sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Governo brasileiro corta verba para Universidades Federais

O contingenciamento orçamentário adotado pelo governo federal já tem refletido em falta de recursos nas universidades e causado preocupação na comunidade acadêmica. Com a decisão de congelar um terço das despejas de todo o governo, a pasta mais atingida foi a da Educação, com um corte de R$ 600 milhões por mês.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgou nota sobre o orçamento. “A situação financeira das universidades federais, que em 2014 foi sofrida, passa a ser ainda mais difícil, principalmente no caso da Unifesp, em que o orçamento está aquém do porte da instituição”, diz a nota. Entre as medidas em análise “está a suspensão de contratos ou cortes parciais”, segundo a reitoria. “Não sabemos ainda quais impactos isso produzirá sobre as atividades de ensino, pesquisa e extensão, incluindo também o hospital universitário.”

Segundo o professor Amauri Fragoso de Medeiros, tesoureiro do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), as federais têm demonstrado preocupação. “Setores das universidades que contam com contratos terceirizados já estão com atrasos de salários”, diz ele, docente da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba.

Na semana passada, o Museu Nacional, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi fechado porque não havia dinheiro para o pagamento de empresas terceirizadas que fazem vigilância e limpeza.

O Ministério da Educação (MEC) diz que avalia o impacto nas despesas de custeios. A economia sobre a execução orçamentária, decidida pela área econômica do governo, vale até a aprovação da Lei Orçamentária de 2015.

Fonte: ESTADÃO

Confira abaixo a íntegra da nota divulgada pela Unifesp:

Prezada comunidade acadêmica,

Neste mês de janeiro a Presidência da República publicou o Decreto Federal 8.389/2015, que dispõe sobre a execução orçamentária do Poder Executivo até a aprovação da Lei Orçamentária de 2015 (LOA). O decreto determina que cada órgão do Executivo terá o limite mensal de execução financeira equivalente a 1/18 avos, o que significa na prática um contingenciamento imediato de 39% do orçamento previsto. Esta decisão serve como instrumento de aplicação da política econômica adotada pelos ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Fazenda, conforme tem sido amplamente noticiado pela imprensa.

Com a publicação do decreto, a situação financeira das universidades federais, que em 2014 foi sofrida, passa a ser ainda mais difícil, principalmente no caso da Unifesp, em que o orçamento está aquém do porte da instituição. Este cenário nos obriga a reavaliar medidas a cada instante devido à falta de recursos. Dentre estas está a suspensão de contratos ou cortes parciais nos mesmos. A Reitoria e diretorias acadêmicas dos campi estão trabalhando para a manutenção dos serviços essenciais enquanto a política de contingenciamento vigorar. Porém, não sabemos ainda quais impactos isso produzirá sobre as atividades de ensino, pesquisa e extensão, incluindo também o hospital universitário.

Salientamos que a Reitoria e as diretorias dos campi da Unifesp têm executado tudo o que está ao alcance para a gestão adequada dos recursos financeiros. Contudo, o presente contingenciamento extrapola nossos limites de atuação.

Informamos que diversas reuniões têm sido realizadas com os pró-reitores e diretores dos campi para conjuntamente compreendermos melhor o panorama e encaminharmos as soluções possíveis. Mais detalhes serão informados nas próximas reuniões de todos os conselhos centrais.

A Reitoria está à disposição de sua comunidade para esclarecimentos e informará cada passo desse processo de acordo com sua política de total transparência em suas ações.

Reitoria da Unifesp
20 de janeiro de 2015

domingo, 30 de novembro de 2014

AGEPOLJUS participa da primeira audiência para discutir o projeto flexibiliza regras para o porte de armas de fogo pela população e cria normas para a sua comercialização

Quinta-feira, 27 de novembro de 2014.


A AGEPOLJUS participou nesta quarta-feira (26/11) da primeira audiência pública na comissão especial que discute o Projeto de Lei PL 3722/12, do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC). O projeto flexibiliza regras para o porte de armas de fogo pela população e cria normas para a sua comercialização. 

Cerca de 200 pessoas entre esse o Presidente da AGEPOLJUS, Edmilton Gomes, o Assessor Parlamentar, Alexandre Marques e Agentes de Segurança do TSE e STF, além do Presidente da FENASSOJAF, Hebe Del Kader Bicalho acompanharam a audiência pública, que foi marcada por várias interrupções e manifestações calorosas dos participantes favoráveis e contrários à proposta.

O presidente da comissão, deputado Marcos Montes (PSD-MG), que pediu a realização do debate, abriu a reunião dizendo que esperava uma discussão saudável e coerente. Momentos depois, em virtude de manifestações da platéia, Montes pediu reforço da Polícia Legislativa para manter a ordem.

Estatuto do Desarmamento: O presidente do Movimento Viva Brasil, Bené Barbosa, disse que não se busca propriamente a revogação do Estatuto do Desarmamento, e sim a desburocratização da compra, do registro e do porte de arma de fogo. “Não se trata de armar a população de forma descontrolada. Estão espalhando a mentira de que esta Casa não está discutindo o projeto. A proposta tramita há dois anos e já tivemos muita discussão sobre o tema”, afirmou.

Contrária à proposta, a assessora do chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Paula Guerra Varela, argumentou que a legislação não proíbe o cidadão de adquirir uma arma de fogo. “A arma de fogo é um instrumento de morte e não de defesa”, afirmou.

Redução da violência: Durante exposição contrária à proposta, o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Gabriel de Carvalho Sampaio, foi interrompido diversas vezes por risos e vaias. “O aumento do uso das armas de fogo não trará redução da violência”, disse.

O presidente da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições (Aniam), Salésio Nuhs, assinalou que todos os presentes tinham a mesma opinião: a criminalidade só aumentou. “O Mapa da Violência, que é reconhecido pelo governo federal, aponta que houve um aumento de 19% na criminalidade desde a promulgação do Estatuto do Desarmamento.”

A atual legislação proíbe a compra de munição para arma de fogo sem a apresentação do respectivo registro. Toda munição é registrada com os caracteres que identificam a arma e seu proprietário. “Proponho até a mudança do nome do Estatuto do Desarmamento para ‘Estatuto do Controle de Armas’", acrescentou Nuhs.

Intervenções parlamentares: Contrária à aprovação do projeto, a deputada Erika Kokay (PT-DF) disse que o combate à violência deve ser pautado em políticas públicas eficientes e também no fortalecimento da segurança pública. “Não podemos, simplesmente, dar uma arma ao cidadão, que não possui preparo ou treinamento. A própria polícia diz que não devemos reagir a um assalto. O que devemos fazer é fortalecer nossas políticas públicas, como educação e segurança pública”, completou Erika Kokay.

O deputado Alessandro Molon (PT-RJ), que se manifestou contrário à aprovação do atual projeto de lei, sugeriu a Marcos Montes que o relator Claudio Cajado não apresente seu parecer, já que não houve discussão suficiente. “Hoje, tivemos nos debates apenas duas pessoas contrárias ao projeto, enquanto cinco foram a favor”, afirmou Molon.

Durante os debates, Molon disse, várias vezes, que o tema só recebeu uma audiência pública, restringindo sua discussão na sociedade. “Não faz sentido encerramos as discussões públicas. Eu vou insistir com o relator sobre isso. Simplesmente aprovar o projeto nesta comissão apenas com uma audiência pública não é razoável”, completou Molon.

O autor do projeto, deputado Rogério Peninha Mendonça, demonstrou insatisfação no encaminhamento sugerido por Molon. Segundo ele, houve tempo suficiente para que o projeto fosse discutido na Câmara. “Além do mais, o Plenário da Casa ainda discutirá seus termos, portanto, o senhor [Molon] poderá incluir sua posição.”

Paulo Teixeira x Alberto Fraga: O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o deputado federal eleito pelo Distrito Federal, Alberto Fraga, divergiram sobre a proposta. Durante sua exposição, Fraga disse que os membros da ONG Viva Rio não “possuem qualificação para discutir segurança pública, pois não sabem nem quantas munições possui um revólver 38”. Ele completou dizendo que “uma das coisas mais absurdas que já ouvi na vida foi alguém chamar essas pessoas de 'especialistas' em segurança pública”.

Paulo Teixeira interrompeu Fraga dizendo que “é preciso ter respeito pelas entidades aqui representadas”. “Senhor presidente (referindo-se ao deputado Marcos Montes, que conduz a audiência), acredito que todos aqui têm direito de manifestar a sua opinião, mas eu peço que o senhor Fraga mantenha o respeito aos membros do movimento Viva Rio”. Fraga replicou dizendo: “Eles não têm o meu respeito, só o seu, deputado”.

Novos debates: Após negociação entre os parlamentares, Marcos Montes convocou reunião da comissão para a próxima terça-feira (2), na tentativa de aprovar o requerimento de uma nova audiência pública.

O requerimento foi apresentado pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), que sugeriu a ampliação do debate antes da votação do relatório do deputado Claudio Cajado (DEM-BA), marcada para o dia 10 de dezembro.

Além disso, Marcos Montes disse que a comissão já tem data para a nova audiência pública. “Na próxima terça-feira (2) haverá reunião da comissão às 14h30 e, no dia seguinte, na quarta-feira (3), realizaremos a audiência pública”, concluiu Montes.

A audiência foi finalizada com a convocação da reunião e com o pedido de inclusão de novos palestrantes ao futuro debate.

Atuação da AGEPOLJUS: A Associação reuniu-se com a Assessoria do Relator da proposição para tratar da inclusão da categoria na proposta e permitir o porte particular aos Agentes além da retirada da limitação de 50% conforme é hoje. A Associação continuará acompanhado a matéria e trabalhará em defesa da categoria e a ampliação do porte de armas para todos agentes de segurança.

Fonte: Câmara dos Deputados

domingo, 26 de outubro de 2014

Estudante abre fogo em escola nos EUA deixa dois mortos e três feridos em estado grave

Um estudante abriu fogo nesta sexta-feira em uma escola secundária perto de Seattle, no noroeste dos Estados Unidos, matando um colega e ferindo outros adolescentes antes de cometer suicídio, informaram a polícia e a imprensa local.

Estudantes choram do lado de fora de uma escola de Marysville, perto de Seattle, depois que um aluno abriu fogo no local em 24 de outubro de 2014

O autor dos disparos foi identificado pela imprensa e por outros estudantes como Jaylen Fryberg, que nos meses anteriores ao ataque havia postado no Twitter mensagens de alguém que estava sofrendo, levando a crer que a motivação do ataque pode ter sido um amor não correspondido.

"Confirmamos que há dois mortos", disse o porta-voz da Polícia, Robb Lamoureux, em Marysville. "Acreditamos que houvesse apenas um atirador e que o atirador esteja morto", completou.

Embora ainda não tenha sido confirmado oficialmente que o autor dos disparos tenha se suicidado após o ataque, o noticiário local já divulga essa informação.

"Nossos oficiais inspecionaram todas as salas, e falta uma segunda verificação mais profunda", disse Lamoureux.

Três estudantes foram internados em estado crítico.

"Quatro pacientes deram entrada no hospital (...) Três deles permanecem no centro médico (...), os três com ferimentos mais graves continuam aqui", declarou à emissora CNN um funcionário do Hospital estadual de Washington, onde as vítimas estão internadas.

Em um primeiro momento, o jornal local "The Seattle Times" havia informado que dois estudantes tinham morrido e que outras quatro pessoas estavam feridas. Imagens de televisão mostravam vários policiais e socorristas, entrando na escola Marysville-Pilchuck.

O colégio fica na pequena cidade de Marysville, 55 km ao norte de Seattle (noroeste), no estado de Washington. O tiroteio aconteceu na lanchonete da instituição, de acordo com a imprensa americana.

"Estava comendo (...), ouvi tiros atrás de mim. Vi uma arma sendo apontada para uma mesa e saí correndo", contou o aluno Alex à KIRO TV News.

Um cara legal

Outro estudante, identificado como Austin, disse à CNN que "tinha um grupo grande de garotos... Ele estava tranquilo. Estava sentado lá. Todo mundo estava conversando. De repente, eu o vi ficar de pé e tirar uma coisa da bolsa".

"Primeiro, achei que alguém estivesse fazendo barulho com um saco (...) e depois ouvi outras quatro grandes explosões", acrescentou Austin.

"Vi três garotos caindo da mesa, no chão, como se estivessem mortos. Eu me joguei debaixo de uma mesa para me proteger", contou.

Austin descreveu a arma como um pequeno revólver, que parou de atirar depois de vários disparos. O adolescente disse ainda que o atirador era "um cara legal", conhecido por todos no colégio. "Agia totalmente normal pouco antes (do ataque). Lembro de ter falado com ele", relatou.

Vários jornais descreveram o autor dos disparos como ameríndio.

Um aluno disse ao "Seattle Times" que o atirador "gostava de uma menina que não queria sair com ele, e estava entre as pessoas em quem ele atirou".

"Nunca achei que estaria aqui, depois de um tiroteio em uma escola", declarou ao "Seattle Times" Heather Parker, mãe de Corbin, que estava dentro do colégio.

"Está bastante abalado. Ele disse apenas 'estou bem'. Estava tentando me acalmar", acrescentou.

Tiroteios similares - como o ocorrido em uma escola em Newton, Connecticut (nordeste dos EUA), em dezembro de 2012, e que deixou 20 crianças e seis adultos mortos - inflamam o debate sobre a necessidade de reforma na lei de armas nos Estados Unidos.

Três estudantes lutam pela vida após o ataque

Duas meninas de 14 anos e um menino de 15 estavam entre a vida e a morte, neste sábado, após ataque a tiros da véspera na escola de ensino médio onde estudavam, perto de Seattle (noroeste dos Estados Unidos), no qual morreram duas pessoas, inclusive o atirador, e outras quatro ficaram feridas. Os três se encontram em estado crítico.

Outro menino, de 14 anos, se encontrava em estado sério depois de ser baleado na mandíbula. Os dois garotos seriam primos do atirador, Jaylen Fryberg, um popular aluno do primeiro ano do ensino médio na escola Marysville-Pilchuck, que abriu fogo no refeitório do colégio.

"Os três próximos dias serão cruciais", declarou Joanne Roberts, médica do Providence Regional Medical Center, situado 50 km ao norte de Seattle, onde as pacientes estão internadas. Segundo ela, as duas estudantes levaram tiros na cabeça e foram operadas.

O jovem atingido na mandíbula e outro aluno, ferido na cabeça, se encontram em estado crítico. Os dois estão internados em outro centro hospitalar da região, o Harborview Medical Center.

O aluno Eric Cervantes disse à KIRO-TV que um funcionário da escola interceptou Fryberg, que atirou em si próprio no pescoço durante uma curta briga. A bala matou Fryberg, mas não está claro se o disparo foi intencional.

O xerife do condado de Snohomish disse que os detetives "conseguiram confirmar que um funcionário do refeitório teria tentado deter o atirador" e, segundo veículos locais, o funcionário seria um professor.

Os disparos foram efetuados por Fryberg, um jovem de origem indígena que seus amigos descreviam como "gentil" e popular e que era um dos astros da equipe de futebol do colégio Marysville-Pilchuck, situado no estado de Washington.

Segundo a emissora CNN, o jovem agiu sozinho e se matou em seguida usando a própria arma, que tinha sido comprada legalmente pelo pai.

De acordo com várias testemunhas, os disparos foram feitos no refeitório do colégio. Um aluno contou ao Seattle Times que Jaylen Fryberg "queria uma garota jovem que não quis sair com ele, e estava entre as pessoas contra as quais ele atirou".

A polícia ainda não fez comentários sobre esta informação, alegando que está no início das investigações.

Como acontece depois de cada a tiros nos Estados Unidos, multiplicaram-se as vozes na mídia e nas redes sociais, pedindo mais restrições à venda de armas de fogo.

Até mesmo o chefe de polícia de Marysville se manifestou neste sentido durante coletiva de imprensa na sexta-feira: "é tempo de examinarmos nossos valores (...) É tempo de agirmos", afirmou.

 Fonte: AFP

domingo, 21 de setembro de 2014

Em Londrina palestra vai discutir uso de armas pela população

Entra em pauta em Londrina nesta sexta-feira (19), a partir das 19h30 na PUC, o uso e porte de armas pela sociedade. Ministrada pelo professor e advogado Benê Barbosa, presidente do Movimento Viva Brasil e um dos mais influentes especialistas no assunto, a palestra "Controle de Armas" visa discutir como o desarmamento vem sendo usado no Brasil para controle social.

Segundo um dos integrantes do Movimento Liberdade Individual, que trará o evento para a cidade, o fotógrafo Daniel Martinon, a ideia é fomentar a discussão sobre a possibilidade de cada pessoa decidir pela compra, uso e transporte de arma de fogo. Para isso, foram convidados estudantes e professores das universidades de Londrina, entidades, associações, representantes do Ministério Público e da Justiça, além de lideranças comunitárias, sindicatos, entre outros.

Um dos pontos chaves para o início do debate é o não respeito, pelo governo federal, da decisão tomada pela população em referendo realizado em 2005, em que a maioria dos brasileiros apontou que não se pode proibir o comércio de armas de fogo e munição no país.

O palestrante Benê Barbosa explicou que mesmo o cidadão preenchendo todos os requisitos legais, cabe a Polícia Federal autorizar ou não a armar para o indivíduo. "Não houve redução da criminalidade e da violência. O Estatuto do Desarmamento só protege o bandido. Ele dificulta a legalização da arma e passa longe de desarmar o criminoso", afirmou.

O organizador do evento também reafirma que a atual medida não traz segurança à sociedade, pelo contrário, a expõe aos riscos da marginalidade. "Há entidades em todo o país, inclusive em Londrina, que tem o viés subversivo, tirando a liberdade do cidadão", colocou. Para estender o debate, a palestra será realizada também no sábado (20), às 14h30, no Auditório Horácio Sabino Coimbra na Sociedade Rural do Paraná (SRP), que fica no Parque de Exposições Ney Braga, na zona leste de Londrina.

Fonte: O diario.com

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Lei que dá poder de polícia às guardas municipais é contestada por PM e MPF

Congresso aprovou lei que dá a guardas civis tarefas de segurança pública.
MJ nega querer criar polícia municipal; Dilma tem até dia 8 para sancioná-la.

Guardas protegem prédio da Secretaria da Educação de Ribeirão Preto (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)

O Ministério Público Federal e os comandantes das Polícias Militares do país contestam a constitucionalidade de uma lei, aprovada em julho no Congresso, que amplia os poderes das guardas civis, estendendo a elas o poder de polícia e também o porte de armas. A presidente Dilma Rousseff tem até o dia 8 de agosto para sancionar a lei, com ou sem vetos.

Segundo o IBGE, em 2012, entre os 5.565 municípios do país, 993 possuíam guardas – 27 estavam em cidades com menos de 5 mil habitantes.

Na prática, a nova lei autoriza esses profissionais a atuarem não apenas na segurança patrimonial (de bens, serviços e instalações), mas também na preservação da vida, na proteção da população e no patrulhamento preventivo. Além disso, a lei atende à reivindicação da categoria ao estruturá-la em carreira única, com progressão funcional e ocupação de cargos em comissão somente pelos próprios agentes.

Ao G1, o subprocurador-geral da República, Mario Bonsaglia, afirmou que o texto cria “polícias municipais”, o que, no entendimento dele, é proibido pela Constituição, que prevê que a tarefa de segurança pública cabe exclusivamente aos estados e à federação.

“Minha impressão é que houve extrapolamento do texto constitucional, que diz que as funções da guarda são de mera proteção de bens, serviços e prédios municipais. Na prática, ela vira polícia e aí temos uma violação. E o que é mais grave: ser uma instituição armada sem o controle externo do Ministério Público, pois a Constituição não prevê isso”, disse Bonsaglia, que preside a câmara nacional do MPF responsável pelo controle externo da atividade policial e do sistema prisional no país.

“Há um risco em, ao dar às guardas um papel que extrapola suas funções, que haja interferência em políticas locais”, destaca o subprocurador-geral da República, acrescentando que o projeto de lei vai além dos limites da Constituição.

"Uma polícia municipal não pode ser criada por projeto de lei, mas por proposta de emenda constitucional. Os municípios não têm este poder", diz Bonsaglia, que aguarda a posição da Presidência para enviar ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, uma análise da inconstitucionalidade do texto.

O Conselho Nacional de Comandantes-Gerais das PMs também contesta a lei. "É evidente que melhorias na segurança precisam acontecer, mas nos parece mais uma medida de cunho corporativo do que uma solução para segurança pública", afirma o presidente da entidade, coronel Márcio Martins Sant'Ana, comandante da PM de Minas Gerais.

Ele acredita que a lei pode atrapalhar em vez de ajudar. "São grandes efetivos que podem não ter treinamento, qualificação e controle para isso. Daí a solução vira problema”, ressalta o comandante da PM de Minas Gerais.

Para o jurista Ives Gandra Martins, o artigo 144 da Constituição aponta que segurança pública é responsabilidade das policiais estaduais, federais e do Corpo de Bombeiros. “Para que a guarda haja em suplementação às atividades da polícia, é necessário uma emenda constitucional", destaca ele.

Regulamentação
Segundo a secretaria nacional de segurança pública (Senasp), Regina Miki, o projeto de autoria do Ministério da Justiça tem por objetivo “regulamentar o que as guardas podem ou não fazer”. Ela negou a intenção de usurpações de funções das polícias estaduais e federais e a intenção de dotar de poder de polícia.
Guardas-civis posicionados na região da Rua 25 de Março, em SP, durante protesto (Foto: Glauco Araújo/G1)

“Nosso objetivo não era transformar a guarda em polícia. O que saiu do ministério foi um estatuto para regulamentar as atividades que eles já estão fazendo e que não tinham uma regulamentação”, afirma Regina.

Ela entende que o projeto de lei nº 39 de 2014 da Câmara, chamado de "Estatuto Geral das Guardas Municipais", traz "segurança para o profissional e para a sociedade". "Não vou entrar em pormenores do texto porque ainda tem que ser sancionado”.

O autor do projeto da lei na Câmara, deputado Arnaldo Faria de Sá, afirmou categoricamente que a ideia era, sim, transferir o policiamento aos municípios: “este realmente é o objetivo, criar uma polícia municipal. As PMs são estaduais. Já as guardas são locais e fortalecem o vínculo comunitário”, diz ele.

O porte de armas para a categoria é regulamentado pelo Estatuto do Desarmamento, de 2003, que prevê que os municípios de mais de 50 mil habitantes tenham direito a porte de arma institucional. A norma também vale em cidades de regiões metropolitanas e capitais com mais de 500 mil habitantes.

Positivo
Já o presidente da Associação Brasileira de Guardas, Ezequiel Farias, entende que a norma só regulamenta o que já está sendo feito na prática. “O que está escrito no texto é o que a guarda já executa no dia a dia, não é inovação nenhuma."

Segundo Farias, "o que ocorre é que há um lobby da PM, que quer monopolizar a segurança pública e acaba prejudicando a população. Isso é um desserviço, tem trabalho para todo mundo". Ele aponta pontos positivos da lei, como a criação do número telefônico nacional 153, exclusivo para atendimento do órgão.

Bruno Langeani, coordenador da ONG Sou da Paz, aponta que a lei provoca um “vácuo onde ninguém está atuando”, como a segurança de escolas e mediação de conflitos. Já o responsável pela área na Viva Rio, o ex-comandante da PM do Rio Ubiratan Ângelo, concorda que, na prática, em muitas cidades, a guarda já realiza ações policiais.

“Com certeza elas não estão preparadas hoje para isso, pois não foram criadas com este fim. Mas podem se preparar. O texto comete um equívoco importante, ao me ver, ao dizer que a guarda tem que ser obrigatoriamente uma instituição armada”, defende ele.

Tahiane Stochero Do G1, em São Paulo

terça-feira, 22 de julho de 2014

Adolescente é morto pela PM após fazer menina refém em escola de Ituiutaba-MG


Escola Municipal Machado de Assis Ituiutaba  (Foto: Marcelo Honorato/ G1)

Adolescente invadiu escola, causou confusão e 
acabou sendo morto (Foto: Marcelo Honorato/ G1)
Um adolescente de 17 anos foi morto pela polícia após invadir a Escola Municipal Machado de Assis em Ituiutaba e fazer uma aluna refém na tarde desta terça-feira (22). Segundo a assessoria de comunicação da Polícia Militar, o rapaz estava bastante exaltado e chegou a ferir um polícial militar e a garota, o que resultou na reação da polícia em disparar contra ele.
O policial Michel Leandro Abraão participou da ação e contou como tudo aconteceu. "Deslocamos um grande efetivo para o local e seguimos todos os protocolos na ocorrência. Iniciamos uma longa negociação, mas o rapaz não cedia, ameaçava a menina com um facão afiado. Quando se percebeu que ele ia realmente cortar o pescoço dela, os policiais se aproximaram do rapaz, seguraram o facão e um PM até cortou a mão. Para salvar a vida da menina foi necessário efetuar disparo de arma de fogo", justificou o policial.

Segundo o diretor da escola, Mário Calil Sobrinho, a estudante feita refém conheceu o adolescente pela internet. "Ele mora em Capinópolis, segundo informações que temos. Os dois portões da escola não ficam abertos, então não foi falta de segurança. Ele chegou e empurrou a moça que toma conta da entrada e foi até o pátio durante o recreio. Lá ele localizou a menina, colocando um facão no pescoço e feriu o dedo dela. Conversei com ela, que estava muito nervosa, e ela me disse que conheceu ele pela internet”, afirmou.

A subsecretária municipal de Educação, Alciene Franco, afirmou que no momento do ocorrido havia cerca de mil alunos na instituição e que o local foi interditado.

Sobre o apoio da polícia, ela disse que existe a Patrulha Escolar. “O município conta com este trabalho que dá suporte às escolas, porém é realizado nos horários de entrada e saída dos alunos. Mas na escola mesmo, temos o porteiro”, explicou.

Por meio de nota da Prefeitura, a Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer informou que a escola conta com um portão que fica trancado durante o período de aula, bem como com um porteiro que fica no local em tempo integral, contudo, o jovem pulou o muro em local não vigiado, mas que a direção da escola também avaliará essa situação.

A secretária da pasta, Lázara Maria Souza, está em viagem para Belo Horizonte e retorna nesta quarta-feira (23).

Policial

O comandante da Polícia Militar, major Fialho, afirmou que o militar que efetuou disparo aguarda resposta da Justiça Militar sobre a penalidade aplicada. Ainda segundo ele, o adolescente havia informado a familiares que mataria a estudante. “Ele (o adolescente) tinha falado com a mãe que mataria a menina ou se mataria. A tia dele que mora em Ituiutaba também confirmou isso para nós da Polícia Militar. Diante da ação, o militar agiu em legítima defesa de terceiros. Isso é um crime militar, já que ele estava em serviço. Está sendo feito o laudo de prisão em flagrante e encaminharemos para a Justiça Militar que definirá se ele vai responder em liberdade ou não. Mas a princípio ele está detido e teremos uma resposta nesta quarta-feira”, afirmou.

Nota de pesar

A Prefeitura de Ituiutaba emitiu uma nota de pesar lamentando o ocorrido na Escola Municipal Machado de Assis. O comunicado informa que as aulas serão suspensas nesta quarta-feira, a fim de contribuir para a apuração dos fatos.

A nota ainda diz que "a direção da escola aguarda as informações oficiais por parte da polícia para expedir ainda nesta quarta-feira uma 'nota oficial' quanto ao fato ocorrido".

A escola foi interditada após o ocorrido (Foto: Marcelo Honorato/ G1)
Fonte: G1 Triângulo Mineiro