domingo, 8 de dezembro de 2013

Motos mais roubadas e furtadas do País

Hornet continua sendo a mais visada, seguida da XT 660

As motos Honda CB600, Yamaha XT660 e Honda CB300 foram as mais roubadas e furtadas no primeiro semestre de 2013 no Brasil. Quem afirma é o Grupo Tracker, empresa de rastreamento.
"Nosso índice de recuperação no segmento motos está em 95%. Só nesse período, o Grupo Tracker evitou um prejuízo de R$1.639.368", explica o diretor Nacional de Operações, Carlos Alberto Betancur.
Os eventos, segundo a empresa, aconteceram principalmente nas cidades de São Paulo (77%), Diadema (6%), São Bernardo do Campo (4%), Ferraz de Vasconcelos (3%) e Rio de Janeiro (3%).
Confira o ranking de roubos e furtos:
1º Honda CB600                                  19,7%
2º Yamaha XT66                                   12,1%
3º Honda CB300                                    9,1%
4º Kawasaki Z750                                  7,6%
5º Honda CBR600                                  6,1%
6º Honda Falcon                                      6,1%
7º Yamaha Fazer                                     6,1%
8º Honda CBR1000                                4,5%
9º Yamaha R1                                          4,5%
10º Honda CG150                                  3,1%
11º Suzuki Bandit 650                             3,1%
12º Suzuki GSX R1000                           3,1%
13º Yamaha XJ6N                                    3,1%
14º Yamaha YZFR6                                  3,1%
15º BMW S1000RR                                 1,5%
16º Honda CB1000                                 1,5%
17º Honda CBR900                                 1,5%
18º Honda CBX250                                 1,5%
19º Kasinski GT250                                 1,5%
20º Kawasaki 250R                                 1,5%

Como pode ser visto acima a Honda CB 600, a Yamaha XT 660 e a Honda CB 300 foram os modelos mais roubados no primeiro semestre de 2013. Juntos, os três modelos representaram 40,9% de todas as ocorrências registradas no segmento nos seis primeiros meses do ano (referente apenas aos segurados da empresa).

Obs: Os números acima refletem apenas as ocorrências com motocicletas de clientes da empresa rastreadora que expediu as estatísticas, não valendo como universo das motos roubadas ou furtadas nas cidades citadas.
Fonte: Grupo Tracker e Estadão

Abaixo, as motos mais roubadas até novembro de 2013, segundo dados do Denatran, divulgados no G1:


10 motos mais roubadas no Brasil até novembro
Lista de seguradoras considera números do Denatran.
Modelos mais vendidos no país, Honda CG 150 e CG 125 lideram ranking.

A Confederação Nacional das Empresas de Seguros (CNseg) listou, a pedido do G1, as motos mais roubadas ou furtadas no Brasil de janeiro a novembro deste ano. Para estabelecer o ranking, a entidade se baseia no banco de dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Segundo as seguradoras, foram registrados, no total, 73.128 casos envolvendo motos nos primeiros 11 meses do ano. O número mais atualizado da frota brasileira, segundo o Denatran, é de setembro, quando circulavam 16.598.024 motocicletas registradas.

A ordem da lista das mais roubadas leva em conta apenas o número de casos, sem considerar a frota de cada veículo para gerar um ranqueamento proporcional. Assim, a Honda CG 125 e a CG 150, duas das motocicletas mais vendidas no Brasil, aparecem sempre no topo.

A Honda domina a lista das dez mais (veja abaixo) porque é a marca que domina o mercado -de acordo com números da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave, 79,6% das motos vendidas de janeiro a novembro são dela.

DEZ MOTOS MAIS ROUBADAS NO BRASIL *de janeiro a novembro 2013

modelo                                                          número de casos

Honda CG 125                                                          20.875
Honda CG 150                                                          11.513
Honda CBX                                                                 6.277
Honda NXR 150                                                          5.000
Honda C100                                                                 4.639
Honda Biz                                                                     4.014
Yamaha YBR                                                                3.881
Yamaha Fazer                                                               2.332
Honda XR                                                                    1.833
Honda NX-4                                                                1.793

Fonte: Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg)

Os casos de roubos e furtos de motos esportivas e de luxo têm ganhado destaque na imprensa. Na última quinta-feira (29), um casal que viajava com uma Honda CBR 1000 RR foi morto a tiros após tentativa de assalto na Avenida dos Bandeirantes, em São Paulo. A polícia civil considera essa como uma das vias mais visadas pelos ladrões de motos na cidade
Fonte: G1

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Músicas de protesto à Ditadura no Brasil

O golpe militar de 1964 instaurou no Brasil uma forte censura, praticada através dos Atos Institucionais (AI’s)criados para aumentar a repressão do Estado sobre a população ou qualquer manifestação que fosse contrária ao governo imposto no país. Não demorou para a música – enquanto manifestação artístico-cultural de forte teor político – estar entre os principais alvos da censura. Mas nem isso calava a voz dos artistas. Assim, conheça 10 músicas de protesto à Ditadura Militar.
Se você curte este tema e deseja ler algo para aprofundar ainda mais no assunto, sugerimos a leitura do livroCale-se: Mpb e Ditadura Militar, que trata das letras das canções compostas nos anos mais duros da ditadura (1964 a 1974), e reforça a ideia de que a música serviu – e serve – como uma importante ferramenta de comunicação, carregando mensagens (as mais variadas possíveis) com as palavras e frases que formam suas letras.
Livro Cale-se, Mpb e a Ditadura Militar
Vale ressaltar que nem todas as músicas foram criadas como forma de protesto. Por exemplo, alguns cantores, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, compunham músicas com forte teor político e social, mas nem sempre faziam críticas diretas à ditadura. Porém, são citadas por fazerem parte de um momento histórico único em nossa história, caracterizado pela efervescência cultural.
Tentei encontrar as versões originais das músicas, para mostrar o clima da época e a relação dos artistas com seu público. Porém, isto compromete um pouco a qualidade do vídeo. Mas vale a pena. Confiram!

1- Alegria, alegria

A música Alegria, Alegria foi lançada em 1967, por Caetano Veloso. Valorizava a ironia, a rebeldia e o anarquismo a partir de fragmentos do dia-a-dia. Em cada verso, revelações da opressão ao cidadão em todas as esferas sociais. A letra critica o abuso do poder e da violência, as más condições do contexto educacional e cultural estabelecido pelos militares, aos quais interessava formar brasileiros alienados.
Trecho: O sol se reparte em crimes/Espaçonaves, guerrilhas/Em cardinales bonitas/Eu vou…

2- Caminhando

Caminhando (Pra não dizer que falei das flores) é uma música de Geraldo Vandré, lançada em 1968. Vandré foi um dos primeiros artistas a ser perseguido e censurado pelo governo militar. A música foi a sensação do Festival de Música Brasileira da TV Record, se transformando em um hino para os cidadãos que lutavam pela abertura política. Através dela, Vandré chamava o público à revolta contra o regime ditatorial e ainda fazia fortes provocações ao exército.
Trecho: Há soldados armados / Amados ou não / Quase todos perdidos / De armas na mão / Nos quartéis lhes ensinam / Uma antiga lição: De morrer pela pátria / E viver sem razão

3- Cálice

A música Cálice, lançada por Chico Buarque em 1973, faz alusão a oração de Jesus Cristo dirigida a Deus no Jardim do Getsêmane: “Pai, afasta de mim este cálice”. Para quem lutava pela democracia, o silêncio também era uma forma de morte. Para os ditadores, a morte era uma forma de silêncio. Daí nasceu a ideia de Chico Buarque: explorar a sonoridade e o duplo sentido das palavras “cálice” e “cale-se” para criticar o regime instaurado.
Trecho: De muito gorda a porca já não anda (Cálice!) / De muito usada a faca já não corta / Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!) / Essa palavra presa na garganta

4- O bêbado e o equilibrista

O bêbado e o equilibrista, foi composto por Aldir Blanc e João Bosco e gravado por Elis Regina, em 1979. Representava o pedido da população pela anistia ampla, geral e irrestrita, um movimento consolidado no final da década de 70. A letra fala sobre o choro de Marias e Clarisses, em alusão às esposas do operário Manuel Fiel Filho e do jornalista Vladimir Herzog, assassinados sob tortura pelo exército.
Trecho: Que sonha com a volta / Do irmão do Henfil / Com tanta gente que partiu / Num rabo de foguete / Chora! A nossa Pátria Mãe gentil / Choram Marias e Clarisses / No solo do Brasil…

5- Mosca na sopa

Mosca na sopa é uma música de Raul Seixas, lançada em 1973. Apesar das controvérsias acerca do sentido da música, a letra faz uma referência clara à ditadura militar. Através de uma metáfora, o povo é a “mosca” e, a ditadura militar, “a sopa”. Desta forma, o povo é apresentado como aquele que incomoda, que não pode ser eliminado, pois sempre vão existir aqueles que se levantam contra regimes opressores.
Trecho: E não adianta / Vir me detetizar / Pois nem o DDT / Pode assim me exterminar / Porque você mata uma / E vem outra em meu lugar…

6-É proibido proibir

É proibido proibir é uma música de Caetano Veloso, lançada em 1968. Esta canção era uma manifestação das grandes mudanças culturais que estavam ocorrendo no mundo na década de 1960. Na apresentação realizada no Teatro da Universidade Católica de São Paulo, a música de Caetano foi recebida com furiosa vaia pelo público que lotava o auditório. Indignado, Caetano fez um longo e inflamado discurso que quase não se podia ouvir, tamanho era o barulho dentro do teatro.
Trecho: Me dê um beijo meu amor / Eles estão nos esperando / Os automóveis ardem em chamas / Derrubar as prateleiras / As estantes, as estátuas / As vidraças, louças / Livros, sim…

7-Apesar de você

Depois de Geraldo Vandré, Chico Buarque se tornou o artista mais odiado pelo governo militar, tendo dezenas de músicas censuradas. Apesar de você foi lançada em 1970, durante o governo do general Médici. A letra faz uma clara referência a este ditador. Para driblar a censura, ele afirmou que a música contava a história de uma briga de casal, cuja esposa era muito autoritária. A desculpa funcionou e o disco foi gravado, mas os oficiais do exército logo perceberam a real intenção e a canção foi proibida de tocar nas rádios.
Trecho: Quando chegar o momento / Esse meu sofrimento / Vou cobrar com juros. Juro! / Todo esse amor reprimido / Esse grito contido / Esse samba no escuro

8- Acender as velas

A música Acender as velas, lançada em 1965, é considerada uma das maiores composições do sambista Zé Keti. Esta música inclui-se entre as músicas de protesto da fase posterior a 1964. A letra deste samba possui um impacto forte, criado pelo relato dramático do dia-a-dia da favela. Faz uma crítica social as péssimas condições de vida nos morros do Rio de Janeiro, na década de 1960.
Trecho: Acender as velas / Já é profissão / Quando não tem samba / Tem desilusão / É mais um coração / Que deixa de bater / Um anjo vai pro céu

9- Que as crianças cantem livres

Que as crianças cantem livres é uma composição de Taiguara, lançada em 1973. No mesmo ano, o cantor se exilou em Londres, tendo sido um dos artistas mais perseguidos durante a ditadura militar. Taiguara teve 68 canções censuradas, durante o período de maior endurecimento do regime, no fim da década de 1960 até meados da década de 1970.
Trecho: E que as crianças cantem livres sobre os muros / E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor / E que o passado abra os presentes pro futuro / Que não dormiu e preparou o amanhecer…

10- Jorge Maravilha

Jorge Maravilha, lançada em 1974, é mais uma música de Chico Buarque, agora sob o pseudônimo de Julinho de Adelaide, criado para driblar a censura. Os versos “você não gosta de mim, mas sua filha gosta” parecia uma relação conflituosa entre sogro, genro e filha. Mas, na verdade, fazia alusão à família do general Geisel. Geisel odiava Chico Buarque. No entanto, a filha do militar manifestava interesse pelo trabalho do compositor.
Trecho: E como já dizia Jorge Maravilha / Prenhe de razão / Mais vale uma filha na mão / Do que dois pais voando / Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Fonte: historiadigital.org

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

'MMA medieval' - Guerreiros podem usar escudos, espadas e armaduras para lutar.

Já imaginou uma luta de MMA onde os lutadores usam roupas e armas medievais para duelar, como na Idade Média? Na Polônia, isso é real! Pessoas apaixonadas por esse estilo se juntaram para formar a PLWR (Polska Liga Walk Rycerskich), uma espécie de Liga Polonesa de Cavaleiros medievais, que consiste em vários combates entre guerreiros com armaduras, espadas e escudos; tudo de verdade!

E quem pensa que tudo não passa de armação se engana. A luta é bem séria. Ninguém morre, mas os combates são cheios de vontade e determinação. O desafio pode ser realizado com um grupo de guerreiros contra outro, ou no um-contra-um. Ganha quem derrubar o adversário ou fizer mais pontos. Curioso para ver essa inusitada disputa?

Então confira no vídeo abaixo:
Fonte: Yahoo

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Vídeos de instrução de manutenção de armas da Taurus

A Taurus preparou alguns vídeos de instrução para auxiliar a fazer a correta manutenção de suas armas de fogo. Vale a pena assistir para saber quais são os cuidados necessários para manter sua arma sempre disponível para uso.

Diretamente do site DEFESA.ORG

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Opinião de espeialista

Coluna Ponto de Vista, do jornal Correio de Uberlândia, trás a opinião de especialista em segurança patrimonial, sobre a Polícia Militar.

Polícia de mentira

As ações policiais geram julgamentos apaixonados desde o início do século XIX. Em que pesem as divergências das atuações policiais, não se pode ignorar a emergência para as organizações, que têm refletido verdadeiramente diante às dificuldades que ganharam o acesso à agenda da segurança pública brasileira.

As polícias estão à disposição da sociedade e não contra a sociedade, como querem atribuir alguns! Embora exista o apontamento de atos de violência por parte de policiais, não é justo que o resultado seja generalizado a ponto de causar na sociedade adesão incondicional de insatisfação com as instituições policiais atingindo o nível absurdo de 90%. Todos os atos praticados com excessos por policiais são apurados na forma da lei e são punidos com rigor, se provados.

Portanto, entendo que foi inconsequente e desproporcional a pesquisa do 7º Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, porque utilizou um período atípico, envolvendo as manifestações de junho de 2013. Transformou-o em algo abominável, em particular, desfavorável às Instituições policiais e, provavelmente, tenha ouvido pessoas que foram às ruas manifestarem em confrontos com a PM, senão vejamos: segundo o 7º Anuário, divulgado em 05/11/2013 e produzidos pela pesquisa Índice de Confiança na Justiça Brasileira (ICJBrasil), da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de São Paulo, os brasileiros estão confiando menos na polícia. Essas informações apresentadas no anuário foram coletadas junto a 3,3 mil pessoas de sete estados brasileiros no último semestre.

Conforme o secretário-geral do fórum, Renato Sérgio de Lima, o levantamento se sustenta pela insatisfação da população em relação à atuação das polícias nos protestos populares de junho deste ano e isso foi mais um fator para influenciar o índice de desconfiança. Ainda segundo o anuário descrito também pelo professor da FGV Rafael Alcadipani, afirma que alguns fatores que contribuem para a desconfiança nas polícias são a baixa taxa de resolução dos crimes, a burocracia no atendimento ao cidadão e a imagem de violência que está associada às polícias, principalmente, à Polícia Militar.

Em primeiro lugar, as informações, bases da pesquisa, são escassas e é sabido que uma informação em período atípico como foi o caso das manifestações de junho, não deveria servir de análise crítica, que pode pôr em questão a própria visão de valores sociais entendidos pela sociedade. E esta, diante da dissensão entre seus valores pessoais que possa levar a preferir e deixar de lado a informação real dos fatos e passar a uma visão surreal das polícias.

Segundo, uma pesquisa dessa magnitude, que podem ocasionar reflexos sérios na opinião da sociedade, não pode obedecer à simplicidade, referindo-se sem observar o valor quantitativo e qualitativo. Ela deveria ter consistência e nexo por temas recorrentes e dos discursos imediatos. O trabalho ostensivo das forças de segurança pública (polícias) não tem sido nada fácil nos últimos meses, mas teve o apoio da sociedade ordeira em até 90% contrários aos atos de vandalismos interpretados por ditos manifestantes. O risco dessa pesquisa consiste em que se confunda o desenho das polícias, com o profundo sistema irreal da pesquisa, e que o trabalho se perceba tal como pretende ser, e não tal como realmente foi ou gostaria que ele fosse.

Diógenes Pereira da Silva - Especialista em segurança patrimonial
Fonte: Correio de Uberlândia

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Análise do Revólver Taurus Raging Bull .454 Casull



Fonte: Defesa.org

Posse irregular apenas de munição não é crime

É conduta atípica a posse irregular de pequena quantidade de munição, desde que esta não se destine à comercialização e que não esteja acompanhada do armamento. O entendimento levou a 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a reformar sentença que condenou um praticante de tiro esportivo por posse irregular de cartuchos e pólvora, com base no Estatuto do Desarmamento.

O relator da Apelação, desembargador Rogério Gesta Leal, afirmou no acórdão que a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça considera atípica a conduta de portar munição ilegalmente, já que não há lesão ao bem jurídico tutelado.

Segundo a jurisprudência citada, firmada em Recurso Especial julgado em 28 de setembro de 2010, ‘‘inexiste o delito de porte ilegal de munição se não há a presença da arma de fogo, já que o princípio da ofensividade em Direito Penal exige um mínimo de perigo concreto ao bem jurídico tutelado pela norma, não bastando a simples indicação de perigo abstrato’’.

O relator também citou precedente do próprio colegiado, numa Apelação-Crime julgada em 26 de setembro de 2013. Diz o excerto: ‘‘Portar munição de pouca expressão não demonstra a potencialidade lesiva necessária para caracterizar crime tipificado na lei de armas’’.

‘‘Nota-se que o precedente colacionado se refere ao porte ilegal de munição, quando no caso em tela temos a ocorrência da posse ilegal de munição, circunstância esta que é benéfica ao réu, eis que se trata de conduta menos gravosa. Assim, aplicável a analogia, pois in bonam partem’’, encerrou o desembargador-relator. O acórdão foi lavrado na sessão do dia 17 de outubro.

A denúncia do MP
No dia 30 de dezembro de 2009, cumprindo Mandado de Busca e Apreensão, agentes da Delegacia de Polícia de Estrela encontraram cartuchos, pólvora e um vidro contendo chumbo para carregar cartucho de espingarda na casa de Paulo César Eleutério, morador no Bairro das Indústrias. A ação policial tinha por objetivo encontrar objetos furtados.

Com base no inquérito policial, o Ministério Público estadual ofereceu denúncia contra Paulo César, dando-o com incurso nas sanções do artigo 16, caput, da Lei 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento) — posse ilegal de arma de fogo ou munição.

Em juízo, o réu se defendeu. Alegou que comprou e registrou uma espingarda de caça, para tiro esportivo, vendendo-a, posteriormente. Os artefatos encontrados pela Polícia na sua residência ‘‘vieram junto’’ com a arma. Afirmou ter formalizado a venda da arma, mas o comprador deixou de proceder ao novo registro. Quanto às munições de uso restrito do Exército, disse que pertenciam ao irmão, que o presenteara há quase uma década. Estas eram utilizadas como peça de decoração.

A sentença
O juiz Rodrigo de Azevedo Bortoli, da 1ª Vara Judicial daquela comarca, julgou a demanda procedente, por entender que os autos e os depoimentos vão no mesmo sentido do objeto da denúncia narrada na inicial. Ou seja, a materialidade do fato e sua autoria foram comprovadas.

Após digredir sobre a evolução do Estatuto do Desarmamento, o juiz explicou que a punibilidade só poderia ser extinta se o autor entregasse a arma às autoridades por iniciativa própria, o que não ocorreu. Ou seja, não ficou demonstrada qualquer intenção de entrega espontânea das armas/munições à autoridade competente.

‘‘Além disso, na compreensão deste Juízo, mais uma vez com a máxima vênia ao entendimento em contrário, o posicionamento que reputa a abolitio criminis representa um contrassenso em relação à teleologia do Estatuto do Desarmamento, com o incentivo à entrega das armas de fogo (regulares ou não) devendo ser entendido em sintonia com a respectiva legislação — diminuir o número de armamentos em trânsito no país’’, escreveu na sentença.

Assim, o julgador condenou o réu à pena de dois anos e seis meses de reclusão, em regime aberto; e ao pagamento de multa, fixada em 10 dias, à razão unitária de um trigésimo do salário-mínimo vigente ao tempo do fato. Na dosimetria, a pena privativa de liberdade foi substituída por duas penas restritivas de direitos, sendo: prestação de serviços à comunidade, em regime de cinco horas semanais, até completar 900 horas; e prestação pecuniária fixada no valor de meio salário-mínimo, em favor de entidade escolhida pelo juízo de execução.
Maiores informações:
Clique aqui para ler a sentença.
Clique aqui para o acórdão.
Clique aqui para ler o Estatuto do Desarmamento.
Fonte: Defesa.org