quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Comparativo apresentado no Yahoo: Yamaha XT 660R ou XT 660Z?

O pessoal da WebMotors testou as duas. Veja o que oferecem de melhor na opinião do site.

Texto: André Jordão/Agência InfoMoto

Fotos: Doni Castilho/Agência InfoMoto


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sábado, 26 de novembro de 2011

Transformação de técnico em gestor é grande desafio

Laura Knapp 
Valor Econômico - 25/11/2011

São Paulo - Que a administração pública brasileira precisa ser modernizada, ninguém duvida - os próprios governos já se deram conta disso. Mudanças na economia e na própria sociedade transformaram o sistema que rege o funcionalismo no país, refinado burocraticamente nos últimos 60 ou 70 anos, obsoleto em alguns aspectos. O próprio modo como a carreira de funcionário público funciona mostra isso. Se há exames cada vez mais concorridos para uma vaga vitalícia, o incentivo para se aperfeiçoar na carreira desaparece com o tempo, resultado da própria estabilidade.

Esse é um dos grandes gargalos que as administrações públicas precisam enfrentar: como incentivar seus funcionários e treiná-los para assumir novas funções. E como preparar pessoas treinadas como técnicos a agir como gerentes ou diretores. "Técnicos viraram gestores na prática. Não estavam preparados, não tinham obrigação para isso", diz Paulo Vicente, professor de estratégia da Fundação Dom Cabral (FDC).

"Existem pessoas muito preparadas na área pública quanto ao conhecimento técnico, mas ainda temos um gargalo com relação ao conhecimento gerencial", afirma a consultora Mirza Quintão Utsch, do INDG (Instituto Nacional de Desenvolvimento da Gestão). "Mas esse cenário tem avançado. Percebemos que servidores têm buscado aprimorar a gestão".

Como nem todo técnico domina questões administrativas ou gerenciais, esses cargos são comumente preenchidos por cargos comissionados, trazidos de fora da máquina pública.

Se de um lado isso traz velocidade para resolver questões imediatas de gestão, por outro traz problemas de continuidade, pois os funcionários comissionados são substituídos quando seus chefes saem dos cargos. Mas já existem iniciativas em alguns lugares, principalmente nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Bahia, onde servidores públicos vêm sendo treinados para assumir posições gerenciais. "Solução existe", afirma Nelson Marconi, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo. O Rio, afirma, está em um grande processo de planejamento da força de trabalho, fazendo um levantamento de todos os órgãos públicos, o que fazem, quem são os funcionários, de que precisam. Minas Gerais deve seguir o mesmo caminho.

Outra questão que os governos precisam enfrentar é como montar um sistema de incentivos para os funcionários. Novamente um dos obstáculos é o volume de recursos necessários para isso, além da legislação. "A formação é custosa, demorada, e às vezes só há resultado efetivo um governo depois", aponta Vicente, da FDC.

São Paulo está entre os Estados citados por consultores como um dos mais avançados nos esforços de modernização de sua máquina pública. Nesse sentido, há vários projetos em andamento para avançar na profissionalização, segundo a secretária estadual de gestão pública, Cibele Franzese. Um deles é a cerificação ocupacional, quando vários profissionais que querem disputar cargos de diretoria passam por uma certificação. A ideia é reduzir a nomeação de pessoas comissionadas. O programa está sendo ampliado e foi implantado em áreas como educação, saúde, diretoria de hospitais, centros médicos e ambulatoriais.

O governo paulista também trabalha na melhoria do desenho das carreiras. O projeto visa esclarecer as oportunidades de promoção e progressão, ligando-as ao mérito e desempenho do funcionário. Para isso, são oferecidos cursos e investimentos em atualização. Na educação, o interesse não é apenas premiar quem estuda para passar nas provas, mas também aqueles professores que aplicam os conhecimentos no dia a dia do ensino.

O governo federal também tem avaliado ações para melhorar o serviço público, diz a secretária de gestão do Ministério do Planejamento, Ana Lúcia Amorim de Brito. Um dos pontos é o bom desempenho dos profissionais, com capacitação das equipes. Como em outras administrações, adota-se a gestão por competência, a avaliação de desempenho, assim como a remuneração, capacitação e o bom ambiente de trabalho.

A reestruturação de áreas críticas no governo federal serão analisadas pela câmara de gestão da Casa Civil. O escritório vai identificar e priorizar questões a serem tratadas, simplificar processos e rotinas. Os estudos de melhoria da organização federal também analisam o arcabouço jurídico. É preciso mais flexibilização para garantir uma maior agilidade, afirma Brito, mas os modelos para tornar isso possível ainda não estão definidos. "A necessidade de melhora, como em todas as áreas, públicas e privadas, é grande e constante", diz. "A melhoria sustentável não muda com ações de impacto, mas com ações bem estruturadas e contínuas".

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Análise marxista da crise do capitalismo: Marx versus Keynes

"Agora somos todos keynesianos", disse Richard Nixon, então presidente republicano dos EUA em 1971. Quarenta anos depois, parece que John Maynard Keynes volta a estar na moda, especialmente entre os líderes do movimento operário britânico. As direções reformistas do Partido Trabalhista e os sindicatos teimam na ideia keynesiana de que a economia só tem de ser "estimulada" para voltar ao crescimento.

Mas tal e como os marxistas já temos explicado antes, a crise econômica atual não é só parte de uma crise cíclica de auge e recessão, mas uma crise orgânica do capitalismo, e o crescimento econômico não pode ser gerado à vontade.

Na conferência do Partido Trabalhista de setembro de 2011, Ed Balls, o responsável de economia no partido, anunciou um novo "plano de cinco pontos para o crescimento", que consiste em:

Um imposto sobre os lucros dos banqueiros.

Fomentar planos de investimento em longo prazo.

Reverter os recentes incrementos no IVA.

Uma redução temporária do IVA sobre as melhorias nas moradas.

Conceder às pequenas empresas que contratem trabalhadores adicionais em um ano de isenção no pagamento da segurança social.

As medidas individuais a respeito de tal ou qual redução de impostos carecem de muita importância. O que deve ser examinado, no entanto, é a constante menção a respeito de impulsionar "políticas de crescimento" - uma linha que aparece constantemente no discurso dos dirigentes do Partido Laborista e dos dirigentes sindicais. O envolvimento de semelhante discurso é que os conservadores e outros governos burgueses seriam então contra o crescimento econômico!

É claro que qualquer economista ou político se mostrará a favor do crescimento econômico, já que a vida é bem mais fácil para a classe dominante enquanto o bolo fica cada vez maior e umas quantas migalhas podem ser lançadas para as massas. O problema é que o crescimento sob o capitalismo não pode simplesmente aparecer como se se tirasse um coelho de uma cartola.

Para estes homens e mulheres ingênuos na direção do movimento operário, a solução à crise econômica é simples: há que "estimular o crescimento". Eles veem a economia como um motor que parou e que só precisa uma faísca para se acender de novo. Mas o crescimento sob o capitalismo não pode ser gerado como se abre e se fecha uma torneira. Para já, se o crescimento pudesse ser criado à vontade, então não existiriam as recessões!

Mostrem o dinheiro!

Keynes é famoso sobretudo por sua defesa da intervenção governamental durante a Grande Depressão da década de 1930, que se refletiu em líderes como Roosevelt nos EUA, quem levou a cabo o "New Deal", em resposta à crise. A ideia era simples: o desemprego era alto, e estava atuando como um lastro para a procura. A "solução" era que o governo injetasse um estímulo em massa na economia mediante o início de grandes infraestrutura e programas de construção, tais como a barragem Hoover. A teoria era que, ao se reduzir o desemprego, os trabalhadores ganhariam salários que poderiam ser gastos com o fim de aumentar a procura. A necessidade de materiais e ferramentas nos programas de obras públicas também ajudou a encher os livros de encomendas de muitas empresas privadas.

A realidade é, no entanto, que o New Deal não resolveu nada. A Grande Depressão prolongou-se até o início da Segunda Guerra Mundial. No entanto, os políticos e os economistas de hoje em dia, mais uma vez, olham para a ideia de um novo New Deal. O único problema é, no entanto, que os governos de todo mundo se ficaram sem dinheiro com que estimular suas economias. Após terem sucessivamente resgatado os bancos, a dívida soberana nos países capitalistas avançados já é demasiada alta como para obterem dinheiro de uns mercados financeiros nervosos.

A intervenção do governo para estimular a economia pode soar como qualquer coisa simples, mas os governos não têm dinheiro próprio para gastar. Afinal, a despesa pública deve ser financiada mediante impostos ou mediante o déficit e o endividamento. No entanto, os mercados de crédito já se mostram preocupados com a capacidade dos governos para pagarem suas dívidas, sendo este o motivo pelo que a austeridade está sendo imposta à população em um país depois de outro. Entretanto, qualquer imposto adicional deve ser obtido dos trabalhadores ou das empresas, mas os impostos adicionais aos trabalhadores atuam como um corte nos salários e portanto cortam a procura, anulando a intenção original de estímulo do governo (ou seja, estimular a procura), enquanto o incremento de impostos às empresas reduzem os lucros, originando uma falta de capital e uma queda do investimento.

Investimento e sobreprodução

Marx explicou que é o investimento na produção por parte dos capitalistas o que constitui a força impulsionadora do capitalismo. A concorrência entre os diferentes capitalistas individuais obriga cada um a investir na produção na procura de maiores lucros. Ao investir em nova maquinaria e processos mais produtivos, um capitalista pode aumentar a produtividade da força de trabalho, e portanto produzir uma massa maior de mercadorias com menos trabalhadores. Isto, a sua vez, lhe permite ao capitalista reduzir seus custos e assim reduzir seus preços por baixo dos oferecidos por seus rivais. Deste modo, um capitalista individual pode ganhar quotas de mercado e obter grandes lucros. Estes lucros são, em sua maior parte, reinvestidos na produção pelos capitalistas, o que aumenta ainda mais a produtividade.

Marx também explicou, no entanto, que existem contradições inerentes a este processo, derivadas do fato de que, por um lado, os trabalhadores só recebem em forma de salários uma fração do valor que produzem, ou seja, a riqueza que eles criam; mas que, por outra parte, estes salários em última instância, constituem o mercado, quer dizer, a procura efetiva para os produtos que estão produzindo. Isto leva a aquilo que Marx chamou uma "crise de sobreprodução", na qual os capitalistas não podem vender seus produtos e conseguir assim seus lucros. Sob o capitalismo, onde os meios de produção são de propriedade privada, a produção se dá com fins de lucro, portanto, quando o lucro não puder ser realizado, a produção será detida, enviando milhões de trabalhadores ao desemprego.

Esta era a situação à qual se enfrentava o mundo durante a Grande Depressão e é a mesma à que a economia mundial se enfrenta agora. Não foi o New Deal ou qualquer outra medida keynesiana o que sacou o mundo da depressão na década de 1930, pois isto foi possível graças à grande destruição de capital durante a Segunda Guerra Mundial e a expansão do mercado mundial após a guerra. Estes fatores, entre muitos outros, são os que abriram o caminho para a "idade dourada" do capitalismo na década de 1950 e 60, quando a economia conseguiu seu crescimento mais rápido até este momento. Ted Grant explicou os fatores que permitiram o boom da posguerra em uma brochura titulada Haverá uma recessão?:

"Quais são as razões básicas que explicam o que aconteceu na economia mundial durante o período posterior à Segunda Guerra Mundial?

1. O fracasso político dos estalinistas e dos social-democratas, na Grã-Bretanha e Europa ocidental, que criou um clima político favorável para a recuperação do capitalismo.

2. Os efeitos da guerra na destruição de bens de consumo e capital criaram um grande mercado (a guerra tem efeitos similares - embora mais profundos -na destruição de capital que uma recessão). Estes efeitos, segundo as estatísticas da ONU, não desapareceram até 1958.

3. O Plano Marshall e outras ajudas econômicas destinadas à recuperação econômica da Europa Ocidental.

4. O enorme aumento do investimento na indústria.

5. O surgimento de novas indústrias: plásticos, alumínio, aeronáutica, eletrônica, energia atômica, químicas, fibras artificiais, borrachas sintéticas, metais ligeiros, eletrodomésticos, gás natural, energia elétrica, atividade da construção...

6. As enormes quantidades de capital fictício, criadas pela despesa em armamentos e que atingiu os 10 por cento do rendimento nacional na Grã-Bretanha e Estados Unidos.

7. Os novos mercados para bens de capital nos países em via de desenvolvimento, proporcionando à burguesia local a oportunidade de desenvolver a indústria em uma escala não vista até então.

8. Todos estes fatores interagiram entre eles. O aumento da procura de matérias-primas, através do desenvolvimento da indústria nos países metropolitanos, por sua vez, influi nos países subdesenvolvidos e vice-versa.

9. O aumento do comércio entre os países capitalistas, especialmente em bens de capital e produtos de engenharia, devido ao aumento do investimento econômico, atuou nesse momento como um estímulo.

10. O papel da intervenção estatal no impulso da atividade econômica.

Todos estes fatores explicam o aumento da produção desde a guerra. Mas o fator decisivo foi o aparecimento de novos setores e ramos da produção onde investir capital, que é o principal motor da atividade econômica"(Ted Grant, Terá uma recessão?, 1960).

De maneira similar, a economia mundial foi capaz de crescer durante os anos 1980 e 90 devido a uma combinação de outros fatores: a expansão do mercado à Rússia, Europa Oriental, e China, a mão de obra mais barata nestes países, que se pôs ao dispor do capitalismo, a maior exploração da classe operária nos países capitalistas avançados após a derrota do movimento operário e o falhanço dos sindicatos, e o uso do crédito para expandir artificialmente o mercado.

Estes períodos de auge refletem-se nas cifras de rentabilidade do mercado de valores, calculados por Crédit Suisse e proporcionados por The Economist em um artigo sobre o rendimento dos ativos (The Economist, 15 de outubro de 2011). Entre 1949-1959, os rendimentos bolsistas reais a nível mundial foram de 562%. Graças ao papel do Plano Marshall e os outros fatores enumerados por Ted Grant citados acima, os dados da Alemanha e Japão durante o mesmo período foram de 4.094% e 1.565%. Os rendimentos bolsistas mundiais foram de 255% em 1980-1989 e 114% em 1990-99. Curiosamente, The Economist não proporciona os dados de 1931-38 nem de 1975-79.

A profundidade da crise

Nada demonstra melhor a profundidade da crise atual que a falta total de investimento dos capitalistas na economia produtiva. No mesmo artigo citado, The Economist destaca que os capitalistas não estão investindo, apesar das margens de lucro que "estão próximos de seu máximo em 50 anos". A razão disto é o excesso de capacidade, isto é a sobreprodução, que já existe dentro do sistema. Por que investir na produção real quando já há muitos mais produtos dos que podem ser vendidos?

Há um monte de dinheiro no mundo, mas acha-se concentrado em relativamente poucas mãos; umas mãos que se mostram renuentes a investir na produção. Como explica The Economist:

"Quase todas as classes de ativos parecem estar cheias de perigos. As ações sofreram dois mercados em baixa em pouco mais de uma década, e seguem sendo vulneráveis à recessão do mundo rico, os bônus do governo oferecem pouca proteção contra o resurgimiento da inflação, os produtos básicos são voláteis e reféns de uma possível queda da procura chinesa, o setor imobiliário segue sofrendo de indigestão após o auge da última década".

Em vez de investir sua riqueza na produção, a burguesia está pondo seu dinheiro na atividade especulativa. Portanto vemos o aumento do preço do ouro e de outros metais preciosos, do franco suíço (levando o governo suíço a intervir ativamente para manter sua moeda baixa) e outras moedas, bem como de produtos tais como os alimentos básicos e o petróleo. Esta especulação, por seu turno, contribui para a inflação.

Em seu desespero, os governos viram-se empurrados para uma política de impressão de dinheiro mediante a "flexibilização quantitativa". Estão jogando dinheiro aos capitalistas, suplicando-lhes que invistam na produção real, criem empregos e façam com que a economia recresça. Os capitalistas, no entanto, não podem ser obrigados a investirem sua riqueza. Sob o capitalismo, o investimento faz-se em base à busca de lucros. Se não existirem perspetivas de os obter, o investimento na produção real detém-se.

A necessidade do socialismo

A senilidade do capitalismo e a natureza orgânica da crise atual - uma crise de sobreprodução - estão adequadamente demonstradas por esta falta de investimento que se observa atualmente na economia. Além disso, pode ser percebida a necessidade objetiva do socialismo, quer dizer, a necessidade de investir as enormes quantidades de riqueza que existem na sociedade, para satisfazer as necessidades das pessoas, não para a obtenção de lucros.

Em lugar de olhar para Keynes e tratar de "estimular o crescimento" da economia, a direção do movimento operário deveria olhar para Marx e tomar o controle das alavancas fundamentais da economia. Concretamente, isto significa a nacionalização dos bancos e dos grandes monopólios - sem um cêntimo de indenização para os capitalistas - e utilizar estes ativos para os investir em aquilo que a sociedade decidir de forma democrática que precisa.

Sob o capitalismo, o potencial produtivo da sociedade encontra-se limitado por duas grandes contradições: a propriedade privada dos meios de produção e o Estado nacional. Sob o socialismo, no entanto, o céu é o único limite.

Fonte: In Defence of Marxism. Tradução do Diário Liberdade a partir de versão no Tribuna Popular, do PC da Venezuela

As Guerras Civis

As “Guerras Civis” representam o processo de transição política pela qual passou a Roma antiga, no último século do regime republicano.

As “Guerras Civis” representam o processo de transição política pela qual passou a Roma antiga, no último século do regime republicano. Nesse período a luta de classe tornou-se mais acirrada e complexa, pois a organização sócio-econômica havia se tornado mais complexa.

As Transformações Estruturais

As conquistas realizadas pelos romanos durante mais de trezentos anos mudou completamente a feição da sociedade e a organização da produção da cidade. A cidade deixou de ser apenas uma cidade para passar a ter o controle sobre vastas extensões de terra, envolvendo praticamente todo o norte da África, a região da Palestina, todo o sul da Europa e a região que corresponde hoje à França.

As guerras responsáveis por essas grandes conquistas também foram responsáveis pela formação do modo de produção escravista, ou seja, pela formação de uma nova camada social - escravos - que torna-se determinante para a produção da riqueza social. O trabalho escravo desenvolveu-se rapidamente, pois havia escravos em abundância e seu preço era baixo, principalmente nas atividades rurais, mas também nas cidades, provocando a marginalização da plebe.

A plebe marginalizada tendeu a migrar em massa para as cidades, especialmente Roma, onde aglomerava-se constituindo uma grande massa pauperizada e que eventualmente se rebelava contra tal situação. A possibilidade de uma revolução plebéia fez com que a elite senatorial passasse a distribuir “pão” e a promover o “circo”, ou seja, garantir o abastecimento mínimo e dar diversão à plebe, com o objetivo de alienar uma parcela dessa camada, evitando uma explosão social.

O desenvolvimento do comércio pelo Mar Mediterrâneo foi responsável pelo enriquecimento dos Homens novos ( também chamados cavaleiros ), formaram uma nova camada social, com interesses peculiares, principalmente por que eram oriundos da plebe e apesar de enriquecidos, continuavam marginalizados politicamente.

Há que se considerar ainda a formação do exército enquanto instituição, comandado por homens de origem patrícia, que aparentemente passaram a viver do próprio exército; porém, apesar das peculiaridades da vida militar, o exército foi responsável pela conquista de terra e de escravos, ou seja, dos elementos produtivos fundamentais para a sociedade romana, preservando a estrutura tradicional de produção, baseada no escravismo.


A Crise

O confronto de interesses envolvendo esses grupos sociais tornou-se muito intenso no último século do período republicano. Até então podemos considerar o Senado como o centro das decisões do Estado romano, apesar das disputas internas, da corrupção e outros problemas.

A crise pode ser percebida a partir do momento em que a vida política passa a ser determinada pela radicalização das propostas sócio-econômicas, na medida em que cada classe ou facção de classe passa a utilizar-se de armas variadas na disputa pelo poder. Nesse período as discussões e votações no Senado passam para um campo secundário, substituídas em importância pelas conspirações, assassinatos, golpes e ditaduras. É exatamente essa situação que passamos a tratar por Guerra Civil, as novas armas na disputa pelo poder mostram a intensidade da disputa política envolvendo interesses distintos.

A Manutenção do Escravismo

Apesar da existência de interesses específicos, a manutenção do trabalho escravo e consequentemente da situação de marginalidade da plebe, eram pressupostos básicos tanto para os tradicionais patrícios, assim como para os homens novos e militares, no entanto interesses específicos em relação à organização econômica e a participação política determinaram as disputas internas a essas camadas elitizadas.

Os patrícios pretendiam manter os privilégios tradicionais, eram os únicos com direitos políticos plenos, e conseguiam dessa forma manter o controle sobre o Estado assegurando a continuidade do escravismo, da estrutura fundiária, e das leis que beneficiavam a agricultura. Dessa maneira utilizaram-se de todos os métodos ilícitos disponíveis para preservar seus privilégios, sendo que os maiores exemplos foram as perseguições aos representantes da plebe, que defendiam a reforma agrária, Tibério Gracco e anos depois Caio Gracco, ambos assassinados junto com seus partidários, fruto das violentas perseguições organizadas pela elite senatorial.

Das leis elaboradas por Caio Gracco e aprovadas, a única que permaneceu foi a Lei Frumentária, segundo a qual o Estado era obrigado a vender trigo à população urbana por preço inferior ao de mercado.

Os homens novos, enriquecidos com o comércio, pretendiam maior participação na vida política romana, como a ocupação de cargos no Senado, com o objetivo de assegurar melhores condições para as práticas comerciais, que na verdade envolviam não só elementos financeiros, mas militares e relacionados a administração das províncias. Apesar de ricos, os mercadores formavam um grupo pequeno e por isso procurou apoiar-se na plebe e nos militares para atingir seus objetivos, apoiaram as reformas de caio Gracco e posteriormente envolveram-se nas disputas militares, sempre procurando enfraquecer o poder da elite patrícia.

Os militares formavam uma categoria especial, não havia nesse grupo um interesse de classe nítido, tanto a facção que procurou defender os elementos tradicionais, como a facção que apoiou o Partido democrático, pretendiam preservar o sistema escravista. As disputas, mesmo intensas, representam apenas interesses localizados e nenhuma delas pretendia transformações estruturais, ou seja, as disputas militares demonstram a importância do exército na organização política, utilizado ou pelos patrícios com o objetivo de manter privilégios ou pelos “democráticos” como forma de conquistarem direitos.

Os Militares no Poder

Tradicionalmente a história atribui grandes feitos à alguns homens, e é assim também com vários generais romanos. Quando a exaltação ocorre no período contemporâneo fica mais fácil detectarmos o velho vício de valorizar os “heróis”, porém, no passado, muitas vezes passa despercebido esse processo uma vez que temos informações limitados sobre o período.

Não é diferente com a história de alguns generais que governaram Roma: Mário, Sila, Júlio César ou mesmo Otávio. Como chegaram e se mantiveram no poder? Por vontade própria? Claro que não... nenhum homem faz nada sozinho. Então por vontade do exército.... eis nosso problema.


Apesar de profissionalizado e importante, não é difícil perceber que na Roma antiga não havia um, mas vários exércitos. Podemos perceber essa situação analisando a luta pelo poder entre Mário e Sila, que na verdade deve ser vista como um confronto entre os grupos populares (ou democráticos) e a elite patrícia tradicional. Como Júlio César chegou ao poder? Sem dúvida o comando do exército e suas vitórias foram muito importantes, porém importantes para aumentar seu prestígio junto às camadas populares, que na verdade apoiaram sua ascensão ao poder. Mesmo que se considere que havia um processo de manipulação das massas romanas, estaremos concluindo que ter os plebeus a seu lado era fundamental para muitos dos generais que chegaram ou ambicionaram o poder.

A formação do segundo triunvirato por Marco Antonio baseou-se no apoio popular, assim como a ascensão de Otávio ( após luta com o mesmo Marco Antonio) pressupôs o apoio da plebe romana, explicando o deslocamento de toneladas de alimentos do Egito para Roma.

Introdução à Mitologia

A palavra mitologia serve para designar o conjunto de mitos e lendas que um povo imaginou e o estudo dos mesmos. Normalmente utiliza-se a palavra para designar a religião dos gregos antigos e também dos romanos.

“No começo era o Caos”


A mitologia grega representa uma das concepções míticas mais geniais que o homem produziu, no sentido de compreender sua origem e seu desenvolvimento. Dessa maneira os gregos organizaram suas concepções religiosas a partir da vida humana, mesclando elementos reais e imaginários com o intuito de estabelecer uma ordem racional para o desenvolvimento do universo e de todos os seus componentes.

Para os gregos, a variedade de formas existentes no universo não poderiam ser concebidas por um único Deus.

“No começo era o Caos”, massa rude, onde as forças latentes teriam o poder de criar e de manter a vida. À essa fonte geradora de vida e energia tudo é possível e foi a partir dela que nasceram os Deuses e a matéria - os planetas e os homens.

Aqui se encontram as raízes do mito, como tentativa de penetrar, pela imaginação, os esconderijos do que não se explica de outra maneira: o mistério da existência.

Ao contrário das concepções religiosas predominantes, os deuses mitológicos se originam de algo anterior, o Caos. Do encontro entre o Céu (Urano) e a Terra (Gaia) nascem as divindades primordiais; da mesma maneira nascem os homens: “Igual é o gênero dos homens ao dos deuses, pois todos tiramos a vida da mesma mãe; apenas, uma força completamente diferente distingue os deuses”. As palavras do poeta Píndaro demonstram uma das características mais marcantes das concepções mitológicas, a estreita relação entre os deuses e os homens.

Divindades Primordiais

A união de Urano e Gaia é responsável inicialmente pela origem dos Titãs e Titânias, forças violentas que povoam o mundo, destacando-se Têmis, a justiça, Tétis, a alma do mar, Oceano, Mnemósine, a memória e Cronos, o tempo.

Os outros filhos de Urano e Gaia são os Cíclopes e os Hecatônquios, criaturas indomáveis, obrigadas pelo pai a viver no interior da terra, sem ver o luz do dia.

A prisão dos filhos assim como a fecundidade contínua imposta por Urano, é rersponsável pelo sofrimento de Gaia, que conspira contra ele. Cronos foi o único filho que aceitou ajudar a mãe a eliminar seu sofrimento. Armado de uma foice, luta contra o pai, domina-o e corta seus testículos, impedindo dessa maneira que continue a fecundar Gaia. O sêmen expelido fecunda a terra e o mar, de onde nasce Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Destronado Urano, o poder agora pertence a Cronos, senhor do tempo, que devora tudo: seres, momentos, destinos. Devora também os próprios filhos. Unido a sua irmã Réia, gera muitos filhos, porém devora a todos, para que não lhe tomem o reino como ele mesmo fez com o pai. Apenas um escapa: ZEUS

A maioria das lendas conta que Réia refugiou-se em uma caverna na Ilha de Creta, onde deu a luz a Zeus, ajudada por Gaia. Ao voltar para casa, enganou Cronos, entregando-lhe uma pedra enrolada em ataduras, que foi devorada pelo deus. Desta forma, Réia salvara o filho, mas selara a profecia: um dia, o último filho de Cronos tomaria em armas e acabaria com o reinado do pai, instalando-se no trono do mundo.

Não demorou muito tempo para que Cronos percebe-se que fora enganado, e saiu a procura do filho. Na Ilha de Creta Zeus permaneceu escondido e foi criado pelas ninfas, alimentado com o mel e leite de cabra, cresceu e fortaleceu-se, preparando-se para cumprir a profecia de Gaia.

Zeus acercou-se do pai e o fez ingerir uma bebida preparada por Métis. Abalado por convulsões, Urano restituiju à vida todos os filhos que havia devorado. Assim Zeus libertou seus irmãos e uniu-se a eles na luta contra o pai; libertou os Cíclopes que passaram a forjar as armas: para Plutão um capacete mágico, para Netuno o tridente e para Zeus o raio. A guerra teria durado dez anos, ao final destronou o pai, venceu os Titãs e os Gigantes e consolidou-se como senhor absoluto do mundo, eliminando as forças tenebrosas e desordenadas, que foram confinadas no inferno. Insatisfeita com a prisão dos Titãs, seus filhos, Gaia incitou os Gigantes a uma luta contra Zeus. Iniciou-se a Gigantomaquia, Guerra de Gigantes, da qual Zeus saiu- vitoriosos e reforçou seu poder.

Zeus subiu ao Olimpo de onde passaria a comandar os homens e os Deuses.

A vitória de Zeus simboliza a vitória da razão e da ordem.

“É ele quem abre aos homens o caminho da razão e ensina-lhes que o verdadeiro conhecimento só é obtido a partir da dor. Mas não assiste impassível aos sofrimentos humanos, compadece-se e até se magoa por eles. Apenas não se deixa levar pelas emoções, pois é a imagem da justiça e da razão”. Por isso será considerado “pai dos Deuses e dos homens”, sendo que o termo “pai” não se refere a uma relação afetiva, mas a relação de poder, de autoridade.