domingo, 13 de janeiro de 2013

Tirar arma de cidadão de bem não diminui violência no Brasil

Governo federal insiste em campanhas para desarmar a população. Valor de indenização, que era de 100 a 300 reais, passa para 200 a 450 reais, de acordo com o tipo de armamento

Desde 2005, quando foi derrotado nas urnas no referendo do de­sarmamento, o governo não desistiu da tentativa de diminuir ao máximo o número de armas de fogo nas mãos da população civil. Em novembro do ano passado, num ensaio de incentivar mais cidadãos a entregarem suas armas, agora todo cidadão que aderir à Campanha Nacional de Desar­mamento vai receber novos valores de indenização entre 200 a 450 reais de acordo com o tipo e calibre do armamento. Antes, os valores variavam de 100 a 300 reais.

Desde 2004, já foram entregues mais de 600 mil armas de fogo. Em 2012, o número ultrapassa 63 mil. Foram pagos em indenização mais de R$ 5 milhões. O Estatuto do Desarmamento — Lei nº 10.826 — entrou em vigor em 2003 e regulamenta o registro, a posse, o porte e a comercialização de armas de fogo e de munição no Brasil. Com o estatuto, o país passou a ter critérios mais rigorosos para o controle de armas de fogo. A lei tornou mais difícil o acesso ao porte de arma e tenta estimular a população a se desarmar.

Foi o estatuto que instituiu as campanhas de desarmamento. A norma também readequou a legislação para punir mais efetivamente o comércio ilegal e o tráfico internacional de armas de fogo. Qualquer cidadão que queira entregar uma arma deve agora se dirigir a uma delegacia da Polícia Federal (PF). Mas, será essa a melhor saída para diminuir a violência no Brasil, país com taxas de homicídios superiores a 50 mil, acima, até mesmo de zonas declaradamente em guerra? Desarmar a população, deixando-a vulnerável, traria mais tranquilidade à sociedade? Essas premissas passam a ideia de que os cidadãos de bem são os responsáveis pelos morticínios alarmantes no Brasil.

Para essas e outras indagações acerca do tema, o advogado paulista Benedito Barbosa — mais conhecido como Bene Barbosa —, presidente da ONG Movimento Viva Brasil, tem respostas que contradizem a política governamental de desarmamento. De acordo com ele, a ineficácia do governo em proteger o cidadão levou ao crescimento do número de projetos relacionados ao estatuto. Ou seja, se o Estado reconhece a sua inoperância em deter o crescimento da violência urbana e no campo, o cidadão brasileiro que leva uma vida íntegra, longe do mundo do crime, é penalizado em detrimento dos criminosos que, em sua maioria, portam armamentos de calibre pesado, às vezes superior ao arsenal das polícias.

A entidade que Bene Barbosa preside defende os direitos “à legítima defesa” e se posiciona firmemente contra o desarmamento. A entidade civil sem fins lucrativos defende a tese de que a campanha não age no verdadeiro foco do problema, que é o abastecimento de criminosos com armas e munições, mas joga sobre o cidadão honesto a responsabilidade que não lhe cabe. Desta forma, não contribui em nada para a redução da criminalidade, e nem traz mais segurança para a população, pelo contrário.

O advogado explica que o governo também se equivoca ao negar o direito ao uso de armas de fogo a algumas categorias. “É inegável a necessidade de concessão de porte, como os oficiais de Justiça, guardas portuários, agentes penitenciários e de trânsito, que sofrem agressões e são vítimas de homicídio com frequência”, explica. Até mesmo dentro das polícias há restrição de porte de armas. Os oficiais das Polícias Militares estaduais e distrital, por exemplo, não podem portar pistolas calibre 9 mm como seus pares das Forças Armadas.

Só agora, após um lapso de bom senso perante os desafios hercúleos que a segurança pública no Brasil impõe, o governo liberou o uso de armas calibre .357 Magnum ou .45 ACP, antes impedidas de uso pelos policiais rodoviários e ferroviários federais, policiais civis e militares e bombeiros militares dos Estados e do Distrito Federal. A autorização foi dada por meio de portaria assinada pelo comandante do Exército Brasileiro, General Enzo Martins Peri — antes da publicação da portaria, o policial militar era limitado ao calibre .40. 

Ao considerar que a estimativa hoje no Brasil é de que haja 16 milhões de armas em circulação, nota-se que a Campanha Nacional de Desarmamento revelou-se um fiasco. Pior: não mudará de fato as estatísticas da criminalidade. Isso levando em consideração que a maior parte das armas entregues voluntariamente à polícia estava nas mãos de cidadãos sem vínculo com a atividade criminosa. A própria estatística do Ministério da Justiça demonstra que o problema não são as armas legais, e sim aquelas irregulares sem registros e de uso restrito que é contrabandeada de outros países, principalmente Pa­raguai e Bolívia.

Estima-se que atualmente haja pelo menos 8 milhões de armas ilegais no Brasil e que estariam em posse de criminosos.

Dificilmente, tal arsenal seria entregue de forma voluntária à polícia. Nesta lógica, essas seriam as responsáveis por mais de 35 mil mortes causadas anualmente por armas de fogo e não as que estariam sob domínio da população de bem. De acordo com um estudo recente da ONU (Glo­bal Study On Homicide), não há como se estabelecer cientificamente uma relação entre a quantidade de armas em circulação e o número de homicídio. Segundo o estudo, nos países onde há mais armas legais em circulação, menores são os índices de homicídio.

O Brasil, por exemplo, com números irrelevantes de armas de fogo em poder dos civis, é o país de maior incidência de homicídios no mundo, numa proporção de 40,9 a cada 100 mil habitantes a­nualmente. Em paradoxal situação, os países que apresentam as menores taxas de assassinatos causados por armas de fogo estão entre os mais armados do mundo, como a Suíça, Noruega, Finlândia, Canadá, França, Alemanha, Áustria e Nova Zelândia. Nota-se também que esses países apresentam elevados indicadores sociais e econômicos, com instituições fortes e respeitadas.

Passados sete anos do referendo que disse não à proibição de vendas de armas de fogo no Brasil, a vontade popular ainda é contrária às restrições impostas pelo governo. Mesmo nos órgãos que fazem campanha ao desarmamento, a população se mostra antipática à política proibitiva. Na própria página no Fa­cebook da Campanha Nacional de Desarmamento, há uma enquete em que os internautas votaram contrários à ideia de desarmar a população de bem. De acordo com Bene Barbosa, a percepção do direito de possuir uma arma de fogo para legítima defesa acabou aumentando ainda mais entre os brasileiros, principalmente devido à sensação de insegurança em que vive o país.

Atualmente, há uma nova campanha na mídia. Como sempre oriunda do Ministério da Justiça. Entretanto, o que se constata, segundo o advogado e líder da ONG Viva Brasil, é que tais medidas não ajudam a diminuir a violência. “O que se verifica é que eles mudam o mote da campanha, que é velha. Por­tanto não há nenhuma eficácia no combate a violência. Pelo contrário, isso traz uma simbologia ruim, que é a da rendição. Quando o cidadão honesto entrega sua arma, o bandido vê nisso uma sujeição. Mostra que a sociedade está rendida aos criminosos, que vêm se tornando cada vez mais ousados.”

Diferente dos criminosos que compram qualquer tipo de arma no mercado negro, o cidadão que quiser possuir uma arma por meios legais enfrentará um demorado e burocrático processo. Primeiramente, é necessário dirigir-se a uma unidade da Polícia Federal munido de cópias autenticadas de documentos pessoais. Provar por meio de certidão nenhum antecedente criminal e não estar respondendo a inquérito policial ou a processo criminal. Além disso, é preciso passar por exames técnicos por instrutores credenciados além de laudos psicológicos.

A exigência é tão rigorosa e os trâmites são tão dispendiosos e demorados que também é uma forma encontrada pelo governo para desestimular a aquisição de armas no país. Ao incentivar que a população abaixe suas armas, a polícia vem notando que os criminosos não estão conhecendo limites. Nos assaltos verificados em Goiânia, nota-se uma imensa tranquilidade dos assaltantes, principalmente nos roubos de veículos. Nem mesmo autoridades estão imunes ao perigo. Em outubro do ano passado, o segurança — um sargento da Polícia Militar — do deputado Luiz Carlos do Carmo (PMDB) reagiu a uma tentativa de assalto, matando o criminoso que tentava roubar a caminhonete do parlamentar.

Na ação, o bandido estava tão tranquilo que deu as costas ao adentrar o veículo, abrindo brecha para reação bem sucedida do militar. O mesmo deputado, meses antes, teve uma filha assassinada no Setor No­va Suíça, em Goiânia. Também numa tentativa de assalto, a advogada Michelle Muniz do Carmo foi rendida por dois indivíduos que tentavam roubar o seu carro, um Honda Civic. A vítima reagiu e acabou sendo morta. Horas depois os criminosos foram presos pela Polícia Civil.

Bene Barbosa argumenta que as campanhas do desarmamento in­centivam a prática de crimes violentos. “Hoje o criminoso age na certeza de que não encontrará nenhum tipo de reação. Não só pelo estatuto do desarmamento, mas por essas campanhas que pedem para não reagir. Daí há justificativas para os criminosos agirem tranquilamente.”

Desinformação

Recentemente o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), declarou em Maceió que o número de assassinatos em Alagoas estava caindo para padrões suíços. A comparação demonstra desinformação por parte da principal autoridade do governo federal na área de segurança. A Suíça faz parte do grupo de países em que a população apresenta alto índice de posse de armas de fogo. Mais: no país europeu todo cidadão é um soldado. O sistema de exército de milícias permite aos suíços que estão em período de serviço militar o poder de levar para casa o próprio fuzil de assalto. Os oficiais têm a permissão de armazenar na própria residência munições e demais tipos de armamentos. Portanto comparar a Federação Helvética com o Estado de Alagoas do alto nível de criminalidade e homicídios é descabido.

Além disso, numa prova de que o ministro está totalmente equivocado, Alagoas tem o maior índice de homicídios do País.

Para o Viva Brasil, essas cam­panhas de desarmamento organizadas pelo governo federal são fundamentadas em ques­tões subjetivas, pois manipulam números e visam so­mente ao convencimento do cidadão honesto em abrir mão de um direito individual garantido por lei. O Mapa da Vio­lência 2011, divulgado pelo governo federal deixou claro que a relação entre a quantidade de armas em circulação e a de assassinatos é imprópria, pois a região do país campeã em tais crimes é a mesma onde há menos armas: o Nordeste.

Outro agravante causado pelo estatuto do desarmamento é a vulnerabilidade das propriedades rurais em todo Brasil. Em particular em Goiás e nos ou­tros Estados do Centro-Oes­te, a questão vem preocupando as autoridades policiais. Em entrevista ao Jornal Op­ção, em dezembro do ano passado, o comandante da Polícia Militar, coronel Edson Araújo, admitiu que os cidadãos da zona rural estão totalmente desprotegidos. “Hoje o cidadão de bem foi desarmado. E quem a polícia prende armado ilegalmente e que sabemos que está se preparando para cometer um crime, vai à delegacia, paga uma fiança e é solto.”

Para contornar tal situação de insegurança no meio rural, a Polícia Militar goiana está reforçando o efetivo das unidades de patrulhas rurais e dotando-as com viaturas de tração 4x4 e equipadas com GPS. Entretanto, mesmo com o re­forço policial é humanamente impossível a polícia ostensiva atender de forma rápida todas as diligências na zona rural. Há um extenso número de fazendas e chácaras localizadas em regiões longínquas do Estado, vulneráveis a todo tipo de ameaça criminosa. O ideal seria armar o produtor rural e dar-lhe a mínima condição de se defender da disseminada violência no campo.

Outro problema que o estatuto do desarmamento vem implicando é o enfraquecimento e a estigmatização das organizações de praticantes do tiro prático esportivo. Há um projeto de lei, de autoria do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), tramitando no Congresso Na­ci­o­nal, que prevê a proibição da prática do tiro esportivo para menores de 18 anos. Bene Barbosa, que também é adepto do esporte, classifica o projeto de lei como absurdo, pois a prática esportiva no Brasil tem toda uma história e disciplina, sendo dela a primeira medalha de ouro conquistada pelo país em jogos olímpicos. “Não há notícia de nenhum incidente com clubes de tiros. É um completo absurdo ainda mais para um país que receberá os Jogos Olímpicos.” 

Matança em Newtown e a disparada da venda de fuzis

Após mais uma tragédia nos Estados Unidos, com o assassino descontrolado abrindo fogo contra crianças na escola primária de Sandy Hook, na pacata New­town, em Connecticut, no dia 14 de dezembro, volta à tona a discussão sobre o controle de ar­mas naquele país e, por tabela, também no Brasil. Por lá, desta vez coube ao governador do Estado de Nova York puxar o coro por mais restrições ao acesso às armas. Por aqui também o governo aproveitou a deixa para endurecer as políticas restritivas ao acesso de armas.

Diante da possibilidade de uma lei por parte do governo americano que limite a posse de armas de grosso calibre — como fuzis —, as vendas desse tipo de armamento dispararam nos Estados Unidos. O campeão de vendas é o AR-15, fuzil semiautomático projetado em 1957 para o exército estadunidense, que foi largamente empregado no Vietnam. É a versão “civil” do M-16, o fuzil mais usado pelas tropas norte-americanas. E ao mesmo tempo em milhões de residências no país da América do Norte. No Brasil a arma é conhecida por ser a preferida dos traficantes dos morros cariocas. As Polícias Civis e Militares de vários Estados brasileiros também fazem seu uso.

O AR-15 foi a arma usada por Adam Lanza para executar 26 pessoas, entre elas 20 crianças, em Newtown. A discussão em decorrência do fato trágico, no entanto, é duramente criticada pelo ONG Movimento Viva Brasil. Seu presidente, Bene Barbosa, afirma que é impossível legislar sobre a loucura, parafraseando o primeiro-mi­nistro britânico, David Came­ron, quando ocorreu fato parecido no Reino Unido. “Uma lei mais dura nos EUA não impediria um lunático de fazer o que fez. O que se discute nos EUA é o fim das chamadas gun-free zones, que são locais onde ninguém poder entrar armado, e as escolas são esses locais. Há possibilidade quase certa que professores e diretores poderão portar armas dentro de suas instituições para se proteger de ataques.”

Fonte: Jornal Opção - Edição 1957 de 6 a 12 de janeiro de 2013
Matéria enviada por: SÍLVIO SALUSTIANO DOS SANTOS

Agentes penitenciários contestam veto ao porte de arma e podem deflagrar greve nacional


O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Rio Grande do Norte lamenta e contesta a decisão da presidenta Dilma Rousseff em vetar o Projeto de Lei que concedia porte de arma em tempo integral para a categoria. De acordo com o Sindasp-RN, o porte de arma é uma ferramenta de segurança para aqueles que atuam em uma das profissões mais perigosas em todo o mundo.

Devido ao veto, sindicatos de todo o Brasil, atendendo a convocação da Federação Sindical dos Servidores Penitenciários do Brasil (FENASPEN), podem deflagrar greve geral, pois na próxima segunda-feira (14) estarão em assembleia em Brasília. Caso decidam pela greve, a paralisação será no Sistema Estadual e Federal.

“A gente sabe o quanto os agentes penitenciários lidam com pressão dentro dos presídios e muitos deles são ameaçados constantemente. Por isso, houve uma grande mobilização nacional, com reuniões e cobranças no Congresso para elaboração desse Projeto de Lei. Porém, lamentamos que a presidenta Dilma tenha vetado”, destaca Vilma Batista, presidente do Sindasp-RN.

Apesar do veto, hoje, os agentes penitenciários ainda podem solicitar porte de arma em tempo integral pelo risco da profissão, porém, precisam pagar por isso. “O sistema prisional brasileiro é altamente defasado e não oferece condições dignas de trabalho para os agentes. Além disso, sabemos que facilmente os presos mantém contato com o mundo externo, podendo, a qualquer momento, planejar e ordenar atentados contra a vida de agentes penitenciários ou seus familiares”.

Por esses motivos, os agentes acreditam que o porte de arma em tempo integral deveria ser visto como uma questão de segurança desses profissionais. “Atualmente, bandidos matam até no trânsito com faca de pão. Agentes estão sendo mortos, com casos de olhos arrancados, e a Presidente Dilma nos tira mais uma chance de defesa. Mas, assim como derrubamos na Câmara dos Deputados e no Senado, vamos derrubar esse veto covarde também”, completa Vilma Batista. 
 
A presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Rio Grande do Norte comenta ainda: “Lamentamos como o esforço é apenas para desarmar os trabalhadores de bem, pois nada de concreto foi feito para desarmar os criminosos. Pedimos que a presidenta Dilma mostre a força de sua caneta para combater o crime e não contra trabalhadores massacrados”. Ela cita também que a categoria conta com apoios importantes, como o da deputada federal Fátima Bezerra. A parlamentar, inclusive, conversou com a direção do Sindasp-RN e se colocou a disposição ajudar na reversão desse veto e na aprovação do projeto.

Matéria enviada por: Renan Canuto - UFRRJ

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ennio Morricone - Temas clássicos dos filmes de Western

Excelente! Fantástica apresentação de um grande sucesso do western, enviada por Francisco Ferraz.

Ecstasy of Gold (The Good, the Bad, the Ugly)


Abaixo algumas cenas do filme: "Era uma vez no oeste (once upon a time in the west)"


Para mim, este sim, foi um dos melhores, senão o melhor, dos filmes de western. A música é sensacional! "Por um punhado de dólares"


Por fim, "Um gringo gosta de mim (One gringo like me)"

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Após massacre, parlamentares dos EUA discutem controle de armas

Fonte: Reuters

WASHINGTON, 17 Dez (Reuters) - Um crescente número de parlamentares dos Estados Unidos, inclusive um influente senador pró-armas, saiu nesta segunda-feira em defesa de restrições a armas de assalto, como a que foi usada no massacre da semana passada em uma escola de Connecticut.

Num possível sinal de mudança das atitudes com relação ao controle armamentista, o senador conservador Joe Manchin, um democrata sempre elogiado pela indústria armamentista, disse que o Congresso e as empresas do setor deveriam se unir numa "abordagem sensível e razoável" para coibir a circulação de rifles como o que foi usado na sexta-feira na morte de 20 crianças e seis adultos na escola primária Sandy Hook, na cidade de Newtown.

Caçador e membro da Associação Nacional do Rifle (ANR), Manchin disse que a disponibilidade de armas de alto poder de fogo não faz sentido e defendeu que a entidade pró-armas coopere numa reforma das leis sobre esse tema.

As armas de assalto passaram dez anos banidas no país, até 2004, quando a medida expirou.

"Precisamos nos sentar. Peço a todos os meus amigos da ANR, e sou um membro orgulhoso da ANR, e sempre fui, que precisamos nos sentar e avançar esse diálogo para uma abordagem sensível e razoável para consertá-la", disse ele ao canal MSNBC.

"Nunca antes vimos nossos bebês serem abatidos. Isso nunca aconteceu antes na América, que eu possa me lembrar, jamais vimos esse tipo de carnificina", disse Manchin, que já chegou a aparecer em uma propaganda eleitoral disparando um rifle contra uma lei ambiental.

A ANR, que dá sua nota máxima a Manchin e o apoiou nas suas duas candidaturas ao Senado, usou sua influência para impedir limitações às vendas de armas e também conseguiu abrandar as restrições à circulação de armas de combate de alto poder de fogo destinadas ao uso militar.

Os parlamentares republicanos, que tradicionalmente defendem a liberdade de portar armas, pouco se pronunciaram desde o massacre. Durante o fim de semana, houve relatos de um aumento nas vendas de armas por parte de compradores preocupados com a adoção de restrições.

O apresentador de TV David Gregory disse no domingo que seu programa convidou todos os 31 senadores "pró-armas", mas que todos rejeitaram o convite.

Líderes parlamentares republicanos não responderam nesta segunda-feira a pedidos para comentar o assunto.

(Reportagem de Patricia Zengerle, Susan Heavey e Thomas Ferraro)

domingo, 2 de dezembro de 2012

Yamaha Super Tenere vs BMW GS vs Multistrada vs KTM 990

Quem pensa em ir para o exterior em um feriado para fazer moto aventura deve considerar as estradas, clima e pessoas do Reino Unido, o que mais pode ser tão bom? Essas motos de aventura fizeram a cada caminho da viagem de dois dias -640 milhas - para os Scottish Borders uma verdadeira explosão. Assista ao vídeo para ver se a nova Yamaha Super Ténéré tem o que é preciso para colocá-lo na classe competitiva de moto aventura.

'Vocês não imaginam o que é a burrice do serviço público', dizJosé Mariano Beltrame

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o secretário fala de PCC, UPP e dos 6 anos à frente da Segurança do Rio.
Matéria disponibilizada dia 02 de dezembro de 2012
Por: Marcelo Beraba, Márcia Vieira, Marcelo Gomes / RIO - O Estado de S.Paulo

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, continua insatisfeito com o ritmo dos programas sociais e serviços públicos nas favelas das 28 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O balanço que faz dos quatro anos do programa - iniciado em dezembro de 2008 com a ocupação da Favela Dona Marta, na zona sul - é positivo, mas carregado de críticas e autocríticas. Ele reconhece que a prefeitura vem trabalhando, mas muito lentamente.

Beltrame não vê semelhanças entre a criminalidade no Rio e em São Paulo. As facções criminosas do Rio não têm a organização que ele percebeu no Primeiro Comando da Capital (PCC) nos tempos em que, como policial federal, investigou o grupo.

O secretário chama a atenção para um problema que parece fora de controle em várias cidades brasileiras: o crack. E diz não ter dúvidas de que a internação compulsória dos dependentes é necessária.

Gaúcho de Santa Maria, quando terminar o governo Sérgio Cabral vai continuar no Rio, onde casou e nasceu seu terceiro filho. Mas quer descansar do serviço público. Aos 55 anos - seis à frente da secretaria-, cogita experimentar a iniciativa privada. "Vocês não imaginam o que é a burrice do serviço público."

Na quarta-feira, ele conversou com o Estado em seu gabinete. No dia seguinte, deixou-se fotografar no Morro da Providência, primeira favela do Rio e em grande transformação desde que ganhou UPP.

O senhor vem batendo na tecla da velocidade diferente entre implantação das partes policial e social nas favelas pacificadas. O que está faltando?
Não é um problema fácil de resolver. As instituições me dizem que estão fazendo. Sei que eles têm de atender a cidade inteira. Mas onde se fez UPP tinha de ser prioridade. Porque você mostra ao morador que é melhor estar do lado do Estado que do traficante.

A 1ª UPP está completando quatro anos. Ainda é muito lenta a contrapartida da prefeitura?
Não tenha dúvida. A gente está entregando outra cidade para a cidade. Aquilo ali só existia para ir lá pedir voto e entregar cesta básica. Agora têm de ir lá fazer outras coisas.

Essa lentidão na prestação de serviços públicos é igual em todas as comunidades?
Mais ou menos em todas. Teve uma participação grande da prefeitura no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. Não sei se pelo impacto na mídia. Eles estão fazendo, mas é muito lento. A figura do comandante (da UPP) passou a ser a figura do prefeito. E eu não quero isso. O morador fala para ele de lixo, água, som alto. E não é papel dele. O papel dele é a garantia da paz e liberdade de ir e vir das pessoas.

A meta segue sendo 40 UPPs até 2014?
Vai dar para fazer um pouquinho mais. A gente agora vai pegar a Avenida Brasil (principal eixo do centro à zona oeste) e ir até Campo Grande. Tenho de fazer (Vila) Kennedy, Dezoito, Lagartixa, Vila Vintém.

Moradores da Baixada reclamam da migração de bandidos de favelas com UPPs. Como o senhor vê isso?
A gente sabe. Também vamos chegar à Baixada. As pessoas perguntam: "E aí secretário? O que vai fazer?". O que vou fazer - e entendo que seja perene - é a ocupação. Precisamos nos preparar (para novas ocupações). Tem migração? Tem, mas não é significativa. Consequentemente, o impacto na criminalidade não é significativo. Mas por que ocorre (sensação de insegurança)? Na minha concepção, porque PM e Polícia Civil não estão trabalhando bem. Falta supervisão, leitura de mancha criminal, estudar melhor a colocação do policiamento

O tipo de facção que existe no Rio é mais fácil de combater que o PCC?
Primeiro, eu tenho problema de sobra aqui no Rio para falar de São Paulo. Do Rio, dá para eu falar. Aqui temos três facções criminosas, que não têm boa organização. O que de certa forma permite algumas ações com bons resultados da polícia. Eu sempre disse que o crime organizado no Rio não está no tráfico de drogas e armas. Está na milícia e no crime financeiro. Não temos aqui algo cartelizado, como no sistema mexicano, em que as pessoas sentam, conversam e usam territórios. O que eu sei do PCC é da época em que trabalhei em Porto Alegre, quando eles tentaram assaltar uma agência do Banco do Brasil. Eram muito organizados. Hoje não sei como está. Porque o que tem aqui já toma o meu tempo, né?

Mas há sinais do PCC no Rio?
Em documentos de inteligência tem isso, mas não como alguma coisa substanciosa.

Salvador, Florianópolis e São Paulo têm vivido situação conturbada. O senhor vê conexão com o Rio?
Não. Para mim, são ações diferentes. Florianópolis entrou na oportunidade. Em São Paulo, tenho certeza de que eles sabem direitinho o que vão fazer. A polícia é bem estruturada. São Paulo não tem os problemas de infraestrutura da polícia que nós temos. Aqui temos de pegar o dinheiro, investir em infraestrutura e ainda desenvolver a polícia.

E o crack?
É um problema em que a União tem de entrar de cabeça. As pessoas não têm a dimensão do que significa. A Prefeitura do Rio vem fazendo um trabalho muito bom.

Quando o senhor chegou ao Rio já tinha muito crack?
Não dessa maneira. Mas passaram a vender droga casada. Você quer 5 quilos de cocaína, tem de levar 1 quilo de crack. Ele passou a ser consumido na favela. O viciado em crack é totalmente diferente do viciado em cocaína e maconha, que vai a Ipanema, cheira, depois vai dormir, tomar banho, beber copo de leite... O viciado em crack na quarta vez (que consome) não vai mais embora, já fica perto da boca. Por isso se vê uma legião - não gosto do nome - de cracudo. Mas não se vê legião de cheirador de cocaína nem de maconheiro. Isso já está de Norte a Sul. E vamos ter legiões de pessoas em alto nível de dependência. Essas pessoas em determinados lugares convivem com ratos, baratas. Não é questão de ser maior ou menor (de idade). É questão de direitos humanos e de cidadania.

O que cabe à polícia nesse caso?
À polícia cabe combater o fornecedor.

O senhor é a favor da internação compulsória de adultos?
Sou. Porque temos um preceito de cidadania, de direitos humanos, maior do que uma lei. A Constituição diz que é um direito do cara viver uma vida saudável.

O que aconteceu em São Paulo nessas últimas semanas é semelhante ao ocorreu no Rio há quatro, cinco anos?
É um pouco diferente. O Rio é muito peculiar. A história da segurança no Rio não é boa. Diria que não tem nada no mundo como o Rio. A topografia, a questão das pessoas segregadas economicamente. Onde é que tem armas longas no Brasil (como no Rio)? Não tem. Enquanto a gente tiver rédea, a gente vai. É importante prender, mas tem de tirar o poder que essa pessoa tinha financeira e territorialmente. O poder territorial acabou. E o poder financeiro? As pessoas cobram isso. Mas os traficantes não têm dinheiro no banco. Você não pega como pegou esse pessoal do mensalão. Vou pedir ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) a conta do FB (bandido que dominava a Vila Cruzeiro)? Não vai achar (risos). Esses caras usam mala, saco de dinheiro.

O senhor já transferiu seu título de eleitor para o Rio?
Está dormindo em Santa Maria (RS), em berço esplêndido (risos). Tá mofadinho. Deixa quieto lá.

Mas dá tempo ainda de transferir para o Rio e se candidatar na eleição para governador em 2014.
Tempo, tem. Deixa ele lá.

A pressão é muito grande para o senhor se candidatar...
É boa a pressão. Mas não dá, não é para mim. Sem condições.

Já que o senhor não quer se candidatar, o que pretende fazer?
Não sei. Tenho curiosidade de tentar algo na iniciativa privada. O serviço público é uma coisa que cansa tanto! Vocês não imaginam o que é a burrice, a burocracia do serviço público. E essa questão de a gente ser vigiado. Não que a gente não tenha de ser. Mas eu preferiria prestar contas semanalmente a um tribunal a ficar respondendo "por que essa mesa tem de ser marrom?", achando que todo mundo é ladrão e o menor preço é a melhor coisa da face da Terra. Eu tinha vontade de fazer alguma coisa onde o que a gente pensa pudesse se realizar na prática de uma maneira mais rápida. Existe isso? Ano que vem, vou fazer o curso para classe especial de delegado da PF, depois me aposento. Aí vou cuidar da vida.

O senhor continuaria na Secretaria de Segurança caso o governador Sérgio Cabral (PMDB) faça de seu vice, Luiz Fernando Pezão, sucessor?
Acho que todos nós temos um prazo de validade.