sua destruição. As vantagens da neutralização são que ela pode ser usada em todas as situações e assegura a destruição completa do AND. É o único meio disponível quando se está lidando com bombas enterradas profundamente.

É, entretanto, extremamente lento e requer um técnico DAE com completa qualificação e contando com o apoio necessário. É, também, uma operação que envolve risco extremo. Por exemplo, o "Durandal", fabricado pela Matra, é um sistema de duplo estágio onde o primeiro é um foguete que conduz o segundo para dentro do solo, antes deste explodir. Se o segundo estágio não explodir, haverá um AND enterrado, adicionalmente, será muito difícil saber, olhando-se pelo buraco de entrada no solo, se o AND é um segundo estágio de um "Durandal" ou uma bomba de 500 kg equipada com uma espoleta de retardo.

O método de neutralização dependerá do tipo de espoleta e cada um desses tipos terá seu próprio procedimento de neutralização (PN). Algumas vezes, o primeiro problema é reconhecer a espoleta e sua presente condição. Além de recorrer a uma organização como a anteriormente mencionada EODTIC, existe uma variedade de equipamentos disponíveis para auxiliar no reconhecimento.

Eles podem variar desde um simples sistema de raios X portátil como o "Inspector", até os sofisticados sistemas radiográficos, como o "Gammat", capaz de penetrar em grossas carcaças. A bomba é exposta a uma poderosa fonte radioativa durante um período controlado, em conjunto com um filme radiográfico. O filme registrará a imagem do objeto. Outros sistemas como o estetoscópio eletrônico são extremamente úteis para o operador. Este equipamento amplifica ondas sonoras emanadas de espoletas mecânicas, eletromecânicas e algumas eletrônicas, e de mecanismos de tempo. As vibrações sonoras são captadas por um sensor, amplificadas e transmitidas ao fone do operador.

Dentre os procedimentos mais simples de neutralização, existem dispositivos mecânicos que podem ser usados contra espoletas localizadas no "nariz" ou na base das bombas. Eles também têm a vantagem de poder ser acionados remotamente. A companhia Richmond Eletronics fabrica três desses sistemas que são utilizados pelos grupos DAE britânicos.

O primeiro é um 'De-Armer", que se trata de uma ferramenta extremamente poderosa para destruir ou danificar a espoleta. Um projetil com formato específico é projetado, através do disparo de um cartucho de festim calibre .50 em ângulo previamente determinado, tão rápido que neutraliza a espoleta antes dela poder atuar. Similarmente a "Rocket Wrench" é uma ferramenta com alto torque que pode desatarrachar e remover a espoleta dinamicamente. Ela pode ser utilizada nos sentidos horário e anti-horário e é equipada com dois mordentes que se adaptam ao corpo da espoleta. É acionada por dois cartuchos de festim calibre .50, e é projetada para remover a espoleta antes dela atuar.

Por último existe o Extrator de Espoletas número 8, também chamado de "Impact Wrench". Consiste num mordente e um tambor do cabo de acionamento com mola e trava. Ele proporciona um torque preciso a ser aplicado quando o cabo é tensionado ou folgado. A companhia AB Precision apresentou recentetemente o "Dragon De-Armer ABL 900", que produz um recuo consideravelmente reduzido, aumentando, desta maneira, a flexibilidade do seu uso. A Richmond Eletronics está fabricando um dispositivo combinado ("dearmer/disrupter") que pode ser usado tanto em AE convencionais, como em AEI.

CONGELAMENTO
Outra opção é o uso da criogenia, porque as fontes de energia de algumas espoletas podem ficar temporariamente inertes quando congeladas. O "Richmond's Freeze Neutralizing Kit" é capaz de aplicar nitrogênio líquido, superfrio, a certos tipos de espoletas mecânicas e eletrônicas. Isto permite que a munição possa ser removida para um local mais seguro ou, pelo menos, para uma área onde os danos causados por uma explosão possam ser limitados.

Entretanto, muitas bombas têm espoletas localizadas lateralmente nas carcaças, particularmente as que datam de antes da 2ª Guerra Mundial, que são difíceis de neutralizar com o equipamento mencionado. Anos atrás, um kit neutralizador químico foi desenvolvido para essas espoletas e que ficou conhecido como "S" Set. Hoje já é produzida uma versão moderna contendo três agentes neutralizadores químicos.

O líquido para Desativação de Bombas(DB), para ser usado contra espoletas com capacitores eletrônicos, destrói o isolamento e descarrega os capacitores de disparo para terra. Uma solução de sal é usada para inundar as partes móveis das espoletas. Quando o líquido se evapora, são formados depósitos de sal que imobilizam as partes móveis.

Finalmente, um agente gelatinosos é introduzido como uma solução e rapidamente se solidifica, travando completamente as partes móveis. O agente neutralizador é introduzido na espoleta brocando-se num pequeno furo na carcaça retirando o ar através do uso de uma bomba para criar vácuo e introduzindo o agente controladamente.

O próximo estágio é a remoção da carga principal da bomba. Tendo neutralizado a espoleta, é cortado um buraco na carcaça lateral, usando um trépano. O trépano comercial, em uso na Grã-Bretanha possui um motor de combustão interna, amagnético, que movimenta os cortadores através de uma caixa de engrenagens, numa velocidade constante.

A cabeça do trépano e seus acessórios, são inteiramente produzidos em materiais amagnéticos e respeitam a estritos requisitos de vibração e compatibilidade eletromagnética. Pode ser usado um console de controle remoto até a distância de 100m do AND. De acordo com os cortadores utilizados, os furos podem ser de 30, 60 ou 110 mm de diâmetro com espessura de até 60 mm.

Quando é conseguido acesso ao explosivo, ele será retirado com o uso de um gerador de vapor. O explosivo liquefaz, é coletado e transportado para ser destruído em lugar seguro. A ação final pode ser o uso de uma quantidade controlada de explosivos para detonar o que ficou retido no alojamento da espoleta, no próprio local ou, como anteriormente mencionado, em lugar seguro.

Não se pode precisar o tempo que levará para ser concluída a neutralização mas, certamente, deve-se pensar em horas ao invés de minutos. Por razões operacionais, esse processo pode sofre variações e a munição removida para algum outro lugar e atacada quando houver maior disponibilidade de tempo.

DAE é uma atividade perigosa requerendo técnicos dedicados e bem treinados. Em algum conflito futuro seus recursos provavelmente serão esgotados, na medida que as espoletas serão mais sofisticadas aumentando a incerteza da condição da munição. A situação será ainda mais agravada pelo uso de munições menores lançadas em grandes quantidades, forçando muito mais povos a aumentarem seus estados de alerta para o DAE".






Kit de Acesso e Remoção - Conjunto eficiente e inovador de linhas e ganchos para acesso e remoção de artefatos explosivos, mesmo que estes estejam dentro de prédios, do outro lado de esquinas ou atrás de portas. Os utensílios deste Kit permitem, também, a abertura de portas, janelas e compartimentos de bagagem de veículos.












Kit de Ferramentas - Conjunto composto por ferramentas desmagnetizadas úteis no processo de desativação de artefatos explosivos, bem como no trabalho de análise pós detonação.




















Espelho para Inspeção - Ferramenta com hastes de 60 ou 100 cm e opção de iluminação, indispensável no processo de vistoria de ambientes e artefatos explosivos, reduzindo o risco de exposição do operador.













Farolete de Capacete -  Sistema acoplado ao capacete anti bomba que possibilita a iluminação de ambientes e permite a liberdade de ação para as mãos do operador. Equipamento extremamente leve, resistente à água e que, imediatamente, se solta do capacete quando atingido por algum tipo de objeto sólido.















Fonte de Energia - Equipamento portátil que provê energia adicional, por até oito horas de operação contínua, para os acessórios anti-bomba. Funciona com baterias alcalinas ou de níquel cádmio recarregáveis.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

FUNÇÕES DO SETOR PÚBLICO

CONCEITOS: CAPITALISMO, SOCIALISMO, COMUNISMO E ANARQUISMO

ALGUMAS QUESTÕES SOBRE SEGURANÇA PRIVADA