Movimento Occupy Wall Street cria "situação de oposição" entre Franck Miller e Alan Moore

Frank Miller causa polêmica ao fazer declaração sobre o movimento Occupy Wall Street
Por Samir Naliato - 16/11/2011
Fonte: universohq.com


Está acontecendo nos Estados Unidos um movimento chamado Ocuppy Wall Street, originário da crise econômica que atingiu o país e a Europa recentemente. Os manifestantes protestam contra a influência empresarial na sociedade e no governo dos Estados Unidos, e se posicionam também contra a impunidade dos responsáveis e beneficiários da crise financeira mundial.
Wall Street é a rua em que se localiza a Bolsa de Valores de Nova York, e também o coração financeiro norte-americano. O movimento está se espalhando para outros estados e até outros países.
Quem resolveu se pronunciar sobre o assunto foi Frank Miller, um dos principais quadrinhistas americanos, que criou clássicos como Demolidor - A Queda de MurdockBatman - O Cavaleiro das TrevasBatman Ano Um e Sin City.
Quem esperava que Miller apoiasse a manifestação devido ao teor muitas vezes revolucionário e contra o status quo presentes em seus quadrinhos, está enganado. E sua declaração causou polêmica por se posicionar contra o movimento.
"Todos estão sendo muito educados sobre esse absurdo. O movimento pode ser qualquer coisa menos o exercício de nossa abençoada Primeira Emenda. Esses manifestantes são nada mais do que um bando de arruaceiros, ladrões e estupradores, uma multidão incontrolável, alimentados pela nostalgia da Era de Woodstock e falsa justiça. Esses palhaços não farão nada mais do que ferir a América", escreveu o autor em seu blog.
"É uma tentativa desajeitada e mal expressada de anarquia feita por crianças mimadas com seus iPhones e iPads, que deveriam parar de ficar no caminho dos trabalhadores e procurar um emprego. Isso não é um levante popular. É lixo. E Deus sabe que eles estão levando esse lixo - político e filosófico - a todos os lugares que puderem", afirmou.
Miller continua. "Acordem! A América está em guerra contra um inimigo implacável. Talvez vocês já tenham ouvido falar em termos como Al-Qaeda e Islamismo entre sessões de autopiedade e narcisismo de seus mundinhos confortáveis. E esses meus inimigos - aparentemente não o de vocês - devem estar dando risadas e gargalhando do espetáculo infantil e autodestrutivo de vocês. Em nome da decência, vão para casa e voltem para os seus pais, seus perdedores. Voltem para os porões de suas mães e joguem Lords Of Warcraft. Melhor ainda, se inscrevam para algo real, talvez nossos militares possam chicotear vocês até entrar em forma. Mas eles podem não deixar vocês usarem seus iPhones. Idiotas"
A reação à declaração de Miller foi rápida. Centenas de comentários repudiando sua posição foram postadas no blog do autor e em diversos outros sites, desde leitores até outros profissionais da área. Como todo assunto polêmico, outros apoiaram o autor.
Recentemente, Frank Miller publicou a graphic novel Holy Terror, na qual um vigilante decide lutar contra o terrorismo e a Al-Qaeda.
Alan Moore comenta movimento Ocuppy Wall Street
Por Samir Naliato

Depois de Frank Miller dar uma declaração sobre o movimento Ocuppy Wall Street, chegou a vez de outro grande escritor dar sua opinião sobre as manifestações que estão acontecendo nos últimos meses - Alan Moore.
Dentre os clássicos trabalhos de Moore estão WatchmenDo Inferno e V de Vingança. Todas as três obras chegaram a ganhar adaptações cinematográficas, sendo que a última apresentava a história de um misterioso anarquista se rebelando contra um sistema de governo opressor que tomou conta do Reino Unido em uma imaginária realidade distópica no ano de 1997. A graphic novel foi publicada originalmente entre 1982 e 1983.
A máscara estilizada utilizada pelo anarquista em V de Vingança é baseada no rosto do inglês Guy Fawkes, que em 5 de novembro de 1605 tentou explodir o parlamento da Inglaterra e assassinar seus membros, junto com o rei Jaime I. O marcante design, associado ao tema central da graphic novel e a popularização da história depois de estrear nos cinemas, acabou fazendo com que a máscara ganhasse as ruas nos últimos tempos em diferentes manifestações populares ao redor de mundo e até mesmo no Brasil.
"Acho que, enquanto estava escrevendo a história, bem lá no fundo imaginei se não seria legal se aquelas ideias tivessem algum impacto. E quando vejo essa fantasia invadir o mundo real... é peculiar. Parece que esse personagem que criei há 30 anos escapou do reino da ficção", declarou Alan Moore ao jornal The Guardian.
"Aquele sorriso é tão assustador. Tentei usar a natureza enigmática desse sorriso para efeito dramático. Podíamos mostrar uma imagem do personagem apenas parado em pé, silencioso, com uma expressão que podia ser de alegria ou de maneira mais sinistra. Ver máscaras com os manifestantes faz com que eles se pareçam um único organismo, esse tal de 99% de que ouvimos tanto falar. Nesse sentido é formidável, posso ver o motivo de estarem usando a máscara", analisou.

Para o autor, isso transforma os protestos quase que em algo performático. "Parece uma ópera. Cria uma sensação de romance e drama. Quero dizer, as manifestações podem ser muito exigentes e desgastantes, e assim trazer certo desânimo. São coisas que precisam ser feitas, mas isso não significa que são tremendamente prazerosas. Acho apropriado que essa geração de manifestantes tenha transformado sua rebelião em algo que o público em geral possa se envolver com mais facilidade. Elas parecem gostar disso, e assim passam uma mensagem poderosa".

Os diretos sob a máscara pertencem à Time Warner, um dos maiores conglomerados empresariais do mundo. Curiosamente, esse tipo de empresa é um dos principais alvos do movimento Ocuppy Wall Street, o que não deixa de ser irônico para o autor. "É cômico assistir a Time Warner tentando se equilibrar nessa corda bamba. É embaraçoso ser uma empresa que parece estar lucrando com um protesto contra grandes corporações. Não é que eles querem estar associados com o movimento, mas também não querem recusar o dinheiro que está entrando. Isso vai contra o instinto deles", afirmou.
Por fim, Alan Moore também comentou o movimento em si. "No momento, os manifestantes parecem fazer um movimento com clareza moral, protestando contra o estado ridículo causado por nossos bancos, empresas e líderes políticos. Provavelmente, seria melhor se as autoridades aceitassem que esta é uma nova situação, que a história está sendo escrita. História é algo que acontece em ondas, geralmente é melhor seguir a corrente e não nadar contra elas. Espero que os líderes mundiais percebam isso", analisou.
"O último capítulo de V de Vingança se chama Vox Populi. A voz do povo. E acho que, se a máscara significa algo no contexto atual, é isso. É o povo, essa entidade misteriosa que com frequência é evocada", finalizou.

Alan Moore comenta declarações de Frank Miller sobre Ocuppy Wall Street

Por Samir Naliato | 05-12-2011

Primeiro, Frank Miller criticou duramente os manifestantes do Ocuppy Wall Street. Depois, foi a vez de outro consagrado autor de quadrinhos, Alan Moore, comentar o movimento.
Devido à opinião conflitante entre os dois escritores, o site Honest Publishing conseguiu uma entrevista com Moore. Uma das perguntas foi justamente sobre a opinião dele quanto à declaração de Miller.
"Mal vi os trabalhos de Frank Miller nos últimos 20 anos. Achei Sin City tão misógino e 300 de Esparta equivocado e homofóbico. Acho que o trabalho dele tem sido de uma sensibilidade bastante desagradável, há bastante tempo", analisou Alan Moore. "Ouvi falar desses últimos desabafos sobre o movimento e é o que eu esperava dele. Sempre me pareceu que a maior parte da indústria de quadrinhos, politicamente, é de centro-direita. Acho que seria correto dizer que eu e Frank Miller temos visões opostas sobre todo o tipo de coisas e certamente sobre o movimento Ocuppy."
Para o autor, o movimento é feito por pessoas comuns exigindo direitos que sempre deveriam ter sido delas. "Não imagino um motivo de a população ter que ficar parada ao ver uma redução brusca nos padrões de vida, possivelmente por algumas gerações, enquanto as pessoas que causaram isso estão sendo recompensadas. Elas não estão sendo punidas, pois são grandes demais para falhar", explica.
"Acho que o movimento Ocuppy é, de certa maneira, as pessoas dizendo que elas deveriam ser aqueles a decidir quem é grande demais. É um grito de indignação moral completamente justificado e parece estar sendo conduzido de maneira inteligente e não violenta. Essa é, provavelmente, outra razão pela qual Frank Miller não está satisfeito. Tenho certeza que, se fossem um grupo de jovens sociopatas, com a máscara do Batman em seus rostos, ele estaria a favor. Definitivamente, temos que concordar em discordar nesse caso", completou.

Sobre o atual sistema político, Moore também não poupou críticas. Para ele, tudo precisa mudar. "Precisamos rever a maneira que pensamos o dinheiro e a forma sobre quem comanda as coisas. Como um anarquista, acredito que o poder deve ser dado ao povo, pessoas cujas vidas estão sendo afetadas. Não é bom que um grupo de pessoas controle os nossos destinos. O único motivo de eles terem poder é porque controlam a circulação de dinheiro e não possuem autoridade moral".
Na mesma entrevista, Alan Moore falou sobre quadrinhos e livros estarem migrando para o formato digital.
"Tenho uma abordagem bastante arcaica sobre artefatos, gosto de segurá-los nas minhas mãos. Meu contato com tecnologia é muito pouco e a minha casa é cheia de livros. Jamais preferiria tê-los dentro de um Kindle (leitor de e-books da Amazon), porque os livros físicos têm valor como artefatos. Tenho primeiras edições com lindas ilustrações e livros autografados. Isso faz parte da mística dos livros, para mim. Algumas pessoas podem achar que isso não é relevante, mas eu acho que nossa ligação emocional com um objeto faz parte de tudo isso", comparou.
Entretanto, o escritor afirma não ter nada contra o formato digital, apesar de não achar que os livros físicos estejam à beira da extinção por causa dos novos produtos tecnológicos.

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