CURSO DE REDAÇÃO EMPRESARIAL

 APOSTILA II


Professora: Irney Vencio

  
Uberlândia Mai/2004

CAPÍTULO IV

REDAÇÃO OFICIAL E TÉCNICA

                1.    MEMÓRIA DE REUNIÃO

Conceito - Modernamente, por economia de tempo e de trabalho, em algumas instituições, as reuniões são registradas não em livros de ata, mas em fichas que são denominadas “memória de reunião”. Evidentemente essas fichas não possuem o valor jurídico de uma ata registrada, mas são práticas e fáceis de manusear.

Modelo



Memória de Reunião

Tipo de reunião:........................................................... Data ____/____/____ Duração____
Objetivo:............................................................................................................................
Pauta:.................................................................................................................................
Coordenador:.....................................................................................................................
Assuntos Tratados:.............................................................................................................
..........................................................................................................................................
..........................................................................................................................................
Conclusões:........................................................................................................................
Participantes:


 
            2.   CIRCULAR

           Conceito - Circular é o meio de correspondência pelo qual alguém se dirige, ao mesmo tempo, a várias repartições ou pessoas. É, portanto, correspondência multidirecional.

            Na circular não deve constar destinatário, pois ela não é destinada a alguém, especificamente, mas a muitos, ao mesmo tempo, assim, o endereçamento deve aparecer apenas no envelope.

            Observação


Se um memorando, um ofício ou uma carta forem dirigidos multiderecionalmente, serão chamados de memorando-circular, ofício-circular ou carta-circular.
 




    Modelo


                                   SECRETARIA DA FAZENDA
                                             Tesouro do Estado

CIRCULAR GERAL Nº 58

Prorroga o prazo para pagamento
 da taxa de cooperação sobre bovinos

            O DIRETOR-GERAL DO TESOURO DO ESTADO, no uso de suas atribuições, transmite as seguintes instruções.

1.0    – O prazo para pagamento da Taxa de Cooperação sobre Bovinos, fixado na Lei nº 4.948, de 25 de maio de 1998, fica prorrogado, no corrente exercício, até 30 de dezembro, nos termos da Lei nº 7.034, de 10 de dezembro de 1998, publicada no Diário Oficial, na mesma data.
2.0    - Expirado o prazo estabelecido no item anterior, o pagamento só será admitido com os acréscimos previstos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 6.537, de 27 de fevereiro de 1995 e alterada pela Lei 7.027 de 25 de novembro de 1998.

                                             XXXXXXXX
                                                         Diretor Geral
 


























  Exercícios

Elaborar duas circulares, observando seus aspectos formais.

Assunto l – Comunica aos alunos da UNIT o encerramento do semestre letivo, a data final para a entrega de notas e o período de matrículas para o próximo semestre:
...................................................................................................................

...................................................................................................................

...................................................................................................................

...................................................................................................................

Assunto 2 - Informa aos alunos dos cursos de graduação tecnológica uma visita técnica ao sistema de monitoramento do Center Shopping. (Informar data e horário da visita).
....................................................................................................................

....................................................................................................................

3.   CONTRATO

           Conceito - Contrato é um acordo entre duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas para estabelecer, modificar ou anular uma relação de direito. O assunto é variado: compra, venda, prestação de serviço ou qualquer outra relação que se queira formalizar.

Um contrato de maior seriedade e com implicações jurídicas deve ser feito por um advogado.

              Modelo 

   Contrato simples



Por este instrumento particular, Paulo Sousa, brasileiro, casado, comerciário, residente e domiciliado na Rua X, 05 ap 01 nesta cidade e João Alencar, brasileiro, solteiro, pintor, residente e domiciliado na rua Y, 23, também nesta cidade contratam a pintura da residência do primeiro contratante, conforme orçamento e condições apresentadas.
            O preço total combinado, incluindo o material é de R$10.000,00 (dez mil reais) que serão pagos na medida em que o serviço for sendo executado.
            O prazo máximo previsto para a entrega da referida pintura é até 30 de novembro de 2003.

Uberlândia, 04 de novembro de 2003.


Paulo Sousa                                        João Alencar

Testemunhas:





















Contratos podem ser cancelados ou rescindindos, quando isto ocorre é necessária a confecção de um Termo de Rescisão de Contrato.


O Sr Paulo Sousa, juntamente com o Sr João Alencar, acordam para todos os efeitos de direito, rescindir amigavelmente o contrato assinado entre as partes, em todas as suas cláusulas e condições, não gerando, absolutamente, a partir desta data, nenhum direito ou obrigação entre os mesmos, com total liberação de todo e qualquer vínculo. O contrato que ora se rescinde versava sobre prestação de serviços de pintura na residência do Sr Paulo Sousa.
E, por estarem assim, justos e acertados, assinam o presente documento em três vias de igual teor e forma, na presença de testemunhas.
Uberlândia, 05 de novembro de 2003.
 

 4.      DECLARAÇÃO

              Conceito - A declaração é o documento firmado por uma pessoa a favor de outra, informando a verdade a respeito de determinado fato, neste sentido, a declaração se assemelha ao atestado, mas em razão de sua natureza não deve ser expedida por órgãos públicos.

            É um documento que difere da certidão, pois, enquanto esta prova fatos permanentes, aquele se refere a fatos transitórios.
Modelo

Declaramos que o senhor João Armando Ferraz, pertence ao quadro de funcionário de nossa empresa desde 2 de maio de 2003, percebendo mensalmente dois salários mínimos por mês.
                                                                      Uberlândia, 22 de outubro de 2003.

Mário Barcellos
Diretor de RH

 









Exercícios

1.)    Elaborar um contrato com no mínimo 05 cláusulas e no máximo 08 sobre qualquer relação contratual que você queira firmar.

2.)    Elaborar uma declaração de freqüência expedida pela empresa em que você trabalha para ser apresentada à UNIT, justificando suas faltas.

               5.      RELATÓRIO

Conceito - A função referencial da linguagem, que é a que informa, e que utiliza expressões precisas e objetivas, está sempre presente nas mensagens escritas, pois para que esta seja compreendida pelo destinatário deve remete-lo a referentes situacionais ou textuais.

            Quem escreve, nada mais faz que dar ordem a certo número de dados. Os elementos secundários servem para enriquecer a mensagem.
             A linguagem pragmática tem o propósito exclusivo de levar ao conhecimento dos leitores, informações puras. Nesse tipo de linguagem incluímos:

a)      Os informes: são utilizados, principalmente nas empresas, para divulgar informações que precisam atingir o maior número de pessoas no menor espaço tempo possível.
b)      As resenhas: propõem-se a prestar informações sobre elementos mais complexos do que os relatados nos informes. São exemplos de resenhas, os comentários presentes em jornais ou revistas sobre filmes ou livros.
c)      Os resumos: têm por objetivo apresentar com fidelidade idéias ou fatos essenciais contidos num texto.
d)      Os relatórios: são utilizados na elaboração de informações mais importantes e exigem isenção, imparcialidade, clareza e objetividade e devem ter certo peso e apresentação estética. O relatório assume cada vez maior relevo na administração moderna, porque é impossível para um administrador ou técnico conhecer e acompanhar pessoalmente todos os fatos, situações ou problemas que por sua grandeza, importância e relevância, devam ser examinados. O relatório, na verdade, reflete quem o redige, pois espelha com facilidade a capacidade do relator.

Relatórios e sua redação

            Após realizar uma pesquisa, uma inspeção, uma supervisão, ou uma visita técnica, se você tiver que redigir um relatório observe que ele deverá constar uma exposição geral do trabalho, incluindo desde a fase de planejamento até as conclusões. Você deve relatar também, a metodologia utilizada, preocupando-se sempre com a precisão vocabular, com a clareza, a simplicidade e a objetividade da linguagem e com a coerência textual.
            Relatório, por definição, seria, então, a comunicação de algum fato ou ocorrência a alguém que deseja ser informado.
            Aquele(a) a quem você dirige o seu relatório é o fato mais importante a ser considerado. O receptor pode ser uma pessoa ou um grupo, um professor ou seu superior hierárquico. Torna-se, portanto, necessário conhecer bem quem irá utiliza-lo. A sua linguagem deverá ser adaptada ao seu receptor. Se os termos utilizados não forem compreensíveis não haverá comunicação e você terá perdido todo o seu trabalho.
            As informações expostas devem descrever e explicar, e não convencer, por isso em relatórios não pode haver emissões de juízo, ou de valor, tais como: eu acho, na minha opinião, talvez etc...
            De modo geral os relatórios:

1.      Têm um objetivo predeterminado e específico.
2.      Não devem ser escritos com preocupação estilística.
3.      Devem evitar jargões técnicos.
4.      Têm no receptor a parte mais importante da produção.
5.      Preocupam-se com a brevidade, com a seriedade e com a objetividade.
6.      São exatos e precisos.
7.      São claros e informativos.
8.      O seu compromisso é com a verdade.
9.      Devem ater-se aos fatos.
Dicas para elaboração de um bom relatório
Um relatório depois de pronto deve ser lido examinado e arquivado, e será, a qualquer tempo, um documento hábil a demonstrar o trabalho de seu autor. Assim as pessoas encarregadas de sua elaboração têm que aprimorar ao máximo, sua execução, obedecendo a algumas instruções que darão coerência ao mesmo, tornando-o claro, fácil de ser consultado e substancial.
Extensão adequada
            Sempre que possível convém evitar que o relatório seja muito longo, o pressupondo-se que um de seus objetivos é, exatamente economizar o tempo de quem o lê.
            A extensão do contexto de um relatório varia de acordo com a importância dos fatos relatados. Assim, o relatório de uma visita ou inspeção, por exemplo, será menor do que o relatório anual de uma empresa.

            Linguagem

            A linguagem deve ser objetiva, despojada, precisa, clara e concisa. Aconselha-se a elaboração de um relatório curto, acompanhado de anexos e/ou gráficos.

            Redação

            Redação simples, com boa pontuação e ortografia correta.
Objetividade
O bom relatório não deve fugir às suas destinações específicas, evitando-se rodeios e divagações, pois sua característica principal é a clareza.
Exatidão
As informações devem ser precisas, pois não pode ficar dúvida a respeito do que foi relatado. Problemas, números, cifras e estatísticas, se colocados, devem representar a realidade. Quem elabora um relatório é totalmente responsável pelas informações que presta, por isso cabe-lhe aferir detidamente a validade das fontes de consulta.

Conclusão

O relatório necessariamente levará a uma conclusão, conquanto, possa sugerir providências posteriores para a complementação do trabalho.
Tipos de relatório
O relatório pode ser:
·         Individual ou coletivo;
·         Simples ou complexo;
·         Parcial ou completo;
·         Periódico ou eventual;
·         Técnico, administrativo, econômico, financeiro, científico...

Uma outra dica importante para se elaborar um bom relatório é responder às questões abaixo:
a)      O quê?                  e) Quando?
b)      Por quê?                f) Como?
c)      Quem?                  g) Quanto? 
d)      Onde?                    h) E daí?

Depois de coletados os dados o autor deverá esquematizar a confecção do relatório, para facilitar seu trabalho. Para tanto, o relatório deverá ser divido em partes distintas, onde estarão contidos todos os dados necessários à análise de quem o vai receber.
Abaixo uma sugestão de esquema de relatório
a)      Título: deve ser sintético e objetivo, dando idéia do todo.
b)      Objeto: Introdução ao problema. Indicação do objetivo do trabalho.
c)      Delimitação: referência e justificativas ao que não será abordado
d)      Referências: fontes de consulta, livros, jornais, revistas, entrevistas...
e)      Texto principal: observações dados, números...
f)       Conclusões: resumo, resultados e constatações.
g)      Sugestões ou soluções: providências recomendadas, aprofundamento das investigações, ampliação da documentação a ser examinada, observações, alternativas...
Partes de um relatório:

a.       Capa: deve conter o nome da organização, o título, setor que elaborou, a data e o nome do autor.
b.      Folha – rosto: pode repetir, ou não, a capa.
c.       Sumário ou índice: deve conter três colunas, uma para a numeração dos itens, outra para o título dos itens e a outra para o número das páginas.
d.      Sinopse: é uma espécie de resumo, mas não se confunde com este, pois enquanto o resumo é realizado por outra pessoa, a sinopse é feita pelo próprio autor.
e.       Introdução: é a parte inicial do texto propriamente dito. Na introdução se irá apresentar o trabalho, seu objetivo e a justificativa para sua elaboração.
f.       Contexto ou desenvolvimento: é o relatório em si. Nesta parte você irá expor os dados que coletou, de preferência em ordem cronológica ou seqüencial, abordando as ocorrências sem emitir impressões ou juízos.
g.       Conclusão: representa o resultado final do trabalho. Nesta parte pode-se emitir impressões ou juízos, não de valor, mas de resultado. Deverá ser inferida com base na análise total dos fatos, com isenção e imparcialidade.
h.      Anexos: partes inseridas à parte para se evitar o cansaço de quem lê.

               6.    PROCURAÇÃO

 Conceito - Procuração é o instrumento por meio do qual uma pessoa física ou jurídica outorga poderes a outra.
A procuração pode ser emitida por instrumento público ou particular. A pública é lavrada em cartório; a particular é geralmente, dispensada de registro.

     Estrutura

a)      Título: Procuração
b)      Qualificação: nome, nacionalidade, estado civil, profissão, CPF, residência do outorgante (constituinte ou mandante) e também do outorgado (procurador ou mandatário).
c)      Finalidade e Poderes: é a parte em que o outorgante declara o objetivo da procuração, bem como, autoriza o outorgado a praticar os atos para os quais está sendo nomeado.
d)      Data e assinatura do outorgante.
e)      Assinatura das testemunhas se houver. Essas assinaturas costumam ficar abaixo da assinatura do outorgante, à esquerda.
f)       As firmas devem ser todas reconhecidas em cartório.
  

PROCURAÇÃO

Outorgante:

Outorgado:

O outorgante, acima qualificado nomeia e constitui seu bastante procurador........................
.............................................................................................................................

Uberlândia, 10 de Novembro de 2003.

(Assinatura do outorgante)

Testemunhas:                                                                               
 

Modelo

  7.   TRABALHOS ACADÊMICOS

    Conceito – São os trabalhos feitos por estudantes ou estudiosos para apresentar o resultado de pesquisas ou estudos e têm diversos tipos e níveis. Vão desde resumos e resenhas a monografias, dissertações, teses ou livros.
  Estrutura do trabalho científico ou acadêmico.
  CAPA: é a proteção externa do trabalho, normalmente padronizada pelos cursos.
  FOLHA DE ROSTO: é a folha que apresenta os elementos essenciais à identificação do trabalho
  VERSO DA FOLHA DE ROSTO: ficha catalográfica.
  FOLHA DE APROVAÇÃO: autor, título, aprovado em ... , nome do orientador, banca examinadora.
  DEDICATÓRIA: a critério do autor.
 AGRADECIMENTO: é interessante que sejam feitos agradecimentos a pessoas e instituições.
 SUMÁRIO: relação das principais divisões do trabalho na ordem em que aparecem no texto.
 LISTA DE ILUSTRAÇÕES: localiza-se após o sumário, em página própria. Relaciona figuras, tabelas, quadros e gráficos, na ordem em que aparecem no texto, indicando o número, o título e a página onde se encontram. Se houver poucas ilustrações de cada tipo todas podem ser colocadas em uma única página.
LISTA DE SIGLAS, ABREVIATURAS E SÍMBOLOS: devem ser ordenados alfabeticamente, seguidos de seus significados. Usar uma nova página para cada lista.
RESUMO OU ABSTRACT: é a apresentação resumida, clara e concisa do texto, destacando-se os aspectos de maior interesse e importância. Deve ser redigido de forma impessoal e não deve exceder 500 palavras. O resumo deve ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do trabalho. Se for feito em outra língua recebe o nome de Abstract.

Divisão do trabalho: O trabalho é dividido em introdução, texto, conclusão e pós-texto.
INTRODUÇÃO: onde é definido o propósito do trabalho e como se pretende desenvolvê-lo.

 TEXTO – é o corpo do trabalho, o texto propriamente dito, onde o assunto é apresentado e desenvolvido.
 CONCLUSÃO: fecha com a introdução e diz em grau e o que foi alcançado em relação ao que foi pretendido.
PÓS-TEXTO: é o que se segue após a conclusão, conforme exposto abaixo.
BIBLIOGRAFIA OU REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:  pode ser consultada, citada ou recomendada.
ANEXOS: todo o material que poderia estar no texto, mas por algum motivo é colocado à parte. A indicação dos anexos é feita com letras maiúsculas. Ex.: Anexo A, Anexo B.
APÊNDICES: o que não é fundamental ao texto, mas que pode servir de apoio ao mesmo em alguma parte ou momento.
GLOSSÁRIO: lista em ordem alfabética de palavras especiais, pouco conhecidas, obscuras ou de uso restrito.
ÍNDICE: colocado no final do trabalho, é remissivo ao texto, podendo ser por autor, assunto, palavras-chave etc.
NOTAS DE RODAPÉ: destinam-se a prestar esclarecimentos, comprovar uma afirmação ou justificar uma informação que não deve ser incluída no texto. As notas devem limitar-se ao mínimo necessário. As notas de rodapé são colocadas no pé da página, separadas do texto por uma linha de aproximadamente 1/3 da largura útil da página, a partir da margem esquerda. A indicação da remissiva para rodapé deve ser feita com números em expoente.
Exemplo: ( ² )

Apresentação Física
PAPEL: A4 (210x297mm)
ESPAÇOS: no texto, usar preferencialmente o espaço duplo (2 cm) ou um e meio (1,5 cm), dependendo exclusivamente do que determina sua faculdade ou professor. Nas citações até quatro linhas, usar aspas e espaços iguais ao texto. Nas que tiverem mais de quatro linhas, usar espaço um e margem à esquerda de (15). O fim de uma seção e o cabeçalho da próxima são separados por espaços extras.
Observação: quando uma seção terminar próxima ao fim de uma página, colocar o cabeçalho da próxima seção na página seguinte.
MARGENS: superior e esquerda, 3 cm; inferior e direita, 2 ou 2,5 cm.
PAGINAÇÃO: seqüencial ao alto e à direita da folha, em algarismos arábicos, aparecendo a indicação e contando as páginas a partir do texto. Bibliografia, anexos, apêndices, glossário, índice etc. devem ser incluídos na numeração seqüencial das páginas.
LETRAS: usar um tipo de letra que seja de fácil leitura (Times New Roman ou Arial). Evitar usar itálico no texto: use somente em termos científicos e palavras estrangeiras.

Numeração Progressiva A numeração progressiva tem por objetivo descrever as partes de um documento de modo a permitir a exposição mais clara das divisões e subdivisões do texto: seqüência, importância e inter-relacionamento da matéria e permitir a localização imediata de cada parte.
SEÇÕES: são as partes em que se divide o texto de um documento.
SEÇÕES PRIMÁRIAS: principais divisões do texto de um documento, denominadas "capítulos".
 Exemplo: Seção Primária: 1
SEÇÕES SECUNDÁRIAS, TERCIÁRIAS, QUATERNÁRIAS...: Divisões de texto de uma seção primária, secundária, terciária etc., respectivamente.
Exemplo: Seção Secundária: 1.1 ou 1.1.1.
São empregados algarismos arábicos na numeração.
Pode ser usada letra maiúscula do alfabeto latino seguida de parênteses para subdividir itens que são importantes, mas que não são considerados seções.
Exemplo:
Capítulo 1
Seção 1.1
Alínea - (a)

Recomenda-se não subdividir demasiadamente as seções, a fim de que a clareza e a concisão do texto não sejam comprometidas.

Apresentação de citações: Menção no texto de uma informação colhida em outra fonte. Pode ser uma transcrição ou paráfrase, direta ou indireta, de fonte escrita ou oral.
As citações são elementos (partes, frases, parágrafos etc.) retirados dos documentos pesquisados durante a leitura da documentação e que se revelam úteis para sustentar o argumento. Ex.: (Severino, 1992, p. 85). As citações bibliográficas devem ser: exatas, precisas, e passíveis de averiguação por todos. Através delas é possível identificar e localizar a fonte. Elas podem aparecer no texto (autor, ano, páginas) ou em notas de rodapé.
TIPOS DE CITAÇÃO
CITAÇÕES FORMAIS, DIRETAS OU TRANSCRIÇÃO: quando transcreve-se literalmente trechos de obras. Devem aparecer entre aspas, respeitando pontuação e ortografia. São apresentadas em forma de referências bibliográficas, acompanhadas de indicações exatas dos documentos de onde foram recolhidas, uma vez que "a virtude fundamental do citador é a fidelidade" (Salvador, 1978, p. 206)
CITAÇÕES CONCEPTUAIS, INDIRETAS OU PARÁFRASE: Citação livre do texto.Quando sínteses pessoais reproduzem fielmente as idéias de outros autores. Não é necessário indicar a página, simplesmente o sobrenome do autor e a data de publicação do trabalho. Ex.: conforme Fontes (1987).
Em caso de citação de dois ou mais trabalhos do mesmo autor com o mesmo ano de publicação, diferenciar cada um utilizando letras minúsculas junto à data.
Ex.: Souza, 1978  - 000Souza, 1978a
CITAÇÃO DE CITAÇÃO: quando for absolutamente indispensável mencionar um trabalho ao qual o autor não teve acesso, mas do qual tomou conhecimento apenas por estar citado em outra publicação. Para simplificar a forma de apresentação é necessário o emprego da expressão latina "Apud" no texto. Ex.: Silva (1978) Apud Souza (1985).
      No texto:
BRADLEY Apud ARMITAGE (1991)
      Na bibliografia:
ARMITAGE, W. J. Supply of corneab issue in the United Kingdon Br. Journal Ophitalmology, v. 74, p. 650-3, 1991.
As citações devem se ater ao essencial:
a) Elipses ou supressões: É permitida a omissão de palavras na citação quando seu sentido não é alterado. Tal omissão é indicada por reticências entre parênteses (...). Quando são omitidos um ou diversos parágrafos, deve-se usar uma linha pontilhada. ..............................................................
b) Interpolações ou comentários: a exatidão é fundamental na citação, portanto, qualquer correção ou observação feita deve ser indicada corretamente. Corrige-se da seguinte forma:
·         Inserindo a expressão "sic" entre colchetes ou parênteses: (sic), [ sic] ;
·         Inserindo a correção entre colchetes ou parênteses: [...]
·         Inserindo frases indicando a correção, entre colchetes ou parênteses.
Quando for utilizado o grifo (negrito, itálico etc.), isto deve ser mencionado: (grifo do autor) ou (grifo meu). É indispensável mencionar os dados necessários à identificação da fonte da citação. Estes dados devem aparecer no texto e em listas no fim de texto.

OBSERVAÇÕES: Qualquer obra utilizada e consultada, citada ou não no texto, deverá aparecer na bibliografia final. A chamada ou entrada usada no texto deve ser a mesma na bibliografia.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA - Conjunto de indicações precisas e minuciosas, retiradas do próprio documento, permitindo sua identificação no todo ou em parte. Os elementos de referência bibliográfica dos documentos consultados ou estudados (livros, textos, periódicos, anais de congressos, folhetos etc.), considerados no todo ou em parte devem ser retirados sempre que for possível, da folha de rosto da obra consultada.  Esses elementos dividem-se em essenciais e complementares.
ELEMENTOS ESSENCIAIS: são informações indispensáveis à identificação do documento. Estão estritamente ligadas ao suporte documental e variam, portanto, conforme o tipo de documento. Ex.: autor, título, local, editora, data de publicação, página inicial e final (quando se tratar de capítulos ou partes de um documento).
ELEMENTOS COMPLEMENTARES: são informações que, acrescentadas aos elementos essenciais, permitem uma melhor caracterização do documento. Ex: edição, editor, páginas, porte físico, ilustrações, dimensões, série. Todos estes elementos juntos permitem identificar, localizar e datar publicações referenciadas em bibliografias.
LOCALIZAÇÃO: a referência bibliográfica pode aparecer: no fim do texto ou do capítulo.
ORGANIZAÇÃO: as referências bibliográficas são organizadas em ordem alfabética por sobrenomes de autores, títulos ou assuntos, sempre observando a entrada que foi dada no texto.
PONTUAÇÃO: deve ser uniforme para todas as referências.
a) Os vários elementos da referência bibliográfica (nome do autor, título da obra, edição, notas tipográficas - imprensa -, notas bibliográficas e notas especiais) devem ser separados entre si por ponto seguido de dois espaços.
Ex: SILVA, João da. A história da moeda. 3. ed.
b) Os elementos das notas tipográficas (local, editor, data) e bibliográficas devem ser separados entre si por dois pontos. Datas são separadas por vírgula.
Ex: São Paulo, Atlas, 1986.
c) A nota de série e/ou coleção é, por tradição, apresentada entre parênteses, indicando-se os títulos e sua numeração.
Ex: (Série os historiadores) (Os economistas) (Texto para discussão, 31)
d) Ligam-se por hífen as páginas inicial e final das partes referenciadas, bem como as datas-limite de determinado período da publicação.
Ex: p. 55-68
e) Ligam-se por barra transversal as datas-limite do período a que se refere a publicação referenciada.
Ex: 1976/1989
TIPOS OU FONTES (ESTILO DE LETRA): empregam-se maiúsculas (caixa alta) nos sobrenomes dos autores individuais, nos nomes de entidades coletivas, nos títulos de periódicos e na primeira palavra do título quando constituírem a entrada da referência.
ELEMENTOS DE REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
AUTORIAS:
a) Autor pessoal: responsável pela criação do conteúdo intelectual ou artístico de um documento. Inicia-se a entrada pelo último sobrenome do autor, em letras maiúsculas, seguido pelo(s) nome(s). Emprega-se vírgula entre o sobrenome e o(s) nome(s). Os nomes são transcritos como aparecem nos documentos.
Ex.: SILVA, L
TEIXEIRA, J. S.
b) Sobrenomes ligados por hífen: DUQUE-ESTRADA, O.
c) Sobrenomes que indicam parentesco: ARARIPE JÚNIOR, I. A.
FERRARI FILHO, H.
d) Sobrenomes compostos por adjetivo mais substantivo.
Ex.: CASTELO BRANCO, C.
ESPÍRITO SANTO, H.
SANTA CRUZ, A.
e) Sobrenomes cuja forma composta é a mais conhecida:
EÇA DE QUEIROZ, J. M.
MACHADO DE ASSIS, A. M.
f) Sobrenomes espanhóis:
GARCÍA MÁRQUEZ, G.
RODRIGUEZ LARA, J.
g) Documentos elaborados por um autor, dois autores, três autores, mais de três autores:
HUNT, L.
HUNT, L. ; HUBBERMAN, J.
HUNT, L. ; HUBBERMAN, J. ; SILVA, M.
ENTRADA COLETIVA:
Autor, entidade, instituição(ões), organização(ões), empresa(s), comitê(s), entre outros, responsável(eis) por publicação em que não se distingue autoria pessoal. Trabalhos de cunho administrativo ou legal. Ex.:
No texto:
(FUNDAÇÃO, 1982, p.57)
Na bibliografia:
FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA. Agricultura no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: 1982 (25 Anos da Economia Gaúcha, v. 3)
6.7.3 Quando a entidade coletiva é hierarquicamente vinculada aos governos federal (Ministério), estadual e municipal (Secretarias), conselhos e universidades:
No texto:
BRASIL (1995, p.125)
RIO GRANDE DO SUL (1996, p.101)
PORTO ALEGRE (1997, p.27)
CONSELHO (1987, p.5)
UNIVERSIDADE (1985, p.30)
Na bibliografia:
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. A educação no Brasil ano 2000. Brasília: 1995. 223 p.
RIO GRANDE DO SUL. Secretaria de Agricultura. Agricultura em números. Porto Alegre: 1995. 193 p.
PORTO ALEGRE. Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Departamento Municipal de Águas e Esgotos. Relatório anual. Poro Alegre: 1997. 190 p.
CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO. Currículos mínimos de cursos de graduação. 8 ed. rev. atual. Brasília: 1987. 498 p.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Estatuto, regimento geral. Porto Alegre: 1985. 74 p.
Trabalho apresentado em eventos (congressos, encontros, simpósios etc.):
MALDONADO FILHO, E. A transformação de valores em preço de produção e o fenômeno da absorção e liberação de capital produtivo. In: ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA, 15. Salvador: ANPEC, 1-4, dez. 1975. Anais... p. 157-75.
Evento no todo:
SIMPÓSIO BRASILEIRO DE REDES DE COMPUTADORES, 13. 1995. Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 1995. 655 p.
Eventos em meio eletrônico, no todo ou em parte:
CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DA UFPel, 4. 1995. Recife. Anais eletrônicos... Recife: UFPel, 1996. Disponível em http://www.propesq.ufpel.br/anais/anais.htm. Acesso em 21/jan/97.
GUNCHO, M. R. A educação à distância e a biblioteca universitária. In: SEMINÁRIO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 10. 1998. Fortaleza. Anais...Tec Tralha, 1999. 1 CD.
Publicações anônimas ou não assinadas: entrar diretamente pelo título, sendo a primeira palavra em letras maiúsculas.
ANTOLOGIA Latina. 6 ed. Madrid: Credos, 1968. 291 p.
Coletânea de textos:
Autor, coordenador, editor diferentes da parte referenciada:
BACHA, L. Hierarquia e remuneração gerencial. In: TOLIPAN, R. ; TINELLI, A. C. A Controvérsia sobre Distribuição de Renda e Desenvolvimento. Rio de Janeiro: Zahar: 1975. p. 124-55 (Biblioteca de Ciências Sociais)
BERTOLA, G. ; CAVALLERO, R. Sustainable intervention polices and exchange rate dinamics. In: KRUGMAN, P. e MILLER, M. (eds) Exchange Rate Target and Currency Banks. Cambridge: University Cambridge, 1992.
Autor, coordenador, editor igual ao autor da parte referenciada.
GAROFALO, L. ; CARVALHO, C. Teoria Microeconômica. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1986. Cap. 4 Os modelos de formação de preços. p.338-59.

 Fonte: Mepel DIGITUS & Associados S/C
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CAPÍTULO V

REGÊNCIA VERBAL E REGÊNCIA NOMINAL

REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL - Regência é à parte da gramática que estuda as relações entre os termos, verificando se um determinado termo exige complemento ou não. Assim, uma palavra ou oração que não tenha sentido completo (termo regente) é complementada por uma ou mais palavras (termo regido). Se o núcleo do termo for um verbo, chamamos de regência verbal, se for um nome, chamamos de regência nominal.

 Exemplo:       Nós amamos Maria
                        Nós gostamos de Maria        
           
            No exemplo I, notamos que o verbo amar exige complemento sem preposição; já o verbo gostar exige a preposição de antes do complemento.
a)      quando o termo regente é um nome, dizemos que se trata de regência nominal.

Eles eram fiéis ao amigo
                                     regente      regido


     b)   quando o termo regente é um verbo, dizemos que se trata de regência verbal.        

                               Os amigos necessitavam de apoio
                                                        regente                   regido

Lista de alguns verbos com mais de um sentido e mais de uma regência:

Verbo
Explicação
Tipo de Complemento
Agradar
No sentido de ser agradável, pede objeto indireto.
Preposição a: O aumento de preços nunca agrada ao povo.
Aspirar
No sentido de cheirar, sorver o ar, pede objeto direto.
Artigo: Aspirou o perfume das rosas.
Aspirar
No sentido de desejar, pede objeto indireto.
Preposição a: Ele aspira ao cargo de reitor da Unit.
Assistir
No sentido de presenciar pede objeto indireto
Preposição a: Nós assistimos ao filme Matrix Revolutions.
Assistir
No sentido de ajudar, prestar assistência, pede objeto direto.
Artigo: Os médicos assistem o doente.
Assistir
No sentido de ter direito ou razão pede objeto indireto.
Pronomes oblíquos lhe, me (a mim) e preposição a: Este é um direito que lhe assiste. Este dever assiste ao dono da casa
Atender
No sentido de prestar atendimento pede objeto indireto.
Preposição a: Atendemos à solicitação que nos fez. Atendia aos clientes com cordialidade.
Constar
No sentido de ser composto de, pede objeto indireto.
Preposição de: O livro consta de 20 páginas. A lista de convidados constava de 500 nomes.
Constar
No sentido de estar registrado, pede objeto indireto.
Preposição em: Seu nome e número de matricula não constam em nossos arquivos.
O registro do que foi discutido na reunião consta na ata.
Proceder
No sentido de comportar-se é intransitivo.
O complemento é um advérbio que irá funcionar como adjunto adverbial. O aluno não procedeu bem ao sair da sala naquela hora.
Proceder
No sentido de ter fundamento é intransitivo e não exige complemento.
Exemplo: Esta notícia não procede.
Proceder
No sentido de realizar, pede objeto indireto.
Preposição a: Os alunos procederam à confecção dos relatórios.
Responder
No sentido de dar resposta, pede objeto indireto ou direto.
No caso de objeto indireto coloca-se a preposição a: Respondeu a todas as questões da prova. Quando é objeto direto, expressa a resposta (Respondeu o quê?) Ele respondeu isso. Ele respondeu que não era culpado.
Responder
No sentido de ficar responsável, pede objeto indireto.
Preposição por: Os infratores responderão por suas faltas.

Visar
No sentido de pôr o visto ou apontar a arma, pede objeto direto.
Artigo: A embaixada visou o passaporte. Atirou visando o alvo.
Visar
No sentido de ter um objetivo, pretender, pede objeto indireto.
Preposição a: A educação visa ao progresso do povo. Ele visa ao cargo de diretor.
Chegar, Ir e Voltar = Tornar a ir.
Esses verbos pedem objeto indireto.
Observação: A preposição a indica um movimento transitório e a preposição para indica um movimento mais duradouro.
Preposição a ou para: Chegamos tarde à festa. Vai à Bahia em Junho. Irei para a França fazer um pós-doutorado. Voltarei à França para pegar o meu certificado.
Implicar
No sentido de trazer como resultado, pede objeto direto.
Artigo: Essa medida implicará a majoração dos impostos. Tal atitude implicou descontentamento.
Mora, Residir, Situar-se, Estabelecer-se.
Por serem verbos de quietação, (estáticos), pedem objeto indireto.
Observação : Os adjetivos derivados desses verbos são regidos pela mesma preposição:  Ex: Fomos ao comércio sito na Rua da Ladeira
Preposição em: Moro na Av dos Andradas. Reside num bairro calmo. O prédio situa-se num local agradável. O comerciante estabeleceu-se no centro da cidade.
Obedecer e Desobedecer
Pedem objeto indireto.
Preposição a: Os filhos obedecem aos pais. Eles desobedeceram ao esquema preestabelecido.
Preferir
No sentido de querer mais, pede objeto direto e indireto.
Observação: Prefere-se uma coisa a outra, sendo gramaticalmente incorreto dizer: Prefiro isto do que aquilo. Prefiro mais catchup do que mostarda.
Preposição a: Prefiro Português a Matemática.
Namorar
Pede objeto direto.
Observação: É gramaticalmente incorreto dizer: Pedro namora com Maria. Ele namora com ela
Ex: Pedro namora Joana. O aluno namora uma menina do segundo período.

Lista de alguns verbos com um único sentido e mais de uma regência possível:


Verbo
Regências Possíveis
Abraçar
Pedro abraçou o pai.  Pedro abraçou-se ao pai.  Pedro abraçou-se no pai.
Pedro abraçou-se com o pai.
Aguardar
Nós aguardamos o professor.  Nós aguardamos pelo professor.
Ajudar
Ninguém o ajudou.  Ninguém lhe ajudou.
Comparecer
Compareceram na sessão de autógrafos.   Compareceram à sessão de autógrafos
Encontrar
Eu encontrei um colega do primeiro ano. Eu encontrei com um colega do primeiro ano.
Esquecer
Nós esquecemos a chave dentro do carro.  Nós nos esquecemos da chave dentro do carro.
Lembrar
Ela lembrou as férias com saudade. Ela se lembrou das férias com saudade.
Presidir
O desembargador presidiu a sessão. O desembargador presidiu à sessão.
Renunciar
O rei renunciou o trono. O rei renunciou ao trono.

 Lista de alguns verbos transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo:

Verbo
Regência
Agradecer
Ele agradeceu o presente ao vizinho.
Anunciar
Nós anunciamos aos alunos a data das provas.
Comunicar
Comunicou sua mudança aos parentes mais próximos. Comunicamos-lhe nosso noivado.
Dizer
Disse-lhes isto. Disseram a ele que haveria reunião.
Pagar
Pagou tudo o que devia. Pagou-lhe com atraso. Paguei ao empregado. Pagamos a conta ao comerciante.
Pedir
Pediu silêncio ao auditório.
Perdoar
Perdoou as ofensas. Maria perdoou a João.
Solicitar
Solicitaram-lhe dinheiro. Solicitou silêncio aos alunos.
Autorizar
O diretor autorizou o professor a dispensar os alunos.
Convidar
Convidou-o a permanecer na sala. Convidou-o para padrinho de casamento.

Alguns nomes e suas respectivas regências:

Nomes
Nomes
Nomes
Nomes
Nomes
Acessível a
Curioso por
Habituado a
Afável com
Desatento a
Horror a
Agradável a
Contente com
Hostil a
Alheio a
Desejoso de
Idêntico a
Amante de
Favorável a
Impossível de
Análogo a
Diferente de
Impróprio para
Ansioso de/para/por
Apto a
Digno de
Aversão a/por
Entendido em
Indeciso em
Ávido de
Equivalente a
Independente de
Benéfico a
Indiferente a
Capaz de
Escasso de
Certo de
Essencial para
Inerente a
Compatível com
Estranho a
Leal a
Comum a
Lento em
Constante em
Fiel a
Liberal com
Firme em
Contemporâneo a
Natural de
Contíguo a
Generoso com
Necessário a
Contrário a
Grato a
Nocivo a
Cuidadoso com
Negligente em
Hábil em
Ojeriza por
Passível de
Rico de/em
Paralelo a
Possuído de/por
Preferível a
Prejudicial a
Perito em
Prestes a
Sito em
Propício a
Suspeito de
Responsável por
Útil a/para
Perpendicular a
Próximo a/de

LEITURAS SUPLEMENTARES

Meu caro amigo
Francis Hime e Chico Buarque
                                               (LP Meus Caros Amigos – 1976)

Meu caro amigo me perdoe, por favor,
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito choro, muito samba e rock ‘n’ roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é te dizer que a coisa aqui ta preta
Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando, que também sem a cachaça
Ninguém segura este rojão

Meu caro amigo eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito choro muito samba e rock ‘n’ roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é te dizer que a coisa aqui ta preta
É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando, que também sem um cigarro
Ninguém segura este rojão

Meu caro amigo eu quis até a telefonar
Mas a tarifa não tem graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito choro muito samba e rock ‘n’ roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol,
Mas o que eu quero é te dizer que a coisa aqui ta preta
Muita careta pra engolir a transação
E a gente ‘ta engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando, que também sem um carinho,
Ninguém segura este rojão

Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever
Mas o correio andou arisco
Se me permitem vou tentar lhe remeter
Notícias frescas nesse disco
Aqui na terra ‘tão jogando futebol
Tem muito choro muito samba e rock ‘n’ roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é te dizer que a coisa aqui ta preta
A Marieta manda um beijo para os seus
Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
O Francis aproveita pra também mandar lembranças
A todo pessoal, adeus.

Exercícios

  1. Esta canção foi escrita numa linguagem descontraída, bastante coloquial. Aponte frases e expressões que indicam isto.
  1. Escreva uma carta a um amigo que você não vê há muito tempo, contando-lhe do curso que você está fazendo e o que você está aprendendo. Utilize a linguagem do seu dia-a-dia, coloquial e descontraída, como na música.
  1. As notícias contidas nesta música irão compor um discurso a ser proferido pelo Presidente da República em rede nacional de rádio e televisão. Como você redigiria?

A CASA DA MÃE JOANA

Curiosidades nas origens de algumas palavras, frases e marcas.     

_____________ Era cultivado pelos astecas, que chamavam a fruta de awákatl, (testículo), por causa da semelhança na forma. Eles acreditavam que a fruta era afrodisíaca. Na colheita do abacate, as astecas virgens eram proibidas de sair de casa. Os homens? Ficavam loucos lá fora. A palavra deu no espanhol aguacate.  Daí o nome foi ganhando diferentes formas até chegar ao nosso abacate. Já no francês, ficou avocat, que significa também, advogado. Por quê?  Em latim, o verbo vocare (chamar) recebeu o prefixo ad (para junto de) e deu origem a advocare (chamar para ajudar).
______________- A Societá Italiana Automobili Darracq foi fundada em 1906, em Portello, distrito da cidade italiana de Milão. Rapidamente a Darracq entrou em derrocada (não, a palavra não vem daí) e em 1910 foi vendida a um grupo de italianos entusiastas por automóveis, que deram à fábrica o nome de Anônima Lombarda Fabbrica Automobili (ALFA). Fanáticos por automóveis, ma non troppo por gestão empresarial, um novo e fulminante fracasso fez o empreendimento ser passado em 1915 a um napolitano chamado Nicola Romeo, que começou a fabricar veículos militares para atender às demandas do governo, às voltas com a Primeira Guerra Mundial. A empresa enfrentou várias crises e reduziu suas atividades à fabricação de automóveis. Em 1927 o negócio ia de mal a pior, mas a esta altura o nome já havia ultrapassado as fronteiras italianas e a empresa novamente prosperou.  O emblema data de 1910 e representa o brasão da cidade de Milão (cruz vermelha no fundo branco) e a marca de uma família nobre que governou a cidade por dois séculos (Visconti – a serpente branca).
_____________ Mastós em grego é seio e o “a” inicial quer dizer “não”. Amazona, então, na sua origem, é mulher sem seio. As amazonas eram mulheres guerreiras da antiguidade que teriam habitado a Capadócia (hoje Turquia). Para facilitar o uso do arco elas queimavam ou cortavam o seio direito. Foi a partir dessa lenda que os colonizadores assim chamaram as mulheres armadas de arco e flecha que encontraram na região banhada pelo rio Amazonas (Rio das Amazonas).
___________ Anus em latim significa ânus ou anel. A palavra raramente foi usada pelos romanos com o sentido de anel, sendo logo substituída pelo seu diminutivo, que veio a ter duas formas: anulus ou anellus. Assim, anu ficou com o significado de ânus e o diminutivo anulus ou anellus passou a significar anel. A partir daí tire a conclusão que quiser a respeito da anatomia dos romanos. Por causa dessa dupla forma, o dedo em que normalmente usamos anéis é chamado de anular ou anelar. Os romanos chamavam esse dedo de digitus anularis. Mas por quê? Porque os antigos acreditavam que desse dedo partia uma veia que ia direto ao coração. Lindo, não?
_________ Do grego asterískos e pelo latim asteriscu. Áster é estrela e isco é uma terminação de diminutivo, ou seja, asterisco é o mesmo que estrelinha, por isso a palavra só tem uma grafia, assim, as pessoas que dizem ou escrevem asterístico são as mesmas que tomam chuvístico.
________ Em 1899, na cidade alemã de Colônia, August Horch fundou sua empresa, A Horch & Cie. O nome sugeria uma fábrica de espirros ou buzinas. Na verdade o negócio era automóveis. Foi lá que Horch desenvolveu seu primeiro carro, que ficou pronto no começo de 1901. Em 1909, quando a empresa já era uma sociedade anônima chamada A Horch & Cie Motorwagen – Werke AG, sediada em Zwickau, Horch brigou com os sócios, saiu e fundou sua segunda empresa na mesma cidade: a Horch Automobil-Werke GmbH. Mas seus ex-sócios não gostaram da idéia de conviver com uma empresa concorrente na mesma cidade com o mesmo nome e moveram uma ação contra Horch. Ganharam. Proibido de usar o próprio nome em seu novo estabelecimento, Horch encontrou a solução traduzindo-se para o latim. E assim horch (ouça! - em alemão) virou Audi. Em abril de 1910 surgia a Audiwerke GmbH. Em setembro de 1921, um Audi foi o primeiro carro alemão a ser fabricado com a direção do lado esquerdo. Até então, prevalecia uma tradição que vinha da época das carruagens, em que o cocheiro sentava-se do lado direito, o que lhe permitia ficar com a mão direita livre para agir no exterior do veículo (pegar coisas, dar tapinhas nas carecas dos amigos, apunhalar alguém pelas costas etc...). Em 1932 a Audi, a DKW a Horch e Wonderer se uniram para formar a Auto Union Ag, com sede em Chemnitz. Provavelmente uma das primeiras das grandes fusões de empresas, na história da economia. As quatro empresas estão representadas nas famosas argolas do emblema.
___________Em 1913, o engenheiro alemão Karl Friedrich Rapp fundou, num surbúbio de Munique, a empresa Rapp Motoren Werke para a fabricação de motores de avião. Ali perto, outro especialista em aviões, Gustav Otto, estabeleceu seu negócio: a Gustav Flugmaschinefabrik, que fazia pequenos aeroplanos. Em 1916 as duas empresas se fundiram para formar a Bayersiche Flugzeungwerke, logo depois chamada Bayersiche Motoren Werke (Fábrica de Motores da Baviera) ou BMW, que fabricou seu primeiro motor de avião em 1917. Em 1919, um avião com um novo motor aperfeiçoado batia o recorde de 9.670 metros de altitude. Um sucesso! Mas a euforia durou pouco. Nesse mesmo ano foi firmado o tratado de Versalhes, entre Alemanha e as potências aliadas vencedoras da Primeira Guerra Mundial. O documento, com duras condições para a nação derrotada, determinava, entre suas restrições que a BMW estava proibida de fabricar motores de avião. A empresa passou, então, a produzir freios de ar comprimido, para trens. Em 1922 a BMW voltou a fabricar motores de avião e começou a diversificar suas atividades. Em 1923 fabricou sua primeira motocicleta e em 1928 seu primeiro carro o Dixi. O emblema da companhia é uma hélice de avião em rotação, com as cores do céu: azul e branca.
_____________ Significa excluir, ou impedir algo. O capitão Charles Cunningham Boycott, foi contrato para administrar as fazendas do Conde de Erne, no condado de Mayo, na Irlanda. Boycott era odiado pelos arrendatários das terras porque ele despejava impiedosamente quem atrasasse o pagamento. Em 1880 a Liga Rural Irlandesa, para provocar uma reforma agrária, propôs uma redução no preço dos arrendamentos e estabeleceu que, quem não aceitasse a redução seria ignorado. Boycott, é claro, recusou a proposta e com isso, sofreu todo tipo de represálias até ser expulso da Irlanda, de volta para a Inglaterra.
____________ A palavra grega thékhe significa caixa, depósito, e deu origem ao latim theca, com o mesmo significado. Daí com o sentido de “lugar onde se guarda algo”, veio para o português o elemento “teca”, que aparece em: biblioteca, discoteca, pinacoteca... Ainda no grego, thékhe recebeu o elemento “apo” e ficou apothekhe, significando armazém. Apothekhe originou no alemão Apoteke, que quer dizer farmácia. Apothekhe virou Apotheca em latim, que originou as seguintes palavras em português: adega, bodega, botica, boticário, boteco e botequim.
____________ Calx, em latim, significa cal, pedra de cal (daí veio o inglês chalk – giz). Calx ganhou a terminação diminutiva – ulus e ficou calculus, significando 1. pedrinha, 2. pedra no rim ou na bexiga e 3. conta, porque os romaninhos aprendiam a contar usando pedrinhas.
____________ Vem de calar. (Calare em latim) que também tem o sentido de penetrar: “isso calou fundo em meu coração”. Daí, calado, a parte do navio que penetra na água. Também de calar veio cala, uma abertura que se faz num fruto, num queijo, ou num pão, para degustar. A palavra veio para Portugal, entrou no Brasil no início do século XIX, e ganhou a variante calo e o diminutivo, calote. Era um pedacinho que o vendedor oferecia ao comprador para degustação, sem cobrar. A pessoa comia, mas não comprava o produto. O uso popular inverteu o sentido, porque na verdade quem dava o calote (naquela época) era o vendedor.
___________ Em latim Vênus tinha vários sentidos: o amor, o objeto amado, o desejo, o ato sexual, a graça, a beleza, o planeta, a deusa romana do amor (equivalente à grega, Afrodite). Do nome dessa deusa originaram várias palavras: viernes (sexta-feira em espanhol), vendredi (sexta-feira em francês) venerar (admirar em português). Daí também veio camisa-de-vênus, cuja invenção é atribuída aos ingleses. No século XVIII, o rei francês Luís XVI importava preservativos da Inglaterra por mala diplomática em pacotes supostamente contendo casacos. Na França, a camisinha é chamada de “capote anglaise” (casaco inglês) e na Inglaterra, camisinha é “french letter” (carta francesa).
 ____________É um lugar onde todo mundo manda e faz o que bem entende. O rei francês, Felipe IV, O Belo, resolveu comprar uma briga feia: cobrar impostos sobre os bens da Igreja. A discussão foi tão séria que o papa Bonifácio VIII excomungou Felipe, que, em represália mandou que Guilherme de Nogaret, um de seus legistas, invadisse e Itália e prendesse Bonifácio VIII, que morreu na prisão. Em 1305 assumia o novo papa Clemente V, que seguindo um conselho de Felipe transferiu a sede do papado de Roma para Avignon. Avignon foi residência de 7 papas, mas antes Avignon pertencia a uma napolitana, Joana I, rainha de Nápoles. Linda e inteligente ela financiava artistas, poetas e intelectuais. Ela se casou com o primo, Andrew, irmão de Luis I , da Hungria. Andrew foi assassinado numa conspiração que dizem, as más línguas teve a participação da própria esposa. Luís I invadiu Nápoles e obrigou Joana a se refugiar em Avignon. Ela vendeu a cidade a Clemente V, com a condição de ser inocentada da participação na morte do marido. Enquanto ainda mandava e desmandava em Avignon, Joana resolveu regulamentar os bordéis da cidade. Uma de suas medidas foi estabelecer que todo bordel deveria ter uma única porta, por onde todos entrariam. Assim cada prostíbulo ficou sendo conhecido como paço da mãe Joana, ou casa da mãe Joana, numa alusão ao fato de ela ser dona da cidade.
____________ Em espanhol o nome da letra z que tem som de ss é zeta ou zeda. Cedilla, em espanhol é um pequeno z. No português arcaico chegou-se a usar a letra z entre o c e a vogal seguinte, para que fosse lido como ts e não como k cacza (caça) moczo(moço), mas a prática não pegou. Passou-se então a por um pequeno z embaixo da letra c. O z acabou virando um ganchinho ou uma vírgula.
____________ Veio do alemão schoppen, caneca.
____________ Os antigos acreditavam que o coração era a sede da emoção e da inteligência. Em latim, coração era cor. Cordis, daí se formaram palavras que passaram para o português: concordar, discordar, acordar, de acordo, recordar, de cor e decorar - (o coração como sede da memória). De cor em inglês é by heart e em francês par coeur.
___________ Eco (a) é um elemento que veio do grego e significa domicílio. Assim esta palavra é domicílio de quem? Acertou isso mesmo. Sim outras coisas também lá habitam: cueiro, recuar, culatra. Todas estas vieram – digamos assim – daquele lugar.
_____________ Em 1919, o espanhol Isaac Carasso, em Barcelona, começou a fabricar e a vender um produto ainda desconhecido, que ele adorava e em cujas propriedades medicinais ele acreditava firmemente: o iogurte. Mas a marca Iogurte Carasso estava fora de questão, aí veio a idéia de juntar as três primeiras letras do nome do filho Dan  e one (um em inglês) porque Daniel era seu primeiro filho.
 _____________Na sua origem é a má influência dos astros no destino de alguém
______________ Veio do verbo latino dissidere - (di igual afastamento)  (sedere – sentar), ou originalmente se refere àquele que senta separado.
____________ Scrupus em latim significava pedra pontiaguda, rochedo. Daí veio o diminutivo de scrupulus, que ganhou os sentidos de pedrinha, dificuldade e inquietação. Para exprimir conceitos abstratos, os romanos comumente partiam de realidades concretas, assim, do desconforto causado pelo contato de uma pedra pontuda, chegaram à noção de inquietação moral.
___________ Antes dele as feridas eram protegidas com pedaços de pano. É formado de duas palavras (spare) rasgue (drappo) o pano. Esta palavra deu no português trapo.
____________formado de eu (bem) thánathos (morte). Assim, literalmente significa boa morte (consideradas as alternativas, é claro).

Alfa Romeo Escrúpulo Boicotar Asterisco Boteco Audi Cálculo Abacate Camisa-de-Vênus Anel Casa-da-mãe-Joana BMW Calote Eutanásia Cordial Danone Dissidente Cueca Amazona Cedilha Esparadrapo Chope
  
PÁ, PÁ, PÁ

A americana estava há pouco tempo no Brasil. Queria aprender o português depressa, por isto prestava muita atenção em tudo o que os outros diziam. Era daquelas que prestam muita atenção.
Achava curioso, por exemplo, o “pois é”. Volta e meia, quando falava com brasileiros, ouvia o “pois é”. Era uma maneira tipicamente brasileira de não ficar quieto e ao mesmo tempo não dizer nada. Quando não sabia o que dizer, ou sabia, mas tinha preguiça, o brasileiro dizia o “pois é”. Ela não agüentava mais o “pois é”.
Também tinha dificuldade com o”pois sim” e o “pois não”. Uma vez quis saber se podia perguntar uma coisa.
__ Pois não __ disse eu, polidamente.
__ É exatamente isso! O que quer dizer “pois não”?
__ Bom. Você me perguntou se podia fazer uma pergunta. Eu disse “pois não”. Quer dizer: pode, esteja à vontade, estou ouvindo, estou às suas ordens...
__ Em outras palavras, quer dizer “sim”.
__ É
__ Então por que não se diz “pois sim”?
__ Porque “pois sim” quer dizer “não”.
__ O quê??
__ Se você disser alguma coisa que não é verdade, com a qual eu não concordo, ou acho difícil de acreditar, eu digo: “Pois sim”.
__ Que significa “pois não”?
__ Sim. Isto é, não. Porque “pois não” significa “sim”.
__ Por quê?
__ Porque o “pois”, no caso, dá o sentido contrário, entende? Quando se diz”pois não”,  se está dizendo que seria impossível, no caso, dizer “não”. Eu dizer não? Aqui ó!
__ Onde?
__ Nada. Esquece. Já”pois sim” quer dizer “ora sim”! . Ora se eu vou aceitar isso. Ora, não me faça rir. Rá, rá, rá.
__ “Pois” quer dizer “ora”?
__ Ahn... Mais ou menos.
__ Que língua!
Eu quase disse: E vocês, que escrevem “Tough” e dizem “Taf”?, mas me contive. Afinal, as intenções dela eram boas. Queria aprender. Ela insistiu:
__ Seria mais fácil não dizer o “pois”.
Eu já estava com preguiça.
__ Pois é.
__ Não me diz “pois é”!
Mas o que ela não entendia mesmo era o“pá, pá, pá”.
__ Qual o significado exato de “pá, pá, pá”?
__ Como é?
__ “Pá, pá, pa”.
__ “Pá “é “pá”. “Shovel”. Aquele negócio que a gente pega assim e ...
__ “Pá” eu sei o que é. Mas “pá” três vezes?
__ Onde foi que você ouviu isso?
__ É a coisa que eu mais ouço. Quando brasileiro começa a contar história, sempre entra o “pá, pá, pá”.
Como que para ilustrar nossa conversa, chegou-se a nós, providencialmente, outro brasileiro. E um brasileiro com história:
__ Eu estava ali agora mesmo tomando um cafezinho, quando chega o Túlio. Conversa vai, conversa vem e coisa e tal e “pá, pá, pá...”
Eu e a americana nos entreolhamos.
__ Funciona como reticências – sugeri eu. – Significa, na verdade, três pontinhos. “Ponto, ponto, ponto”.
__ Mas por que “pá” e não “pó”, ou “pi”, ou “pu”?
Me controlei para não dizer : “E o problema dos negros nos Estados Unidos?”
Ela continuou:
__ E por que tem que ser três vezes?
__ Por causa do ritmo. “Pá, pá, pá”. Só “pá, pá” não dá.
__ E por que “pá”?
__ Porque sei lá __ disse, didaticamente.
O outro continuava sua história. História de brasileiro não se interrompe facilmente.
__ E aí o Túlio com uma lengalenga que eu vou te contar! Porque pá, pá, pá...
__ É uma expressão utilitária – intervim – Substitui várias palavras (no caso toda a estranha história do Túlio, que levaria muito tempo para contar) por apenas três. È um símbolo de garrulice vazia, que não merece ser reproduzida. São palavras que...
__ Mas não são palavras. São só barulhos...
__ Pois é. __ disse eu.
Ela foi embora com a cabeça cheia. Obviamente desistiria dos brasileiros e de aprender bem o português.

BIBLIOGRAFIA

VERÍSSIMO, Luis Fernando – Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
PIMENTA, Reinaldo – A Casa da Mãe Joana. Rio de Janeiro: Campus, 2002.
TERRA, Ernani – Curso Prático de gramática. São Paulo: Scipione, 1996.
MEPEL DIGITUS & ASSOCIADOS S/C - www.trabalhosprontos.com & www.trabalhosprontos.com.br
BUARQUE DE HOLANDA. Francisco – Perfil – 1995 Globo Polydor.
MEDEIROS, João B. - Redação científica. São Paulo: Atlas,1999.

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