sexta-feira, 20 de abril de 2012

Rio+20 terá 47 bombeiros em motocicletas - Agilidade sobre duas rodas!

Por Ludmilla de Lima / Agência O Globo

RIO - O trânsito caótico do Rio não é só um tormento para quem está ao volante ou dentro dos ônibus, como para quem precisa de socorro e depende do deslocamento rápido do Corpo de Bombeiros. Para driblar os engarrafamentos da cidade, a corporação aumentará de 17 para 47 sua frota de motocicletas no estado até o início de junho, já para a Rio+20, e inovará com a criação de equipes sobre duas rodas para o combate a incêndios e salvamentos. Hoje, os bombeiros motociclistas apenas atuam em atendimentos pré-hospitalares. O tempo médio gasto por esses militares até os locais mais distantes ou de mais difícil acesso é de apenas cinco minutos. 

Já com os veículos tradicionais, principalmente nos horários de rush, nem sempre é possível atingir a meta do Corpo de Bombeiros de chegar ao endereço do chamado em até dez minutos.

- Fizemos um teste no horário de rush. Nós saímos do Quartel de Vila Isabel e fomos fazer um atendimento na Tijuca, na Praça Xavier de Brito, no final da tarde de uma quarta-feira. Nós levamos 4 minutos para chegar com as motocicletas, enquanto a nossa ambulância levou 14 minutos. Não foi culpa da ambulância. Fomos muito rápido, somos preparados para sair em menos de um minuto do quartel. Mas há essa dificuldade de vencer o tráfego - conta o coordenador das operações com motocicletas do Corpo de Bombeiros, major Luís Henrique de Carvalho.

O Quartel de Vila Isabel está entre os primeiros que receberão parte das 30 motocicletas modelo Yamaha XT 660, licitadas pelo estado no valor de R$ 30 mil cada. O tráfego próximo à unidade é considerado um dos mais complicados pelo major, autor de todo o projeto de operação, tema de sua monografia no curso de pós-graduação para capitães dos Bombeiros. Os outros quartéis que entraram na lista inicial, com base em estudos feitos pelo major, são o 3º GBM, no Centro de Niterói, o 1º GBM, no Humaitá, e o 17º GBM, em Copacabana. O 14º GBM, em Duque de Caxias, e o 1º GBS, grupamento de busca e salvamento na Barra da Tijuca, terão sua frota de motos reforçada.

Na próxima segunda-feira, uma turma de 20 militares começará um curso de capacitação de 13 semanas para bombeiros motociclistas. Outros 16, do grupo que já trabalha no atendimento pré-hospitalar, já passaram pelas aulas. As equipes são consideradas estratégicas para a realização de atendimentos durante a Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, de 13 a 22 de junho: como noticiou o GLOBO nesta quinta-feira, ao volume de veículos que circula pelas ruas no Rio (hoje uma frota de cerca de 2,5 milhões na cidade, mais que o dobro do 1,1 milhão de 1992), somarão-se militares em comboios de autoridades, batedores do Exército e seguranças em torno de hotéis, trajetos e locais de eventos.

- Nós estamos nos preparando para grandes problemas no tráfego durante a Rio+20, principalmente nos trajetos dos aeroportos para os hotéis, e dos hotéis para o Riocentro. A corporação estuda meios para lidar com essa dificuldade. E as motocicletas serão muito empregadas nesse período - adianta o major Luís Henrique, acrescentando que os motociclistas poderão ainda ser empregados, se necessário, na escolta de chefes de estado e governo.

Ele diz que um veículo em formato de van, equipado para os três socorros (pré-hospitalar, combate a incêndio e salvamento), também deve ser utilizado nas áreas afetadas pela conferência por causa da sua mobilidade, maior do que a dos caminhões dos bombeiros. A corporação possui hoje cerca de 60 veículos do tipo, chamado de Auto Tático de Emergência (ATE).

Bombeiros motociclistas se deslocarão em trios

As motocicletas, que hoje se deslocam em dupla com profissionais da área de saúde, seguirão a partir de junho em trio para os chamados. Um motociclista será o responsável pelo atendimento pré-hospitalar; outro pelo salvamento, carregando na moto ferramentas como pinças hidráulicas (usadas para cortar ferragens), e o terceiro pelo combate a incêndio, uma novidade no Brasil. O Corpo de Bombeiros testa, desde novembro do ano passado, equipamentos importados, acoplados às motos, especiais para apagar chamas. Os cilindros instalados junto ao veículo armazenam 50 litros de água e de agente gerador de espuma, este na proporção de 3,6%. A mistura é vista como ecologicamente correta pelos bombeiros por não gastar muita água e ser, ao mesmo tempo, eficiente. O equipamento, utilizado em poucos países, como Dinamarca, Grécia e China, ainda será licitado pelo estado.

O major que elaborou o projeto explica que as motocicletas não anulam a necessidade de veículos maiores em situações de emergência.

- O socorro tradicional não deixa de ser necessário. Mas a rápida chegada a um incêndio incipiente pode evitar que ele se torne um mega incêndio. Neste caso, a motocicleta pode ir na frente, ajudando a resolver o problema, enquanto as viaturas tradicionais estarão se deslocando - garante o bombeiro, que dá um exemplo de aplicação prática. - Se um carro pega fogo na Avenida Presidente Vargas às 18h, a viatura grande vai demorar mais a chegar, enquanto a moto levará pouquíssimo tempo.

E o tempo pode ser o fiel de balança na hora de salvar uma vida ou evitar um incêndio de grandes proporções. O sargento Claudio de Souza Pereira acumula uma experiência de sete anos no socorro pré-hospitalar de moto e comprova a diferença, especialmente quando se trata de Centro e Zona Sul.

- Nosso tempo resposta é bem melhor do que numa viatura de grande porte - afirma o sargento, que completa: - Sou mais solicitado para atropelamentos, colisões de veículos e quedas de moto.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Evento inédito reúne apaixonados por Harley Davidson em Cuba - VRUM

Aproximadamente 100 motocicletas produzidas antes de 1960 estavam no encontro, em Varadero
Símbolo da liberdade sobre rodas, as motocicletas Harley Davidson são cobiçadas em todo o mundo, inclusive em Cuba. A ilha de 'Fidel' nunca havia feito nenhum evento para reunir os apaixonados pela marca americana, mas no último fim de semana, cerca de 100 proprietários de antigas Harley Davidson, produzidas antes de 1960, se encontraram em uma praia de Varadero, distante 140 km da capital, Havana.
Fã da Harley, José Júlio, de 101 anos, foi ao evento em Varadero

As clássicas motos foram as próprias atrações da praia, mas quem também chamou a atenção foi José Júlio Puing, um entusiasta da marca que mesmo aos 101 anos, fez questão de participar do evento e mostrar sua Harley. 
Por: Marcello Oliveira - Portal Vrum
Enviado por: Renato - UFRRJ

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Líderes americanos criam centro regional contra criminalidade

Os países reunidos na 6ª Cúpula das Américas, em Cartagena, decidiram neste domingo criar um centro interamericano contra o crime organizado, com sede no México, informou o presidente mexicano, Felipe Calderón.

"O México propôs, e a Cúpula aprovou, a criação de um sistema interamericano contra o crime organizado" antes do final do ano, declarou Calderón em entrevista coletiva.

O presidente destacou que a proposta recebeu "o apoio unânime" dos 33 países participantes da Cúpula, incluindo Estados Unidos, Canadá e as demais Nações da Organização dos Estados Americanos (OEA).

"Porque queremos que funcione, vamos tomar as primeiras medidas para organizá-lo. Vamos criar o centro e vamos convocar os países, organizar as reuniões e dar o acompanhamento técnico".

"O fruto destas deliberações irá configurar uma rede continental que articule as políticas e as ações para se por em prática no terreno", afirmou o líder mexicano.

Fonte: Terra Notícias

domingo, 11 de março de 2012

Impressões sobre a Tenere 660Z

Para quem estiver buscando informações sobre a Tenere 660Z, acessem os links abaixo, é do clube XT600 Brasil e leva direto para a opinião de quem comprou a Tenere 660Z, vale a pena conferir e se cadastrar no site, a galera por lá é muito gente boa.

Abaixo, seguem os links:

http://www.forumxt600.com.br/forum/viewtopic.php?t=35907&postdays=0&c=1&postorder=asc&mode=&poster_id=0&start=15

http://xt660.com.br/showthread.php?2614-Minha-nova-XT660Z/page2&s=cd1d700a4f44df1acd8525932e2d3294

Agora, um vídeo da XT 660Z, onde mostra o testemunho de um casal sobre a moto, em uma viagem a partir da Colombia através da América Latina para ver o DAKAR 2011.

domingo, 4 de março de 2012

Governo do Rio poderá importar blindados para substituir 'caveirões'

Os veículos blindados usados pelas polícias Civil e Militar do Rio, conhecidos como “pacificadores” ou, popularmente, como “caveirões", serão substituídos por uma frota mais ágil e moderna. O governo do Rio está preparando uma licitação para a compra, que poderá envolver fabricantes internacionais. Especialistas da Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) estiveram nesta semana na África do Sul verificando os veículos usados pelo governo daquele país. Também já foram avaliados blindados russos e israelenses.

A possível compra de blindados estrangeiros é contestada pelo pesquisador de assuntos militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Expedito Stephani Bastos. Se a importação for concretizada, ele teme que isso enfraqueça a indústria brasileira do setor, favorecendo a geração de empregos apenas no exterior.

“Nós temos veículos maravilhosos e vamos dar emprego em outros países. Isso mostra que não existe uniformidade em nossa estratégia nacional de defesa. Quando o governo divulga que quer recriar a indústria de defesa brasileira, compras desse tipo só atrapalham, não ajudam em nada”, disse o pesquisador.

Outro empecilho se houver importação, segundo ele, será a dificuldade na reposição de peças e equipamentos, o que poderá deixar os veículos fora de operação por um longo tempo. “Não adianta comprar um blindado importado, porque haverá uma cadeia logística extremamente cara e na hora em que não houver mais suporte esses veículos vão ser sucateados. Vai acontecer de ficarem parados várias semanas esperando uma peça, assim como já ocorre com aviões e helicópteros.”

Para o pesquisador da universidade mineira, a compra de blindados urbanos no exterior não se justifica, mesmo que o preço seja mais baixo. “Esses veículos são bons, mas não têm nada de sofisticação que a nossa indústria não tenha capacidade de fazer. É um patamar tecnológico que o Brasil dominou nos anos 1980. Mesmo que aqui saísse mais caro, agregar tecnologia e desenvolver um produto nacional é muito mais importante do que trazer de fora.”

A solução, segundo Expedito, é investir em empresas nacionais que já produzem veículos semelhantes. “Nós tivemos boas empresas e ainda temos algumas sobreviventes que têm capacidade de produzir e de criar dentro da uniformidade que se necessita. Mas não se investem nelas e não se abrem linhas de financiamento.”

O governo do Rio divulgou nota informando que a compra de novos blindados faz parte de uma série de medidas adotadas para atender a demanda de segurança dos grandes eventos internacionais que serão realizados nos próximos anos, principalmente a Copa do Mundo e as Olimpíadas. A assessoria da Seseg não soube dizer quantos blindados estão sendo cogitados, nem o valor total da compra. Disse apenas que a aquisição seguirá a Lei 8.666 [lei das licitações]. Um aviso público com as especificações do novo blindado foi publicado pela Seseg no dia 6 de fevereiro e enviado a embaixadas de diversos países.

Mas nem a proximidade dos eventos esportivos e a necessidade de modernização rápida da frota convencem o pesquisador da UFJF de que será preciso haver importação. “Querem tudo pronto, em prol de Copa do Mundo e de Olimpíadas. [Se houver importação] nós não estaremos comprando a tecnologia. Estaremos virando meros usuários de veículos. É o nosso grande erro estratégico. Na hora em que abrir esse corredor, todos [os estados] vão comprar e a indústria nacional acaba.”

Fonte: Vladimir Platonow, da Agência Brasil | Yahoo! Notícias

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Nova big trail aventureira da Honda: Crosstourer

Carlos Bazela

Depois de aparecer ainda como moto conceito durante o Salão de Milão de 2010, Crosstourer chega agora ao mercado europeu por 14.400 Euros. A nova moto é a aposta da Honda dentro do concorrido mercado das bigtrails de alta cilindrada e já tem uma missão: tirar a coroa de preferida dos europeus – a BMW R 1200 GS Adventure. Entretanto, é possível que a Honda resolva estender o “ataque” para outros países nos quais a aventureira alemã também está presente fora do velho mundo, como o Brasil.
Mesmo antes de ser oficializada como modelo 2012, o design da Crosstourer já mostrava para o que veio. A carenagem frontal robusta e o grande pára-brisas protegem o piloto do vento em uma estrada convencional e de lama e pedregulhos quando passar por um caminho mais acidentado. Os locais para instalação de malas laterais e topcase também estão presentes na rabeta, que por sua vez conta com a simplicidade do conjunto de iluminação traseiro.
Além do desenho, a Honda Crosstourer e a BMW Adventure também têm em comum as rodas raiadas, ideais para pilotagens off-road e o mesmo estilo de pára-lama dianteiro em forma de bico, que já se tornou marca registrada nas motos desse segmento. Além disso, a gama de acessórios que compõem o catálogo da nova Honda também figuram em outras aventureiras além da BMW, como a Triumph Tiger Explorer. A marca japonesa também oferece, por exemplo, faróis de neblina que, assim como nas concorrentes, ficam estrategicamente posicionados abaixo do “escudo” formado pelas carenagens frontal e lateral.

Motor e ciclística
Se o design parece ser uma receita prescrita para o segmento, em matéria de motorização a Crosstourer é diferente das suas rivais. Equipada com o mesmo motor com quatro cilindros em “V” de 1237 cm³ da VFR 1200F, o propulsor tem diâmetro x curso de 81 x 60 mm, além de ser capaz de gerar 129 cv de potência máxima a 7.750 rpm. Tudo montado em um chassi de alumínio do tipo diamante.
O torque de 12,8 kgf.m chega à roda traseira por meio do eixo-cardã, enquanto o conhecido sistema Combined ABS é responsável por conter a potência do motor. Para ajudar nesta tarefa, a Crosstourer conta ainda com discos duplos de 310 mm de diâmetro na dianteira e simples com diâmetro de 276 mm na roda traseira. Medidas suficientes para segurar o piloto e os 285 kg de peso seco da aventureira japonesa.
Como não poderia deixar de ser, a nova bigtrail da Honda é alta – 1335 mm equipada com o pára-brisa de série – e alongada, medindo 2285 mm de comprimento. A suspensão dianteira é hidráulica com garfo telescópico invertido “upside-down”, com ajuste de pré-carga da mola; enquanto o monobraço, que segura a roda traseira é reforçado por uma suspensão Pró-link a gás, também com pré-carga da mola ajustável. Em ambos os lados, o curso é de 107 mm.

Câmbio automático

Tecnologia embarcada é a arma da Crosstourer para ganhar espaço no mercado europeu. Além do controle de tração e dos freios ABS, a Crosstourer oferece ainda o Dual Clutch Transmission (DTC) sistema de embreagem dupla (DTC) herdado da VFR e que está presente também nos modelos mais recentes apresentados pela Honda, como o scooter Integra e a linha NC 700.

Entretanto, a presença de um câmbio automático em uma moto cuja proposta fora-de-estrada é forte, pode não ser recebida de braços abertos pelos motociclistas mais tradicionais – ainda que essa opção possa ser desligada. Por isso, a Honda irá colocar à venda também uma versão de entrada da Crosstourer sem o sistema DCT que, inclusive, é dez quilos mais leve do que a versão top de linha.

Do lado de cá

Ainda é muito cedo para falarmos sobre a chegada da Crosstourer no Brasil, uma vez que ela chega às revendas europeias apenas em abril. Entretanto, diversos fatores contribuem para sua vinda para o mercado nacional, como a presença da VFR 1200F, cuja mecânica é similar e já está nas concessionárias desde o começo do ano passado. O fato da BMW R 1200 GS também ser vendida aqui deve ser levado em conta. Afinal a Honda não deve perder a oportunidade de pôr a Crosstourer para brigar com sua maior rival ainda que em outra arena.

Fotos: Divulgação

De acordo com o que foi publicado recentemente (20 de abril de 2012) no Portal Big Trails, a Honda Crosstourer ganhará versão ainda mais sofisticada.

Apelidada de SE, a versão sairá da fábrica com um case de 32 litros, aumentando a capacidade da moto para 123 litros, além de itens como cavalete central, manoplas aquecidas e barras de proteção

A fabricante de motocicletas Honda anunciou que o modelo Crosstourer ganhará uma versão sofisticada. Apelidada de SE, a versão sairá da fábrica com um case de 32 litros, aumentando a capacidade da moto para 123 litros. Itens como cavalete central, manoplas aquecidas e barras de proteção também sairão de fábrica. Quem terá o benefício será o público britânico, pois o modelo será lançado somente na Inglaterra, pelo preço de £13.375 (R$ 38.702).

A moto chegou ao mercado europeu em abril pelo preço definido de £12.235 (cerca de R$33.400). A primeira vez que a Crosstourer deu o ar de sua graça foi durante o Salão de Milão de 2010, onde ainda era apenas uma moto conceito.

Em 2011 ela foi confirmada como modelo de linha e conta com o mesmo motor VFR 1200F, um V4 de 1200 cm³. Outro aspecto que as motos compartilham é a embreagem dupla (TCT).

Fonte: Portal Big Trails

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Brasil, produtor e exportador de armas!

Uma pequena lata metálica, arranhada e atirada ao chão, gerou o primeiro vexame diplomático brasileiro de 2012. Trata-se de uma lata de gás lacrimogêneo recolhida por ativistas pró-liberdade no Bahrein, no Golfo Pérsico, que estampava na lateral, em azul, a bandeira brasileira e os dizeres “made in Brazil”.
Bomba de gás lacrimogêneo brasileira usada no Bahrein. (Foto: Divulgação)

Há um ano o Bahrein tem sido palco de protestos pró-democracia da maioria xiita contra a monarquia sunita comandada pelo rei Hamad Bin Issa al-Khalifa. Os manifestantes têm sido reprimidos pelo exército do Bahrein e de países vizinhos. Pelo menos 35 pessoas morreram e centenas foram feridas.

Segundo os manifestantes, o gás brasileiro usado para reprimi-los teria até causado a morte de bebês. “Há algum tipo de ingrediente que, em alguns casos, leva as pessoas a espumarem pela boca e outros sintomas”, disse a ativista de direitos humanos Zainab al-Khawaja ao jornal O Globo.

Mas, quase um mês depois da denúncia, pouco se sabe como o gás fabricado pela empresa Condor Tecnologias Não Letais foi parar nas mãos de tropas que reprimem manifestações pró-democracia.

A empresa, sediada em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, afirma que não exporta para o Bahrein, mas diz que vende para outros países da região, sem identificá-los.

Toda exportação de armas, mesmo não letais, é aprovada pelo Itamaraty e pelo Ministério da Defesa. Mas, uma vez aprovada, o governo não pode fazer muito. O próprio Itamaraty reconhece que não tem poder de investigar: depois do escândalo do Barhein, a assessoria do Itamaraty informou que o ministério está apenas “observando com interesse” o desenrolar da história.

Fica a cargo da empresa averiguar o que aconteceu. 

“É um contrato entre partes privadas. Pode até envolver um governo estrangeiro, mas a responsabilidade pelo seu produto é da empresa”, diz a assessora de imprensa do Itamaraty. “Os contratos geralmente proíbem a revenda. A Condor está tentando rastrear o seu produto, estamos num diálogo permanente.”

A situação é pior porque não existe legislação internacional para o comércio de armas leves. “No caso de armas não convencionais, a atuação do Itamaraty é mais direta, mas no caso de armas convencionais, não existe um regime internacional para que a gente possa aconselhar em algum sentido”, reconhece.

Nesse contexto, é bem provável que casos como esse aconteçam cada vez mais. Enquanto o comércio de armamentos pesados, como os super tucanos, chama a atenção da imprensa, é no ramo de armas leves que o Brasil tem uma atuação crescente no mercado internacional.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o valor das exportações de armas leves triplicou nos últimos cinco anos: foi de US$ 109, 6 milhões em 2005 para US$ 321,6 milhões em 2010 (em 2011, houve um recuo para US$ 293 milhões).

Contando apenas as armas de fogo, a quantidade impressiona. Foram 4.482.874 armas exportadas entre 2005 e 2010, segundo um levantamento inédito do Exército feito a pedido da agência Pública. Ou seja: 2.456 armas por dia.

O Exército se negou a dar detalhes como venda ano a ano, empresas exportadoras e países de destino.

Assim, cabe às ONGs internacionais tentar desvendar os detalhes da exportação brasileira.
Todo ano, o Instituto de Estudos Internacionais e de Desenvolvimento, em Genebra, realiza o Small Arms Trade Survey, o mais respeitado estudo sobre essa indústria. Em 2011, o Brasil foi o 4º maior exportador mundial de armas leves, atrás apenas dos Estados Unidos, Itália e Alemanha.

No ranking de armamentos pesados, somos o 14º, de acordo com o Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (SIPRI). Nos dois casos a liderança é dos Estados Unidos, com larga vantagem. 

DE 2005 A 2010 O BRASIL EXPORTOU 4.482.874 ARMAS LEVES

Por trás do crescimento, o apoio do governo

No dia 30 de setembro de 2011, a presidenta Dilma Rousseff enviou ao Congresso uma medida provisória (MP 544) – que deve ser regulamentada nos próximos meses - com o objetivo de fortalecer a indústria nacional de armas. Entre as medidas fixadas pela MP está um regime especial de tributação que atende a uma reivindicação histórica da industria – a isenção do pagamento de IPI, PIS/PASEP e COFINS nas compras governamentais – e suspende a taxação sobre a importação de insumos para a fabricação de produtos de defesa. O setor também foi incluído entre os que têm direito à cobertura pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE), seguro de proteção contra riscos em operações comerciais administrado pelo BNDES.

Três dias depois, o ministro da Defesa Celso Amorim, acompanhado dos três comandantes das Forças Armadas, participou de um jantar na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo junto aos principais fabricantes de armas do país – uma clara sinalização de apoio à produção nacional, política que tem marcado o ministério nos últimos anos.

O antecessor de Amorim, Nelson Jobim (2007-2011), foi um dos principais defensores da “revitalização” da indústria de armas, que vinha em baixa desde o final da década de 80, quando deixou de exportar para o Iraque.

Sob seu ministério foi promulgada a Estratégia Nacional de Defesa, de 18 de dezembro de 2008, que incluiu o fomento da indústria de armas entre suas metas, priorizando a compra de produtos nacionais para as Forças Armadas e comprometendo-se com incentivos à exportação. “O Estado ajudará a conquistar clientela estrangeira para a indústria nacional de material de defesa”, explicita o documento, que acrescenta:

“A consolidação da União de Nações Sul-Americanas poderá atenuar a tensão entre o requisito da independência em produção de defesa e a necessidade de compensar custo com escala, possibilitando o desenvolvimento da produção de defesa em conjunto com outros países da região”.

O mesmo documento prevê linhas de crédito especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) “similar às já concedidas para outras atividades”.

O professor Renato Dagnino, do Departamento de Política Científica e Tecnológica da UNICAMP, que analisou o documento conclui: “a Estratégia Nacional de Defesa acata as principais reivindicações do lobby pela revitalização da indústria”.

E o lobby quer mais. O Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria de Defesa (Comdefesa), organizado pela Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), pleiteia uma cota fixa e inalterável de 3,5% do PIB para investimentos no setor. Alguns representantes pedem que uma parte dos royaltes do pré-sal sejam destinados ao setor de defesa.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Defesa informou através da sua assessoria que “tem feito gestões a entidades de fomento, como BNDES e FINEP, com o intuito de disponibilizar financiamento para empresas que se enquadram na chamada indústria de defesa”.

O BNDES informa que entre 2009 e 2011, fez empréstimos no valor de R$ 71 milhões para empresas do setor. A maior beneficiária foi a CBC – Companhia Brasileira de Cartuchos, seguida pela Forjas Taurus SA. Clique aqui para ver a tabela.

A APEX – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, também entrou em ação para “aumentar a exportação de materiais de defesa e segurança e a quantidade de empresas exportadoras”, segundo sua assessoria, promovendo a participação da indústria brasileira em feiras como a Latin America Defence & Security, a maior e mais importante do setor de defesa e segurança da América Latina.

Com esse apoio, as empresas se lançam à conquista de novos mercados, principalmente na África e Ásia. Como no caso da Condor, a fabricante de gás lacrimogêneo que se nega a divulgar com que países negocia, pouco se sabe sobre o destino dos armamentos fabricados no Brasil e não há nenhum debate público sobre isso. A regra, nesta indústria, é a falta de transparência.

Falta de transparência: preocupação nacional e internacional

Não existe nenhuma estimativa oficial sobre a produção de armas leves no Brasil. A indústria não informa o quanto produz, e – diferentemente de outros países – não há nenhum banco de dados do governo a esse respeito.

Quando se trata de comércio internacional, a transparência é ainda menor.

A Pública procurou o Exército, que forneceu dados gerais, mas não quis dar detalhes.

Desde outubro de 2010, existe um departamento que monitora as vendas para o exterior, o Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados de Exportação de Produtos de Defesa (SGEPRODE). Os dados nunca foram disponibilizados ao público.

Nos dias posteriores ao escândalo no Bahrein, chegou a se ventilar na imprensa que o Ministério da Defesa teria um projeto de lei para um banco de dados públicos sobre aquisições e vendas de armamentos. Mas, procurado pela Pública, o ministério negou veementemente qualquer plano nesse sentido.

“O Ministério da Defesa desconhece o envio da legislação citada na matéria do jornal Folha de S. Paulo”, disse, por meio de nota. “A regulamentação da MP 544 prevê a elaboração de um cadastro de empresas. No entanto, ainda não está definido o formato em que se dará a divulgação dessa informação”.

O Instituto de Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra tem um “barômetro” da transparência para avaliar as informações fornecidas por grandes atores globais no mercado de armas leves. Brasil nunca se saiu muito bem. Desde 2001, tem sido um dos piores avaliados entre os principais exportadores, perdendo apenas para a Rússia e a China.

No último estudo, de 2011, o país é o 38º colocado numa lista de 50 países. O problema, segundo os pesquisadores, é que o Brasil não produz relatórios oficiais nem envia dados para um instrumento chamado UN Register, que registra a transferência de armas leves.

“O Brasil não publica nenhum relatório anual sobre exportação de armas e geralmente relata ao UN Register que houve ‘zero’ exportações de armas leves”, diz um relatório publicado em junho de 2010. “Os dados da alfândega não informam quantas licenças foram expedidas e quantas foram recusadas (…). No nível regional, o Brasil é o menos transparente”.

Além disso, diz o instituto, há evidências de que o Brasil registra “sistematicamente” de maneira errônea as exportações de revólveres e pistolas, como sendo “armas de caça”, o que gera confusão.

“Nós inferimos que o Brasil quer manter alguns segredos, porque fazer isso seria benéfico para as empresas. Mas a conseqüência é que se sabe menos do que devíamos sobre o que o Brasil está fazendo”, diz o pesquisador Nicholas Marsh, da Iniciativa Norueguesa em Transferência de Armas Leves.

Muitas vezes o Small Arms Survey tem que usar dados declarados pelos importadores para realizar sua avaliação anual. Os resultados muitas vezes são superiores aos declarados pelo Ministério do Desenvolvimento.

Em 2007, por exemplo, o relatório estimou as vendas de armas leves brasileiras em 234 milhões de dólares, enquanto o MDIC estima que tenha sido de 201 milhões. Em 2008, o valor do Small Arms Survey é de 273 milhões, enquanto o MDIC estima que tenha sido 260 milhões de dólares.

Como não existe legislação ou um órgão internacional que monitore esse comércio, não há uma base de dados mundial, e nenhum país é obrigado a reportar-se a ninguém. Os dados do UN Register são enviados de maneira voluntária.

“Isso significa que há grandes fluxos de armas acontecendo no mundo, e ninguém sabe disso. Assim as armas acabam indo parar em lugares onde não deviam”, diz Nicholas Marsh. “O pior é que armas duram muito. Se é bem cuidado, um revólver pode durar cem anos. Na Líbia, no começo dos conflitos, havia gente carregando armas da Segunda Guerra”.

Fonte: Yahoo Notícias!
Por Por Daniel Santini e Natalia Viana, da Agência Pública