Veículo ecologicamente correto


A Cemig apresentou, no dia 25 de março de 2009, quatro veículos movidos exclusivamente por energia elétrica que estão sendo utilizados em caráter experimental na frota da Empresa. O objetivo é avaliar o desempenho operacional dos veículos e seu impacto no sistema de distribuição de energia elétrica. Trata-se de uma parceria com as empresas Itaipu Binacional, Fiat Automóveis e a suíça KWO - Kraftwerke Oberhasli AG, visando a introdução e o aperfeiçoamento dos veículos elétricos no mercado brasileiro.

Os recursos investidos pela Cemig somam R$ 850 mil, correspondentes à aquisição dos carros, ao treinamento de equipe, às despesas operacionais e à estruturação de postos de abastecimento nas unidades da Empresa. A parceria, que teve início no ano passado, terá vigência de 20 meses, período no qual a Cemig utilizará os veículos em seus trabalhos, a fim de estudar as potencialidades e possibilidades de melhorias. Os protótipos estão sendo avaliados por uma equipe técnica da Cemig quanto ao desempenho e robustez.
Essa tecnologia cria um novo mercado para as distribuidoras de energia. Além disso, no futuro, a energia armazenada nos veículos, através das baterias, passa a ser uma garantia de energia para sobredemandas do sistema elétrico (demanda no horário de ponta por exemplo). Por outro lado, os usuários dos veículos elétricos podem ser beneficiados pelo suprimento de uma energia barata quando houver sobreoferta de energia no sistema elétrico.
A longo prazo, o projeto do veículo elétrico poderá gerar novos negócios para a Cemig por meio da nacionalização de componentes e de inovações tecnológicas, além de direitos de propriedade intelectual como novas patentes, modelos de utilidade e desenho industrial.

O Diferencial

Os veículos elétricos são silenciosos e não emitem poluentes. Utilizam energia elétrica a custo inferior ao do combustível fóssil tradicionalmente utilizado no transporte veicular. O motor elétrico demanda menos manutenção, é mais econômico e possui maior rendimento em relação ao motor a combustão interna. Enquanto esses motores tradicionais têm rendimento da ordem de 18%, os motores elétricos chegam a 95%. O engenheiro de normalização e tecnologia Virgílio Almeida Medeiros, da Cemig, explica que em termos de custo, rodar 100km em um veículo a gasolina ou a álcool fica em torno de R$ 30, enquanto no carro elétrico a mesma distância custa R$ 10.
A frota da Cemig utiliza veículos montados na plataforma mecânica do Palio Weekend, escolhido pela versatilidade e espaço interno e por sua capacidade de atender às necessidades de transporte na Cemig em pequenos trajetos na área urbana de Belo Horizonte. As suspensões foram recalibradas em função da nova distribuição de massa e da alteração do centro de gravidade do veículo, depois que foram retirados o motor mecânico convencional, o tanque de combustível e o sistema de escapamento. Os sistemas de direção, freio e comandos periféricos foram mantidos.
O conjunto de energia e tração é constituído pela bateria, que pesa 165 kg e fica localizada no porta-malas e na parte dianteira, e pelo motor de indução trifásico de 15 kW, que pesa 41,5 kg . É refrigerado a água, sendo acoplado diretamente ao eixo de rodas, o que aumenta ainda mais seu rendimento. O veículo foi homologado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).
Para Virgílio Almeida Medeiros, além de ser favorável ao meio ambiente, o baixo ruído apresentado pelo carro confere maior concentração no trânsito e melhora a dirigibilidade. “O silêncio proporcionado pelo carro pode transformar o trânsito das grandes cidades”, afirma o engenheiro.
A engenheira Ana Paula Santos Lelis, da Cemig, uma das pessoas que fizeram o test drive, afirma que a experiência foi diferente, mas rapidamente adaptável. “No começo é estranho o silêncio do carro e o fato de não ter que usar o câmbio, mas em poucos minutos acostuma – assim como o novo modo de dirigir”, afirma.
Um sistema eletrônico monitora todo o funcionamento do veiculo e permite a utilização de parâmetros para otimização do desempenho e economia de energia, no uso tanto em locais planos, quanto em locais acidentados. Esse sistema permite controlar 15 alarmes de configuração, 15 entradas e 8 saídas lógicas e 168 parâmetros ajustáveis e a visualizar 31 diferentes medições no painel.

Recarga

A bateria do tipo Zebra (sigla em inglês para Zero Emission Battery Research Activity) é controlada por microprocessadores e é reciclável, além de poder ser recarregada mais de 1,5 mil vezes. Funciona a base de cloreto de sódio e sal de níquel, materiais abundantes na natureza e não poluentes. Não vicia e é capaz de armazenar 20 kWh. Em uma rede elétrica trifásica de 220 V, a bateria é recarregada totalmente em cerca de oito horas, propiciando ao veículo uma autonomia de 120 quilômetros.

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