domingo, 21 de agosto de 2011

PODER E CULTURA NAS ORGANIZAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

Resumo do artigo do Professor Luiz Alberto Beserra de Farias, da Fundação Cásper Líbeo/SP

É possível entender como poder não só aquilo que se manifesta no interior da organização mas também as influências que uma organização tem sobre outra e ainda como a inter relação destas atua no conjunto e nos resultados de cada qual. A cultura, por sua vez, deveria estar relacionada ao significado da organização, ou, numa leitura mais adequada, a imagem de uma organização deveria refletir seus traços culturais, como sincero retrato da sua identidade.

DEFININDO AS ORGANIZAÇÕES

Podemos definir organização como "agentes coletivos, à semelhança das classes sociais, das categorias sociais e dos públicos" que "são planejadas de forma deliberada para realizar um determinado objetivo"(SROUR, 1998:108). O Novo Dicionário Aurélio, enuncia que seja "associação ou instituição com objetivos definidos" (FERREIRA, 1975:1005)

As organizações preocupavam-se primordialmente com a estrutura. Foi Elton Mayo, quem começou o questionamento sobre as relações humanas, dando algumas das primeiras contribuições a essa temática, seguido principalmente por Follet e Barnard. Este, no seu estudo da "Autoridade e Comunicação", defendia que "as pessoas têm motivações individuais e cooperam com os outros para atingir certos propósitos' (Apud PARK, 1997).

A Visão Sistêmica, encara as organizações como organismos vivos, as quais, dentro do paralelo, desenvolvem-se e adaptam-se aos impulsos da realidade. Segundo Capra, "o controle não é a melhor abordagem, mas sim a cooperação, o diálogo e a colaboração" (Apud REGIS & MOGGI, 1994: 138-139), deixando claras as suas posições sobre o poder e suas manifestações no âmbito organizacional.

INTERVENÇÃO DO PODER

O poder deve ser visto como a possibilidade de decidir, de estar em posição privilegiada em relação a um determinado grupo. Na organização "o poder é uma relação social, não uma posse unilateral" (SROUR, 1998:135). E ainda "as relações sociais, internas às organizações, articulam classes sociais e categorias sociais, e dizem respeito aos processos de produção econômica, política e simbólica" (SROUR, 1998:112), em que as classes sociais são, nesse aspecto, empresários, gestores ou trabalhadores, as categorias sociais são definidas por gênero, raça, etnia, religião, condições de atividade etc e, ainda nessa conceituação, cabe destacar os públicos, grupos de pessoas que têm interesse e objetivos comuns, que os unem, podendo ser clientes, fornecedores, eleitores, correntistas etc.

O poder está ligado às relações sociais já que é a partir destas que se faz presente e que se faz necessário, atuando nos "processos de controle, de articulação, de arbitragem e de deliberação" (SROUR, 1998:134).

O poder hoje manifesta-se, ainda, sob diversas formas. Mas a força não é um modo exeqüível de manutenção do poder.

Simões define que a essência das Relações Públicas "é a relação de poder entre a organização e seus públicos" (SIMÕES, 1995:35). "Toda organização, seja ela qual for, além dos seus objetivos específicos (...) é um subsistema social no interior da sociedade global. Enquanto subsistema social possui, em seu interior, relações sociais que se denomina relação política" (Apud SIMÕES, 1995:37).

A liderança pode ser vista como o fator determinante na atualidade. A chamada profissionalização de gestão, o que se manifesta quando "a detenção do poder, que está em mãos dos proprietários, fica dissociada do exercício doo poder, concedido aos gestores assalariados" (SROUR, 1998:149), os quais são escolhidos como representantes dos interesses dos reais detentores do poder, os proprietários.

A liderança, por outro lado, é obtida de forma natural e espontânea, por motivos diversos, pelos próprios grupos para quem o líder se torne referência. A disputa pelo poder e domínio dos espaços, físicos e sociais, amplia-se quando se percebe que a autoridade do poder divide-se em várias instâncias, entrando em conflito pelos bens que a organização pode proporcionar a cada um (salários, benefícios) bem como pelo status que se busca dentro da relação social no microcosmo organizacional.

CULTURA, TRANSFORMAÇÃO E ACULTURAÇÃO ORGANIZACIONAL

Definamos cultura como "um conjunto de padrões que permitem a adaptação dos agentes sociais à natureza e à sociedade a qual pertencem, e faculta o controle sobre o meio ambiente" (SROUR, 1998:174).

Cada agrupamento social, inclusive aqueles presentes nas organizações, tendem a superestimar seus padrões de comportamento, desprezando outros (SROUR, 1998), o que pode ser um elemento dificultador - ou facilitador - dos processos de mudança, em que, em muitos casos, estes são vistos como ameaças e não como oportunidades.

A INFLUÊNCIA DA COMUNICAÇÃO NO PODER E NA CULTURA DA ORGANIZAÇÃO

O poder, serve-se das vias de comunicação para criar maiores vínculos com o público, de modo a influenciar favoravelmente a formação da opinião pública.

A sintonia entre o poder e as lideranças é fundamental no sentido de efetivar positivamente o processo de formação da opinião em que os líderes ou formadores de opinião influenciam a forma de absorção das informações dos grupos sobre os quais têm influência.

A CONTRIBUIÇÃO DAS RELAÇÕES PÚBLICAS NO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL

As Relações Públicas têm como seu início histórico a administração de conflitos vividos por empresários norte-americanos com a opinião pública.

A PROPOSTA INSTITUCIONAL ÚNICA

É importante que as organizações tenham claros os seus objetivos comerciais. Ficando claro o papel do marketing para definir de forma precisa a política de proposta única de vendas.

Missão, filosofia, objetivos, políticas sociais, devem, todos, ser definidos de modo a possibilitar à organização um trabalho contínuo rumo à concretização da definição de seu papel junto à sociedade.

Não se podem separar imagem do produto, da marca e conceito da organização pelas claras interfaces existentes entre esses elementos (ZOZZOLI, 1995).

PROPOSTA INSTITUCIONAL E EMPRESA DO ANO

Diversas empresas vêm investindo na qualidade de seus relacionamentos com a sociedade de forma geral e com as comunidades que as cercam. Isso sem descuidar-se do público interno, fator essencial no processo de definição dos valores da organização.

RESUMO SOBRE A DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO NA CONJUNTURA DA SOLIDARIEDADE MECÂNICA E DA SOLIDARIEDADE ORGÂNICA

A relação entre os indivíduos e a coletividade pode ser explicada pela Divisão Social do Trabalho.

A solidariedade mecânica é tida como uma solidariedade por semelhança, onde os indivíduos não se diferem. Durkheim conceitua a consciência coletiva como sendo "o conjunto dos sentimentos comuns à média dos membros de uma sociedade".

Quando Durkheim caracteriza os tipos de solidariedade ele utiliza dois tipos de direito, o direito repressivo e o direito restitutivo.

O primeiro, o direito repressivo, é aquele que pune os crimes ou faltas, que exerce coerção nos atos que infligem a concepção da consciência coletiva.

Já o direito restitutivo tem como essência à reposição em ordem as coisas quando uma falta é cometida, ou a organização da cooperação entre os indivíduos.

Na solidariedade orgânica os indivíduos não se assemelham, são diferentes. Existe o coerente coletivo através do consenso.

Nas sociedades modernas as relações são baseadas por meio de contratos. Esta não é a idéia de Durkheim. Para ele, numa sociedade com predominância da solidariedade orgânica não há a substituição da comunidade pelo contrato.

A Divisão Social do Trabalho de Durkheim se diferencia daquela conceituada e estudada pelos economistas. Ele faz um estudo das tarefas e importância das instituições presentes numa sociedade e que influencia a maneira de agir, de pensar, de relacionamento dos indivíduos que compõem uma sociedade qualquer. É o que ele pretende dizer ao afirmar que "o indivíduo nasce da sociedade, e não a sociedade nasce do indivíduo".

Conhecer como funciona a Divisão Social do Trabalho é de suma importância, através dela entendemos como a diferenciação social pode ser benéfica ou não de uma sociedade e como a coesão desta diferenciação pode ser alcançada através da consciência coletiva.

sábado, 20 de agosto de 2011

Excelente matéria sobre como parar a 300km/h

PRONTO PARA 300KM/H?

Lembro de ter escrito um artigo sobre o que representava pilotar a 200km/h. Desde a força do vento até o nível de responsabilidade que tal velocidade exigia. Isso foi nos anos 80. Agora volto à carga, mas para comentar o que significa atingir 300km/h em uma moto. Graças a um pacto entre os fabricantes, atualmente os velocímetros digitais param de incrementar quando chegam a 299km/h.

É uma forma de evitar aquela ânsia por ver o número 300 no painel.

Mas quem já chegou nestes 299km/h sabe que ainda tem uns 500 RPM sobrando no motor, o que projeta uma velocidade efetiva um pouco acima deste limite.

Rodar a 300km/h significa que a moto percorre 83 metros por segundo. É um quarteirão por segundo. O mundo passa muito rápido a esta velocidade. O que pouca gente lembra é que parar a 300 é um exercício de concentração zen.

Para começar, uma pessoa normal demora cerca de 1 segundo para reagir antes de começar a frenagem. É o que se chama tecnicamente de tempo de reação. Isso significa que vão se passar 83 metros antes de o motociclista encostar no freio.

Outro dado que fica esquecido é que a frenagem não passa de aceleração é m/s2. Tudo que é ao quadrado significa que é um dado exponencial e não absoluto. Se a 100km/h a moto freia em 35 metros, não significa que a 200 km/h irá parar em 70 metros, mas passa de 150 metros. Imagine a 300! Eu mesmo nunca fiz esse teste - e nem pretendo, mas imobilizar uma moto a 300 km/h vai exigir mais de 250 metros!

Uma perua kombi1968 vista a 250 metros vai parecer um pontinho no horizonte. Não é de hoje que as motos chegaram a 300 km/h. Essa barreira foi rompida 10 anos atrás. O que traz uma realidade preocupante. Se alguém quiser saber como é pilotar a 300 km/h tem a opção de comprar um carro de R$500 mil, uma moto nova de R$60 mil ou uma esportiva usada por R$30 mil,.

A facilidade em atingir patamar 300 trouxe na garupa um acesso proporcional aos hospitais! Para chegar a 300 não basta a grana. É preciso muito preparo psicológico, ou como dizem nossas mães: juízo!

Por: Geraldo Simões - jornalista e piloto de testes.
Fonte: Revista Riders




Um exemplo de moto que chega, e passa, dos 300 km/h, é a Suzuki GSX-R 1300 Hayabusa

A Suzuki GSX-R 1300 tem o nome de batismo inspirado numa ave de rapina: o falcão hayabusa. Segundo os ornitólogos, esta é a ave mais veloz do mundo e sua refeição predileta são outras aves. A Suzuki produziu um motor de quatro cilindros em linha, refrigerado a líquido, com 1.298 cm3, que desenvolve potência de 172,6 cavalos a 9.800 rpm. Sua principal característica é a fluidez, também conhecida como distribuição de potência, capaz de levar o motor, em sexta marcha, dos 2.000 até 11.500 rpm. É um motor agradável, que dá muito prazer de pilotar, tanto numa pista como nas ruas. foi inteiramente desenvolvida em túnel de vento, recebendo um estudo aerodinâmico voltado para altas velocidades.

Pode-se acelerar ao máximo que a frente fica firme. Fazendo de 0 a 100 km/h em 2,8 segundos! Mesmo com todo esse desempenho, a Hayabusa é econômica, chegando a fazer até 18 km/litro.

Na hora de frear, o que existe de mais potente em termos de freios está instalado na Hayabusa: são dois discos enormes de 320 mm na frente, "mordidos" por pinças de três pistões contrapostos. Na traseira, apenas um disco simples, pois o freio posterior é pouco usado nessas grandes e pesadas (215 kg) esportivas.

O preço? bem, você pode encontrar desde uma 1999 por R$26.000,00 a uma 2011 por R$48.000,00

Tá facim ultrapassar os limites dos 300km/h, a questão é rodovia que permite isso.

HISTÓRIA DA FÁBRICA DE MOTOS INGLESA TRIUMPH

O texto abaixo, relatado por Jim Reynolds, foi retirado do site Moto Esporte e relata como um imigrante alemão esperto transformou uma pequena fábrica de bicicletas em uma grande empresa com uma produção de 30.000 motocicletas por ano.

ALGUMAS FOTOS DAS MÁQUINAS HISTÓRICAS

A Triumph sempre teve alguma coisa de especial. Este nome está nos tanques das motos há 100 anos, e durante todo este tempo sempre houve destacadas personalidades e modelos que elevaram a companhia acima da multidão.

Em 1900, o nome Triumph designava bicicletas de pedal, fabricadas em Coventry e famosas pela qualidade do seu acabamento. O presidente da companhia era Siegfried Bettmann, um alemão que tinha migrado para a Inglaterra a fim de fazer fortuna, mas que jamais imaginou o sucesso que viria a ter.

Bettmann era um homem esperto e contratou um outro alemão, o engenheiro Mauritz Schutte, para supervisionar a área de produção. Schutte se interessava pelas novas motocicletas e, depois de pensar em fabricar os modelos de outras companhias sob licença, decidiu que a Triumph deveria fabricar suas próprias motocicletas.

Os primeiros modelos fabricados em 1902 eram primitivos pelos padrões de hoje, sendo basicamente estruturas reforçadas de bicicleta com um motor aparafusado a elas e acionamento através de correia. Naquele primeiro modelo, a Triumph utilizou o motor belga Minerva, num layout que se tornaria o padrão da indústria, com o motor numa posição inferior entre as rodas, tracionando a roda traseira.

Isto parece óbvio demais? Naquela época, os fabricantes estavam experimentando as mais diversas opções, uma delas até colocando o motor de acionamento atrás da roda traseira. O bom senso finalmente prevaleceu para todos, mas Mauritz Schutte na Triumph reconheceu a lógica deste layout já na sua primeira motocicleta.

Problemas com os motores comprados de terceiros levaram a companhia a produzir seus próprios motores, e em 1905 era lançado o seu motor com um ciclindro e 300 cc. Ele conquistou logo a fama de confiabilidade, mas seria superado em 1907 por um modelo de 450 cc e embreagem no cubo traseiro! Antes disso, a pessoa tinha que correr ao lado da moto e subir na sela depois de o motor pegar - naqueles dias, era preciso estar em boa forma física para andar de moto.

Naquele ano, Jack Marshall, um residente de Coventry e dono do "pub" The Royal Oak em Whitley (que existe até hoje) usou o novo modelo nas Corridas TT de Isle of Man, chegando em segundo lugar na categoria de um cilindro, apesar de não ter um dispositivo de pedal para ajudar nas subidas mais íngremes.

Em 1908 o regulamento da competição foi alterado - o dispositivo de pedal foi proibido, e a uma velocidade média superior a 40 milhas/hora (64 km/h), em estradas de cascalho e com pouquíssima freagem, Marshall ganhou a primeira TT com a Triumph. Foi um trajeto difícil, com uma queda logo no início depois uma parada para trocar um cano de escapamento quebrado.

Seu consumo de combustível era espantoso - gastava 2,4 litros para fazer 100 km! Naqueles dias pioneiros não havia indicações ("pit signals"), mas um companheiro corria ao lado do motociclista no trecho comprido de Creq Willies Hill e gritava para lhe dizer como estava indo.

A vitória de Marshall, ficando o Capitão Sir R. K. Arbuthnot RN em terceiro lugar com uma outra Triumph, deu um grande impulso às vendas, e em 1909 a companhia produziu 3000 motocicletas. Nenhum outro fabricante britânico obteve um sucesso tão grande, e o modelo popular de um cilindro foi desenvolvido para chegar a 500 cc e depois a 550 cc, com uma caixa de câmbio de três marchas, em 1913.

Aquele foi o ano em que Siegfried Bettmann foi eleito prefeito da cidade de Coventry e ele ainda ocupava este cargo em 1914, quando a Inglaterra entrou em guerra com a Alemanha. Foi uma época em que alguns patriotas mal orientados atiravam pedras nas vitrines de lojas com nome alemão; entretanto, lá estava um homem proveniente de um país inimigo, prefeito de uma importante cidade industrial e que fabricava motocicletas para o Exército Britânico. Era preciso ter uma personalidade muito especial para conseguir esta façanha!

A primeira Guerra Mundial de 1914-1918 havia começado há poucas semanas quando o telefone tocou na casa de Bettmann, num domingo de manhã. Era o Capitão Claude Holbrook do Ministério da Guerra, perguntando se a Triumph poderia enviar 100 de suas motocicletas Modelo H de 550 cc e um cilindro para a França naquela noite.

Bettmann reconheceu uma oportunidade de ouro e chamou o gerente da fábrica Carles Hathaway, que convocou todos os operários que conseguiu encontrar em casa. Naquela noite, 100 motos Triumph foram embarcadas para as tropas britânicas na França. Caso você ainda tenha alguma dúvida de que a Triumph sempre foi especial, este foi um atendimento imbatível.

Durante os cinco anos da guerra, a fábrica produziu 30.000 unidades do seu modelo simples, sólido e confiável de um cilindro para as Forças Armadas. A moto adquiriu tamanha fama que era conhecida como a "Trusty" (Confiável), pois os mensageiros sabiam que ela continuaria funcionando apesar da lama, da poeira e do terreno acidentado, enquanto eles se esquivavam de balas e bombas.

O Capitão Holbrook continuou em contato com a fábrica durante toda a guerra, e quando se desligou do Exército, no cargo de Tenente-Coronel, em 1919, entrou para a Triumph como Gerente Geral, depois que Schutte teve um desentendimento com Bettmann e foi destituído com uma indenização generosa.

A linha de montagem de bicicletas foi vendida e a Triumph entrou no mercado de automóveis.

O motor do seu primeiro veículo de quatro rodas foi desenvolvido pela Ricardo Engineering, mas havia algo de muito mais interessante do que um simples motor de automóvel proveniente daquele famoso consultor de engenharia. Por volta de 1921, o velho e bom motor de válvula lateral já era considerado um pouco lento, quando foi anunciado o novo modelo R (de Ricardo).

Suas quatro válvulas superiores e o pistão de liga, de topo côncavo, formavam uma câmara de combustão que era quase um hemisfério perfeito; em termos de dinâmica, o motor tinha uma potência robusta de 20 cavalos -- ínfima pelos padrões de 2002, mas que há 80 anos era um verdadeiro "avião".

Na pista de provas de Brooklands, em Surrey, o veículo fez 100 voltas com velocidades entre 65 e 80 milhas por hora. O imortal Riccy tinha realmente chegado lá e a fábrica inscreveu no TT uma equipe de três, bem como uma segunda equipe de "correia e braçadeira" com três dos velhos e confiáveis modelos de válvula lateral.

Entretanto, o novo modelo vistoso não se saiu bem, sendo que George Shemans foi o único a terminar a corrida, em 16° lugar. Uma das motos mais antigas chegou em 5° lugar, uma tartaruga em relação à lebre de Ricardo... George Shemans foi contratado como motorista e piloto de testes da fábrica e teve como sucessor na Triumph o seu filho Jack, que trabalhou com a maioria dos carros de corrida da companhia nas décadas de 60 e 70.

O modelo Ricardo provou a sua velocidade com uma série de recordes mundiais em 1922, incluindo a milha com uma velocidade de quase 84 milhas/hora (134 km/h), e Walter Brandish de Coventry conquistou com este mesmo modelo um segundo lugar, na corrida Isle of Man Senior TT.

Ele era um favorito natural na corrida de 1923, mas teve um acidente num treino que o deixou com a perna quebrada e o impediu de participar da corrida. Seu único consolo foi que a curva do acidente foi batizada com seu nome - Brandish é a curva rápida para a esquerda após o retão de Creg-ny-Baa.

O fato é que o Riccy nunca realmente chegou a ser um carro de corrida, pois sua estrutura não era tão rápida quanto o seu motor, e o entusiasmo pelas corridas desapareceu na fábrica, quando as vendas diminuíram com o aumento dos preços causado pela inflação. Parecia que a bolha de vendas iria rebentar.

Entretanto, esta era uma companhia habituada a produzir um grande volume de motos. Eles precisavam manter a linha de produção ocupada e não tinham medo de enfrentar o desafio e chegar a uma resposta. O modelo LS de 350 cc, lançado em 1923, custava 69 libras, e em 1927 o preço havia baixado para 39 libras -- os tempos difíceis tinham chegado e os fabricantes com pequeno volume de produção desapareceram à medida que chegavam as contas, e depois os síndicos de falências.

Na Feira de Motocicletas de Londres em 1924 apareceu a resposta da Triumph, o sensacional Modelo P de 500 cc, um cilindro e válvula lateral. Não importa que seu modelo consagrado SD de 550 cc estivesse com o preço de 83 libras; o Modelo P era uma moto de 500 cc, despojado de todo o supérfluo, e custando apenas 42,87 libras. Siegfried Bettmann demonstrou sua coragem como líder ao assinar contratos de componentes para fabricar 20.000 unidades do novo modelo, obtendo assim um preço excelente dos fornecedores, que precisavam urgentemente de trabalho para manter suas fábricas em funcionamento.

Como de costume, Bettmann acertou em cheio. Seis meses após o lançamento do Modelo P, a fábrica atingiu um novo recorde de produção, de 1000 motos em uma semana -- números que hoje são conservadores, mas que naquela época eram sensacionais. Naquele fim de semana houve uma grande festa na quadra de esportes da fábrica, à qual compareceram 5000 pessoas, entre operários da Triumph, revendedores e amigos.

Este não era um modelo esporte de qualidade de topo, mas uma medida de emergência eficaz que salvou a companhia. Tinha um freio dianteiro copiado de uma bicicleta de pedal, a extremidade maior era fraca e as válvulas entravam diretamente no ferro do cano do cilindro em vez de passar por guias apropriadas. Mas ele vendia na África do Sul, Austrália e Índia, e um total de 1000 unidades chegou a ser despachado para o Japão.

Ao fim de 1925 o lote inicial de 20.000 tinha sido vendido e Bettmann se comprometeu com uma segunda série de 6.000 motos. Isto manteve a fábrica ocupada até 1927, mas então o modelo já parecia muito antiquado, e quando a linha de produtos de 1929 foi anunciada, o Modelo P era apenas uma lembrança.

Naquela época, a produção era de 30.000 unidades por ano, de longe a maior da indústria. A Triumph manteve a simplicidade na sua linha -- mesmo o sucessor do modelo esporte Ricardo de quatro válvulas era um modelo de duas válvulas sem qualquer sofisticação -- e usou uma política de preços agressiva (em 1930, o Modelo CSD de 550 cc tinha o preço de lista de 39,87 libras), na sua comercialização durante os anos difíceis da depressão e o período de recuperação na década de 30.

Durante este período, eles ofereceram a moto Triumph mais barata de todos os tempos, o Modelo Gloria de 98cc, de duas velocidades e dois tempos, listado na ocasião ao preço de 16 guinéus, correspondente a 16,80 libras em dinheiro de hoje.

Em 1932, o projetista Val Page ingressou na Triumph, tendo saído da fábrica Ariel em Birmingham. Este homem tranquilo e pensativo foi um dos verdadeiros gigantes da indústria, com uma carreira que se estendeu desde a década de 20 até a época em que criou a revolucionária Ariel Leader de 250 cc em 1958.

Instalado na Triumph, ele continuou a sua tarefa de produzir uma nova linha e em 1934 suas motos iam desde um modelo de 148 cc e dois tempos com acionamento Villiers, até o modelo de cilindros gêmeos paralelos de 650 cc. Sim, Page projetou a primeira moto de cilindros paralelos da Triumph, e existiu um modelo de 650 cc muito antes que o tipo se tornasse a Motocicleta Britânica Padrão da década de 60.

Juntamente com o modelo de cilindros gêmeos, equipado com uma antiquada mudança da marcha manual, havia os modelos despojados e enxutos de um cilindro, de 250, 350 e 500 cc. Mas a nova moto de cilindros gêmeos é que recebeu a publicidade, e o gerente de vendas Harry Perrey levou o protótipo e o assento lateral para a Prova Internacional de Seis Dias, e perdeu apenas cinco pontos conquistando a cobiçada Medalha de Prata.

Após uma desmontagem e exame, o mesmo equipamento foi levado para Brooklands, onde uma equipe de motociclistas percorreu 500 milhas em 500 minutos. A companhia ganhou o cobiçado Troféu Maudes por esta demonstração da robustez da nova moto. Mas a dura realidade é que as vendas eram fracas.

A operação não estava dando bons resultados para a companhia e enquanto a Divisão de Motos cortava custos e mantinha a produção durante a depressão, o pessoal da Divisão de Carros resolveu entrar no mercado de luxo. Bettmann foi rebaixado e o Sr. Graham, nomeado pelo banco, assumiu o comando. Mas ele não foi capaz de resolver os problemas da companhia e decidiu que a solução seria vender a Divisão de Motocicletas.

Jack Sangster, que havia adquirido a antiga companhia de motocicletas Ariel e a havia recuperado, entrou em cena. Ele adquiriu a Divisão de Motocicletas da Triumph em janeiro de 1936, nomeou Siegfried Bettman como presidente e obteve o financiamento necessário para a recuperação.

A Triumph estava novamente de pé, com a pessoa certa no comando, uma nova linha de motos para vender e um alto astral no chão da fábrica. E entrou uma nova personalidade como projetista chefe e gerente geral - Edward Turner. O próximo grande salto para diante estava à vista.

A chegada à Triumph de um jovem e talentoso projetista chamado Edward Turner mudou os destinos da companhia, na década de 1930. Cerca de uma década mais tarde, a Triumph estava ingressando nos anos 50 como líder mundial em motociclismo.

Edward Turner era o homem que poderia proporcionar à companhia um novo enfoque e talento, mesmo se para isso tivesse que desagradar a algumas pessoas.

Ele começou reduzindo ligeiramente os salários e aumentando o preço dos modelos menores de motocicleta, que estavam dando prejuízo. Em seguida, ele disse ao gerente de vendas de que daí em diante seria um gerente de área, fazendo visitas a clientes em vez de ficar no escritório. E Turner reformulou o estilo dos modelos de um só cilindro, que eram o principal produto da companhia, dando-lhes uma aparência mais acentuada. As vendas começaram a deslanchar.

Em julho de 1937, foi anunciada a contribuição histórica de Edward Turner para o motociclismo britânico. O modelo Speed Twin paralelo de 500 cilindradas oferecia ao público a potência de dois cilindros com o peso e ao preço de um cilindro, com a vantagem de um funcionamento mais macio e melhor aceleração e flexibilidade do motor.

O som do escapamento também era muito bom, e foi um sucesso instantâneo; a fábrica de Coventry trabalhou a todo vapor para atender à demanda. Em 1938 foi lançada a moto Tiger 100, a versão esportiva da Speed Twin, com a velocidade maxima sugerida pelo seu nome (100 milhas/hora).

Turner tinha um toque mágico quanto a idéias de estilo e layout, mas era uma negação como especialista em corridas. Dois moços promissores, Ivan Wickstead e Marius Winslow vieram falar com ele na Feira Anual de Motocicletas, e pediram que lhes cedesse a nova Speed Twin para tentar bater o record da volta para motos de 500 cilindradas em Brooklands. Turner duvidou da capacidade deles e não lhes deu atenção.

Com esta atitude, ele demonstrou falta de visão. Brookland era o circuito com curvas reversas onde o pessoal da velocidade era notícia, quebrando recordes que os fabricantes felizes então anunciavam ao público. Acontece que Wickstead e Winslow não desanimavam facilmente (um traço natural daqueles que quebram recordes), e compraram a Triumph de um revendedor.

Cuidadosamente preparada, com o motor envenenado e as peças reduzidas ao peso mínimo possível, a moto foi desenvolvida para a grande tentativa. Em outubro de 1938, Wickstead estabeleceu o novo recorde de 118 milhas/hora para motos de 500cc.

Edward Turner publicou anúncios de página inteira e convidou os parceiros a virem a Coventry para discutir seus planos futuros. Entretanto, tudo isto foi interrompido quando as ambições de Adolf Hitler incendiaram a Europa. Brooklands nunca mais abriu como pista de corridas, de modo que Wickstead e a Triumph mantiveram o recorde de 500cc para sempre.

Vamos tentar avaliar a importância da Speed Twin naquela época. O modelo de dois cilindros da Triumph derrubou as vendas dos outros fabricantes, os quais tiveram que lutar para vender seus modelos tradicionais de um cilindro.

Norton, a grande companhia de veículos de corrida, anunciou que não apoiaria oficialmente as corridas em 1939 e concentraria seus esforços na produção de motos para mensageiros, para as forças armadas.

“Isto é besteira”, disse o falecido Freddie Frith, um membro da equipe da Norton naqueles tempos distantes, quando eu o entrevistei na década de 80. “Eles não conseguiam vender suas antigas máquinas de um cilindro diante da competição da Triumph, e precisavam dos pedidos dos militares para sobreviver. Eles não podiam se dar ao luxo de competir em corridas!” Talvez a antipatia de Edward Turner pelas competições não demonstrasse tanta falta de visão.

Quando a guerra estourou em 1939, a Triumph desenvolveu uma moto leve de dois cilindros e 350 cilindradas para uso militar, mas a fábrica na Priory Street foi completamente destruída num ataque aéreo a Coventry. Num dia era uma fábrica em pleno funcionamento, e no dia seguinte um esqueleto fumegante.

Foram encontradas instalações provisórias em Warwick, mas a real importância desta tragédia aparente foi a concordância do governo em ajudar a companhia a construir uma fábrica inteiramente nova, fora da cidade. Foi na aldeia de Meriden, mas as obras só começaram depois que as objeções do Conselho do Distrito Rural de Meriden foram vencidas pelo poder de Whitehall. Em 1942, a nova fábrica estava em operação, produzindo as motos 3HW de um cilindro e de 350cc para as forças armadas, contribuindo assim para o esforço de guerra.

Quando veio a paz, em 1945, a companhia ofereceu uma versão civil da 3H, a Speed Twin e a Tiger 100, e um novo modelo, o 3T de dois cilindros e 350 cilindradas. O modelo de dois cilindros era equipado com forquilhas telescópicas, uma novidade para a Triumph, mas que havia sido introduzida pela companhia Matchless, sediada em Londres, no seu modelo militar, em 1941.

A Matchless criticou a Triumph pelo fato de copiar o que ela dizia ser sua própria idéia; Turner respondeu com anúncios de página inteira dizendo que “nem tudo que reluz é ouro”, e sugerindo que a versão da Triumph era superior. Na realidade, as forquilhas telescópicas apareceram pela primeira vez nas BMWs na década de 30, e foram estas que a Matchless havia copiado!

As competições na Ilha de Man foram retomadas em setembro de 1946, com o Grande Prêmio de Manx. O fazendeiro irlandês Ernie Lyons competiu com uma Triumph que aparentemente não tinha nada a ver com a fábrica de Meriden, onde todos os esforços eram concentrados no desenvolvimento de novos modelos para a estrada.

Mas Freddie Clarke, um homem com um longo currículo em competições, tinha colaborado para o desenvolvimento de um veículo de corrida pelos irmãos McCandless em Belfast. Tudo isto na surdina e sem informar o encarregado...

O GP Manx para motos de 500cc foi disputado com chuva torrencial. Ken Blils, vencedor em 1938, era o favorito absoluto com uma Manx da Norton, preparada pelo grande Steve Lancefield, mas Ernie Lyons, quase desconhecido na Inglaterra, foi rápido na pista molhada, enquanto Blils foi mais cauteloso.

O homem da Triumph ganhou a corrida, uma vitória famosa, e logo a Triumph estava oferecendo um veículo de corrida de 500cc, o Grand Prix. Ele tinha um som de escapamento maravilhoso em escapamentos abertos. A aderência à pista não era das melhores, mas ele ganhou algumas corridas importantes, especialmente o GP Manx de 1946, pilotado por Don Crossley, da Manx. Mas ele não podia competir com o Manx bem desenvolvido da Norton e saiu de linha no início dos anos 50.

As corridas na estrada podem não ter sido o esporte favorito de Turner, mas ele reconheceu estas provas como uma boa maneira de demonstrar as qualidades de uma moto. Na Prova Internacional de Seis Dias de 1948 (atualmente ISDE), a equipe britânica que competia pelo Troféu Internacional incluía três motos Triumph 500, especialmente preparadas e usando os cilindros de liga leve que eram utilizados no motor quando ele funcionava como unidade geradora em aviões durante a guerra.

A equipe Trophy levou para casa o Grande Prêmio daquilo que é, na realidade, a Olimpíada do motociclismo. No fim do ano, foi anunciado o modelo TRS Trophy. Foi mais um sucesso, preferido tanto por pilotos de teste como por motociclistas de estrada.

Se você alguma vez tiver a oportunidade de experimentar uma daquelas Trophy 500, agarre-a com as duas mãos. Um exemplo vai lhe dizer tudo sobre a atração exercida pela Triumph há 50 anos, com um motor macio e flexível, peso reduzido e uma facilidade maravilhosa de manejo.

Em velocidades maiores, a moto é um pouco instável, mas ela não foi projetada para ser um veículo de corrida. Ela foi desenvolvida para percorrer terrenos difíceis, em qualquer estrada secundária, viela ou trilha de carroça que você venha a encontrar. Atualmente, uma TRS legítima vale um bom dinheiro, e se você tiver a felicidade de experimentá-la, verá por quê.

Além de dar uma contribuição valiosa para ajudar o Trophy no ISDT de 1948, a Triumph havia inscrito uma equipe de três elementos da fábrica e levado o prêmio da equipe do fabricante. E ela repetiu a façanha em 1949, 1950 e 1951. Liderados por Jim Alves, um homem de Somerset com um toque delicado no acelerador, eles tiveram um enorme sucesso. Quando a ACU criou o “Trials Driver’s Star”, um nome antigo e um pouco estranho para o campeonato britânico de pilotos de prova, o vencedor no seu primeiro ano foi o talentoso Sr. Alves.

Em 1949, houve uma outra conquista com o lançamento do 6T de 650cc. Ele foi desenvolvido para atender à demanda do mercado americano por maior capacidade e maior facilidade para percorrer suas estradas longas e retas. Ele recebeu um nome tirado do folclore americano - Thunderbird. A poderosa Ford Motor Company também gostou deste nome quando desenvolveu um carro esporte, e na realidade obteve a autorização da Triumph para usá-lo.

O lançamento do Thunderbird foi um exemplo de como fazer as coisas da maneira certa. Em setembro, três motos foram conduzidas no circuito de velocidade de Montihery, ao sul de Paris, percorrendo 500 milhas. Duas delas tiveram uma média superior a 90 milhas/hora e a terceira, prejudicada por uma rachadura no tanque de combustível, teve a média de 86 milhas/hora para o percurso todo. Depois, todas elas deram a volta final a mais de 100 milhas por hora - o som mágico do qual muito se falava, mas que era raramente atingido numa moto de estrada. Foi uma demonstração sensacional da velocidade e resistência da nova moto, e a publicidade foi enorme.

Melhor ainda, não se tratava de desenvolvimentos especiais que seriam copiados e colocados à disposição de qualquer pessoa dentro de alguns meses. Se você ficasse impressionado com a notícia da nova moto e fosse até o revendedor Triumph da sua localidade para ver como ela era, lá estava ela no showroom.

A moto se parecia muito com o Speed Twin tradicional, com a mesma estrutura, a naqued bem arrumada que envolvia o farol e um motor que por fora parecia similar. Seu acabamento era numa cor azul característica, um pouco berrante para o gosto de algumas pessoas numa época em que a maioria das motos eram pretas, mas estas características tornavam a Thunderbird inconfundível.

A Triumph entrou na década de 50 e em um período de prosperidade crescente, com uma linha muito forte de motos de 2 cilindros e 350, 500 e 650 cilindradas, que atendiam à maioria das preferências para percursos em estradas. A aparência das motos era realmente ótima. O Tiger 100 do início da década de 50, com seu “uniforme” característico prateado e preto, é uma das motos mais bonitas de todos os tempos no mundo inteiro - seu preço era acessível e ela estava disponível. A fábrica Triumph de Edward Turner tinha tudo para ser um líder mundial. Esta motocicleta, Tiger 100, atingia 160 km/h, fato que a Honda, por exemplo, só iria conseguir em 1969, com a CB 750.


A empresa, que comemorou seu centenário em 2002, tem atividades em outros 12 países – Estados Unidos, Inglaterra, Austrália, Itália, Alemanha, Japão, Suiça, Sécia, França, Bélgica, Holanda e Japão – e comercializa cerca de 36 mil unidades por ano.

AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO - EMILE DURKHEIM


Autor: Emile Durkheim
Gênero: Ciências Sociais
Ano de lançamento: 2001
Editora: Nacional

RELAÇÕES DE PODER

O Poder se expressa nas diversas relações sociais, onde existem Relações de Poder, existe política. Max Wber afirmava que a política não se restringe ao campo institucional estatal e explicita claramente, “Hoje, nossas reflexões não se baseiam, decerto, num conceito tão amplo. Queremos compreender como política apenas a liderança, ou a influência sobre a liderança, de uma associação política, e, daí hoje, de um Estado” (Weber, 1974, p. 97)

RELAÇÕES DE PODER NO ÂMBITO DAS ORGANIZAÇÕES

Justiça implica juízo de valor, e valores são minimamente compartilhados nas organizações, contestando a antiga visão da cultura única.

Weber argumentou que  a religião era uma das razões não-exclusivas do porque as culturas do Ocidente e do Oriente se desenvolveram de formas diversas, e salientou a importância de algumas características específicas do protestantismo ascético, que levou ao nascimento do capitalismo, a burocracia e do estado racional e legal nos países ocidentais. Em outro trabalho Política como vocação, Weber definiu o Estado como “uma entidade que reivindica o monopólio do uso legítimo da força física”.

ESCRITOS E OBRAS

A obra de Weber constitui um momento da compreensão dos fenômenos históricos e sociais, da reflexão sobre o método das ciências histórico-sociais. Para Weber, o “espírito do povo” é produto de inumeráveis variáveis culturais e não fundamento real de todos os fenômenos culturais de um povo.

Para Weber, o cientista social deve estar pronto para o reconhecimento da influência que as formas culturais, como a religião, por exemplo, podem ter sobre a própria estrutura econômica.

A OBJETIVIDADE DO CONHECIMENTO

Os seguidores da visão austríaca de pensamento de pensamento econômico entendiam que a função das ciências humanas era formular leis que explicassem os fenômenos sociais. Esta posição, chamada de “positivismo”, era defendida por Carl Menger.

Max Weber concorda com o fato de que as ciências humanas lidam com o fenômeno do valor. Só analisamos aqueles elementos da realidade que tem algum sentido para nós, a partir de nossas referências de valor.

Weber reconheceu que toda pesquisa tem um ponto de partida subjetivo (ligado a referência de valor do pesquisador), mas entendeu que este dado não destruía a objetividade da ciência. O valor cognitivo da ciência social reside na sua capacidade de controlar a pesquisa mediante métodos sistemáticos e padronizados de trabalho. Assim, se o ponto de partida da investigação até pode ser subjetivo, ocorre que o ponto de chegada deverá ser rigorosamente objetivo.

Weber apresentou uma definição de um dos seus mais importantes conceitos: o TIPO IDEAL. Tal conceito mostra que as categorias da ciência social são uma construção subjetiva do pesquisador, feita a partir de seus interesses.

SOCIOLOGIA

Um dos conceitos-chaves da obra e da teoria sociológica de Weber é a ação. A ação é um comportamento humano no qual os indivíduos se relacionam de maneira subjetiva e a ação social, caracterizada por ser uma ação que possui um sentido visado e é determinado pelo comportamento alheio. A análise da teoria weberiana como ciência tem como ponto de partida a distinção entre quatro tipos de ação (que são sociais):
- A ação racional com relação a um objetivo é determinada por expectativas no comportamento tanto de objetos do mundo exterior como de outros homens e utiliza essas expectativas como condições ou meios para alcance de fins próprios racionalmente avaliados e perseguidos. É uma ação concreta que tem um fim específico, por exemplo: o engenheiro que constrói uma ponte;

- A ação racional com relação a um valor é aquela definida pela crença consciente no valor – interpretável como ético, estético, religioso ou qualquer outra forma – absoluto de uma determinada conduta. O ator age racionalmente aceitando todos os riscos, não para obter um resultado exterior, mas para permanecer fiel a sua honra, qual seja, à sua crença consciente no valor, por exemplo, um capitão que afunda com o seu navio;

- A ação afetiva é aquela ditada pelo estado de consciência ou humor do sujeito, é definida por uma reação emocional do ator em determinadas circunstâncias e não em relação a um objetivo ou a um sistema de valor, por exemplo, a mãe quando bate em seu filho por se comportar mal;

- A ação tradicional é aquela ditada pelos hábitos, costumes, crenças transformadas numa segunda natureza, para agir conforme a tradição o ator não precisa conceber um objeto, ou um valor nem ser impelido por uma emoção, obedece a reflexos adquiridos pela prática.

Para Weber a Sociologia é uma ciência que procura compreender a ação social. Para ele era o ponto de partida para a Sociologia, a compreensão e a percepção do sentido que a pessoa atribui à sua conduta.

O principal objetivo de Weber é compreender o sentido que cada pessoa dá a sua conduta. Cabe a sociologia entender como acontecem e se estabilizam as relações sociais, os grupos organizados e as estruturas coletivas da vida social.

A sua idéia é que a sociedade como totalidade social é o resultado das formas de relação entre seus sujeitos constituintes. Tomando como ponto de partida da compreensão da vida social o papel do sujeito, a teoria de Max Weber é denominada de individualismo metodológico.

SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO

Weber tinha a intenção de examinar as implicações das orientações religiosas na conduta econômica dos homens.

No desenvolvimento do capitalismo, dois fatores deveriam ser apreciados: a forma (em particular, a moderna organização racional do trabalho e da empresa) e o espírito do capitalismo (que ele exemplificou através do exemplo das máximas de Benjamin Franklin, como “tempo é dinheiro”, “crédito é dinheiro”, “o dinheiro é prolífico por natureza”, etc). Os pioneiros do capitalismo pertenciam às seitas puritanas e em função disso levavam a vida pessoal e familiar com bastante rigidez. As convicções religiosas desses puritanos os levavam a crer que o êxito econômico era como uma bênção de Deus. É a partir do caráter racional conferido ao trabalho e a busca da riqueza a partir destas crenças que o modo de vida capitalista se propagou e generalizou. Atualmente, a motivação religiosa da busca disciplinada da riqueza mediante o trabalho ordenado foi sendo substituída por motivações puramente mundanas, lógica que Weber entendeu conduzem o mundo moderno a uma “jaula de ferro”. Esta visão crítica do capitalismo do seu pensamento com a visão marxista, corrente que, sem menosprezar as sensíveis diferenças entre as duas formas de pensamento, foi sendo denominada de webere marxismo.

Weber (junto com Émile Durkheim) é um dos fundadores da sociologia da religião, área de estudos sociológicos que estuda o caráter social e cultural dos comportamentos religiosos.

SOCIOLOGIA POLÍTICA

Weber delineia a famosa descrição da burocratização como uma mudança da organização baseada em valores e ação (a chamada autoridade tradicional). O resultado segundo Weber é uma crescente burocratização da vida humana a colocando numa gaiola de metal de regras e de controle racional.

Dominação é a possibilidade de um determinado grupo se submeter a um determinado mandato. Weber define três tipos de dominação que podem ser consideradas legítimas. São elas: legal, tradicional e carismática.

DOMINAÇÃO LEGAL: É mais bem representada pela burocracia. A idéia principal da dominação legal é que deve existir um estatuto que pode ou criar ou modificar normas. Nessa forma de dominação, o dominado obedece à regra, e não à pessoa em si. Assim o poder é totalmente impessoal. O ingresso de um funcionário em uma empresa é livre, e assim, a partir de seu ingresso, ele deve ser submetido às regras da empresa, ele terá sua submissão regulamentada em um contrato, mas sua renúncia é igualmente livre. Mas nenhuma estrutura de autoridade é puramente burocrática, já que não tem como uma empresa ser constituída apenas de funcionários contratados.

DOMINAÇÃO TRADICIONAL: Crença na santidade de quem dá a ordem e de suas ordenações. O ordenamento é fixado pela tradição. Nos dias de hoje, pode-se observar a dominação tradicional quando, por exemplo, um pai emprega seu filho em uma empresa pelo simples fato de ser seu filho. Não há um estatuto e o senhor pode agir com livre arbítrio.

DOMINAÇÃO CARISMÁTICA: A dominação carismática é muito frágil e a devoção ao líder só é mantida enquanto o carisma existir. Weber tinha uma preocupação muito aguda com os fenômenos da burocratização e que sua contribuição consistia em pensar quais os espaços possíveis de liberdade diante das transformações do capitalismo contemporâneo.

Seus conceitos centrais (política, poder, Estado e os tipos de dominação), Weber discorre sobre o processo de formação do Estado Moderno (resultado da monopolização dos meios de gestão da violência), destacando como ele foi acompanhado com o surgimento de uma figura muito peculiar no Ocidente: o político profissional. A vocação política exigia certas qualidades, entre as quais ele destacou a paixão por uma causa, o senso de proporção e a responsabilidade. Longe de mover-se apenas na esfera crua da luta do poder pelo poder.

SOCIOLOGIA ECONÔMICA

Enquanto fenômenos social, o capitalismo é uma das expressões da vida racionalizada da modernidade Ocidental e é similar, em sua forma racional, ao campo da política, do direito, da ciência, etc. Weber rompe com a definição marxista de que o capitalismo é um fenômeno exclusivo da era moderna: daí a expressão capitalismo “moderno”. Para Weber, o capitalismo é um fenômeno que atravessa a história, pois a busca do lucro já pode ser localizada nas sociedades primitivas e antigas, nas grandes civilizações e mesmo nas sociedades não-ocidentais.

Weber construiu diferentes “tipos ideais” de capitalismo.

Max Weber é considerado, atualmente, um dos precursores da “sociologia econômica”.

A CIÊNCIA COMO VOCAÇÃO

Para Weber, a modernidade achava-se dilacerada por um conflito de valores – na linguagem de Weber, pela guerra dos deuses – e a escolha do sentido último da vida era uma responsabilidade pessoal que não poderia ser credita à ciência.

INFLUÊNCIA POSTERIOR

A influência de Marx evidencia-se no fato de ambos terem compartilhado o grande tema – o capitalismo ocidental, estudando-o da perspectiva histórica, econômica, ideológica, e sociológica. A capacidade que teria o materialismo histórico de encontrar explicações adequadas à história social.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

HISTÓRIA DA FILOSOFIA OCIDENTAL

LIVRO: História da Filosofia Ocidental I - (1957)
AUTOR: Bertrand Russell
EDITORA: Cia Editora Nacional - S. P. - Rua dos Gusmões, 639

Para o homem ou a mulher que, por coerção, é mais civilizado no procedimento do que no sentimento, a razão é uma coisa incômoda, e a virtude uma carga e uma escravidão. Isto conduz a uma reação de pensamento, sentimento e conduta. pgs 18 e 19

O homem civilizado distingue-se do selvagem principalmente pela prudência ou para empregar um termo um pouco mais amplo, pela previsão. Está disposto a sofrer dores momentâneas tendo em vista prazeres futuros, mesmo que os prazeres futuros se achem bastante distantes. p19

A verdadeira previsão só aparece quando o homem realiza algo sem que nenhum impulso o obrigue, porque sua razão lhe diz que isso lhe será proveitoso mais tarde. p19

A civilização sofria o impulso não apenas mediante a previsão, que constitui um freio voluntário, mas também por meio da lei, da moral e da religião. p19

ESCOLA DE MILETO

1º Filósofo: Tales (585 AC)
2º Filósofo: Anaximandro (546 AC)
3º Filósofo: Anaxímenes (594 AC)

A Escola de Mileto é importante não tanto pelo que realizou, como pelo que tentou. Surgiu devido ao contato do espírito grego com a Babilônia e o Egito. Mileto era uma cidade comercial rica, em que os preconceitos e as superstições primitivas foram atenuados pelo trato com muitas outras nações. A Jônia, até à época em que foi subjugada por Dario, no começo do sec. V, era, culturalmente, a parte mais importante do mundo helênico. Quase não foi tocada pelo movimento religioso ligado a Dionísio e Orfeu; sua religião era olímpica, mas parece qeu não lhe deram muita importância. As especulações de Tales, Anaximandro e Anaxímenes devem ser considerados como hipóteses científicas, sendo que raras vezes revelam qualquer intrusão indevida de desejos antropomórficos ou idéias morais. Os problemas que apresentavam eram importantes e seu vigor inspirou os investigadores subsequentes. p34

A fase seguinte da filosofia grega, associada às cidades gregas do sul da Itália, é mais religiosa e, em particular, mais órfica, sendo, sob certos aspectos, mais interessante e admirável em sua realização, mas de espírito menos científico que o dos filósofos de Mileto.

Tales: achava que todas as coisas eram feitas de água.
Anaximandro: todas as coisas provinham de uma única substância primária, uma substância infinita, eterna e sem idade, "e envolvia todos os mundos".
Anaxímenes: considerava o ar como elemento primitivo.

PITÁGORAS

(532 AC): A combinação das matemáticas e da teologia, que começou com Pitágoras, caracterizou a filosofia religiosa na Grécia, na Idade Média, e, nos tempos modernos até Kant. O orfismo antes de Pitágoras, era análogo às religiões asiáticas de mistérios. Mas em Platão, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Descartes, Spinoza e Leibniz, há uma fusão íntima de religião e raciocínio, de aspiração moral a par de admiração lógica pelo qeu é eterno, que vem de Pitágoras, e distingue a teologia intelectualizada da Europa do misticismo mais direto da Ásia.

HERÁCLITO

(500 AC): A guerra é o pai de tudo e o rei de todas as coisas; fez de certas criaturas deuses e de outras homens; umas, livres e, outras, escravas. p49

... acreditava que o fogo era o elemento primordial, do qual todas as coisas haviam surgido. p51

EMPÉDOCLES: sugeriu um compromisso diplomático, permitindo quatro elementos. Terra, ar, fogo e água.

METAFÍSICA DE HERÁCLITO

O bem e o mal são uma única coisa; Este mundo, que é o mesmo para todos, não foi feito nem pelos deuses nem pelos homens, mas sempre foi, é e será um fogo eterno com unidades qeu se acendem e unidades que se apagam. p51

Para Deus, todas as coisas são justas, boas e corretas, mas os homens consideram certas coisas erradas e outras certas. É o oposto que é bom para nós. p52

Esta doutrina contém o gérmen da filosofia de Hegel, que procede mediante uma síntese de contrários.

PARMÊNIDES

(430 AC): Heráclito afirmava que tudo muda, Parmênides replicou que nada muda. p56

Inventou a metafísica baseada na lógica.

A doutrina de Parmênides foi exposta num poema intitulado "Da Natureza". Considerava os sentidos como enganadores, e condenava, como mera ilusão, a multidão de coisas sensíveis. O único ser verdadeiro é o "Único", que é infinito e indivisível. Não é como Heráclito, uma união de oposto, já que não há opostos. Achava que o "frio" significava apenas "não quente", e "escuro", apenas "não claro". Parmênides divide seus ensinamentos em duas partes: "O caminho da verdade" e o "Caminho da opinião". Quando se refere ao caminho da verdade, diz, entre outras coisas: "A coisa que pode ser pensada, e aquilo pelo qual existe o pensamento é o mesmo; porque não podes encontrar uma idéia sem algo que é, e a respeito do qual ela se manifesta". (Nota de Burnet: "O sentido, creio eu, é: Não pode existir uma idéia correspondente a um nome que não é o nome de algo real"). p57

Continuo em outro momento...