sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fichamento do livro "FREUD", Coleção "Os Pensadores"

Livro: Freud - Coleção Os Pensadores
Editora: Nova Cultural
Tradução: Janes Strachey

TÓPICOS CONTIDOS NO LIVRO
Cinco Lições de Psicanálise - A História do Movimento Psicanalítico - Espaço de Psicanálise: I A mente e seu funcionamento - II O trabalho prático - III O rendimento teórico

BREVE RESUMO

Em 1909, a Clark University, Worcester, Massachusetts, comemorou o vigésimo ano de sua fundação, e seu presidente, o Dr. G. Stanley Hall, convidou Freud e alguns de seus seguidores (C. F. G. Jung, S. Ferenczi, Ernest Jones e A. A. Brill) para participarem das celebrações. p8

O Dr. Joseph Breher (médico de Viena), empregou pela primeira vez esse método no tratamento de uma jovem histérica (1880-1882). p11

Pode-se observar que o médico se comporta para com o histérico de modo completamente diverso que para com o que sofre de uma doença orgânica. Nega-se a conceder ao primeiro o mesmo interesse que dá ao segundo, pois, não obstante as aparências, o mal daquele é muito menos grave. p14

MÉTODO CATÁRTICO: Ninguém, até o uso da hipnose, havia removido sintomas histéricos, nem penetrado tão profundamente na compreensão da sua causa. Se se confirmasse que outros sintomas da doente - e talvez a maioria - se houvessem originado do mesmo modo e do mesmo modo pudessem ser suprimidos... E realmente era assim. Quase todos se haviam formado desse modo, com resíduos - como "precipitados" - de experiências emocionais que, por essa razão, foram denominadas posteriormente "traumas psíquicos". p16

...nem sempre era um único acontecimento que deixava atrás de si os sintomas. p17

Os histéricos sofrem de reminiscências. Seus sintomas são resíduos e símbolos mnêmicos de experiências especiais (traumáticas). p19

Os histéricos e neuróticos: não só recordam acontecimentos dolorosos que se deram há muito tempo, como ainda se prendem a eles emocionalmente, não se desembaraçam do passado e alheiam-se por isso da realidade e do presente. "Essa fixação da vida psíquica aos traumas patogênicos é um dos caracteres mais importantes da neurose e dos que têm maior significação prática. p20

Tinha-se de admitir que a doença se instalava porque a emoção desenvolvida nas situações patogênicas não podia ter exteriorização normal; é que a essência da moléstia consistia na atual utilização anormal das emoções "enlatadas".... Em parte se desviavam para insólitas inervações e inibições somáticas, que se apresentavam como os sintomas físicos do caso (conversão histérica). p21

A conversão histérica representa uma expressão mais intensa das emoções. p22

SUGESTÃO PÓS-HIPNÓTICA: Uma ordem dada durante a hipnose é depois, no estado normal imperiosamente cumprida. Onde existe um sistema, existe também uma amnésia, uma lacuna da memória, cujo preenchimento suprime as condições que conduzem à produção do sintoma. p23

Dissociação histérica = A divisão da consciência. p26

Freud, não partia, como Janet, de experiências de laboratório e sim do trabalho terapêutico. p26

As recordações esquecidas, pelo doente (histérico), não se haviam perdido. Elas jaziam em poder do doente e prontas a ressurgir em associação com os fatos ainda sabidos, mas alguma força as detinha, obrigando-as a permanecer inconscientes. A força que mantinha o estado mórbido fazia-se sentir como resistência do enfermo. Nesta idéia de resistência, Freud, alicerssou sua concepção acerca dos processos psíquicos na histeria. Para o restabelecimento do doente mostrava-se indispensável suprimir estas resistências. As mesmas forças que hoje, como resistência, se opõem a que o esquecido volte à consciência deveriam ser as que antes tinham agido, expulsando da consciência os acidentes patogênicos correspondentes. A esse processo Freud deu o nome de "repressão". p28

Tratava-se em todos os casos do aparecimento de um desejo violento mas em contraste com os demais desejos do indivíduo e incompatível com as aspirações morais e estéticas da própria personalidade. produzia-se um rápido conflito, e o desfecho desta luta interna era sucumbir à repressão, a idéia que aparecia na consciência trazendo em si o desejo inconciliável, sendo a mesma expulsa da consciência e esquecida, juntamente com as respectivas lembranças. Era, portanto, a incompatibilidade entre a idéia e o ego do doente o motivo da repressão; as aspirações individuais, éticas e outras eram as forças repressivas. p28

Pode-se ver, desde logo, onde está a diferença entre a concepção de Freud e a de Janet: Freud não atribui a divisão psíquica à incapacidade inata para a síntese da parte do aparelho psíquico, mas explica-a dinamicamente pelo conflito de forças mentais contrárias, reconhecendo nela o resultado de uma luta ativa da parte dos dois agrupamentos psíquicos entre si. p30

Para Freud o que de mais importante nos proporcionou a observação de Brener foi esclarecer as relações dos sintomas com as experiências patogênicas ou traumas psíquicos, resultado que não devemos deixar de focalizar agora do ponto de vista da teoria da repressão. p31

Pelo tratamento psicanalítico desvenda-se o trajeto ao longo do qual se realizou a substituição, e para a recuperação é necessário que o sintoma seja reconduzido pelo mesmo caminho até a idéia reprimida. p32

Escola de Zurique (Bleuler, Jung e outros), propôs o nome de "complexo" a um grupo de elementos ideacionais interdependentes, catexizados de energia afetiva. p38

Experiência da associação: técnica aperfeiçoada por Jung (1906). p39

Quando perguntavam a Freud "como pode uma pessoa fazer-se psicanalista?", respondia que é pelo estudo dos próprios sonhos. p40

A criancinha sonha sempre com a realização de desejos que o dia anterior lhe trouxe. p41
Os sonhos dos adultos via de regra têm um conteúdo ininteligível, sem nenhuma semelhança com a satisfação de desejos. p41

Quem sonha, portanto, reconhece tão mal o sentido de seus sonhos como o histérico as correlações e a significação de seus sintomas. p42
O sonho manifesto que conhecem no adulto graças à recordação pode então ser descrito como uma realização velada de desejos reprimidos. p42

ELABORAÇÃO ONÍRICA: Processo no qual os pensamentos inconscientes do sonho se disfarçam no conteúdo manifesto. Em nenhuma outra situação (circunstância) se pôde estudar melhor os processos psíquicos, não suspeitados, que se passam no inconsciente ou, entre dois sistemas psíquicos distintos, como consciente e inconsciente. Entre tais processos psíquicos recentemente descobertos ressaltam notavelmente o da condensação e o do deslocamento. ... pela análise de sonhos também pode-se descobrir que o inconsciente se serve, especialmente, para a representação de complexos sexuais. p43

A ansiedade é uma das reações do ego contra desejos reprimidos violentos. p44

Só os fatos da infância explicam a sensibilidade aos traumatismos futuros e só com o descobrimento desses restos de lembranças ... é que adquirimos o poder de afastar os sintomas. Chegam aqui à mesma conclusão do exame de sonhos, que foram os desejos duradouros e reprimidos da infância que emprestaram à formação dos sintomas a força sem a qual teria decorrido normalmente a reação contra traumatismos posteriores. Estes potentes desejos da infância hão de ser reconhecidos, porém, em sua absoluta generalidade, como sexuais. p51

A principal fonte de prazer sexual infantil é a excitação apropriada de determinadas partes do corpo particularmente excitáveis, além dos órgãos genitais, como sejam os orifícios da boca, ânus e uretra e também pele e outras superfícies sensoriais. p53

Na puberdade a maré das necessidades sexuais encontra impulsos reprimidos. Os mais profundamente atingidos pela repressão são primeiramente os prazeres infantis coprófilo, isto é, os que se relacionam com os excrementos, e, em segundo lugar, os da fixação às pessoas da primitiva escolha de objeto. p55

a equivalência primitiva dos sexos como objeto sexual pode conservar-se, e disso se originará no adulto uma tendência homossexual. Esta série de distúrbios corresponde a entraves diretos no desenvolvimento da função sexual: abrange as perversões e o nada raro infantilismo geral da vida sexual. p56

As neuroses são para as perversões o que o negativo é para o positivo. A psicanálise mostra que a manifestação excessivamente intensa e prematura desses impulsos conduz a uma espécie de fixação parcial - ponto fraco na estrutura da função sexual. p56

A fuga da realidade insatisfatória, que pelos danos biológicos que produz, chamamos doença, não deixa jamais de proporcionar ao doente um prazer imediato; ela se dá pelo caminho da regressão às primeiras fases da vida sexual a que na época própria não faltou satisfação. p61

Esta regressão mostra-se sob dois aspectos: temporal e formal (porque emprega os meios psíquicos). p. 61

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Passagens do Livro "O PRÍNCIPE" de Maquiável

Livro: O PRÍNCIPE
Autor: Nicolau Maquiavel
Coleção "Os pensadores"
Editora: Nova Cultural


Este é um breve resumo das partes que considerei como mais importantes, embora aconselho a todos que leiam o livro em sua totalidade, certamente não irão se arrepender.
Wesley

O PRÍNCIPE

O objeto das reflexões de Maquiavel é a realidade política, pensada como prática humana concreta, e o centro maior de seu interesse é o fenômeno do poder, formalizado na instituição do Estado.

Segundo Maquiavel "Não se trata de estudar o tipo ideal de Estado, mas compreender como as organizações políticas se fundam, se desenvolvem, persistem e decaem". p16

Maquiavel concluiu ... que os homens são todos egoístas e ambiciosos, só recuando da prática do mal quando coagidos pela força da lei. Os desejos e as paixões seriam os mesmos em todas as cidades e em todos os povos. p17

CAPÍTULO I

Determinadas as causas da prosperidade e da decadência dos Estados antigos, pode-se assim compor um modelo analítico para o estudo das sociedades contemporâneas, já que às mesmas causas correspondem os mesmos efeitos. p17

O estadistas sábio e prudente busca na história uma situação semelhante e exemplar, da qual saberia extrair o conhecimento dos meios para a ação e a previsão dos efeitos. Para ser eficaz, a iniciativa política deve ajustar-se às circunstâncias. p18

No curso do instrumento dos mecanismos de poder, a neutralidade moral decorreria da adequação do agir à realidade. O homem político deve estar sempre atento aos sinais da fortuna (sorte), pois conhecerá a ruína se, mudando o tempo e as coisas, não alterar seu comportamento. p19

Os fins justificam os meios: O poder puramente pessoal degenera facilmente em tirania e instabilidade. p22

Numa nação não corrompida, onde as instituições mantenham pela educação e pelo exemplo as virtudes cívicas, os cidadãos sobrepõem os interesses gerais aos particulares. A liberdade reforça a coesão interna e desanima as pretensões de conquista dos Estados rivais. p22-23


Os conflitos sociais são necessários, porque são próprios à natureza da liberdade. p23

Se existem boas teorias política, a prática é sempre diferente. Maquiavel simplesmente fez da prática uma teoria. p27

CAPÍTULO II

Principados hereditários... espécie de Estados, ligados à família de seu príncipe, menos do que nos novos se apresentam as dificuldades de conservá-los, porque é o bastante não abandonar os procedimentos de seus antecessores, e depois contemporanizar com as situações novas, de maneira que se o príncipe possuir inteligência comum, preservar-se-á sempre em seu Estado, caso uma força extraordinária e desmedida não o prive dele; e ainda que assim aconteça, poderá retomá-lo, por pior que seja o ocupante. p39

CAPÍTULO III

Os homens trocam com boa vontade de senhor, acreditando melhorar, e essa crença faz com que tomem armas contra o senhor atual. Na verdade, enganam-se, e a própria experiência lhes mostra a piora. Isso depende de outra necessidade, que leva um novo príncipe a ofender os novos súditos com a sua tropa, e por intermédio das seguidas ofensas que decorrem de uma conquista recente. p41

Dessa maneira, teus inimigos são todos os que se acham ofendidos porque ocupas o principado; e não podes considerar amigos os que ali te colocaram, pois que não podem estes ser satisfeitos como desejavam. Não te será possível utilizar contra eles remédios enérgicos, pois está obrigado para com eles e assim, mesmo que nos exércitos sejas poderosíssimo, necessitas da boa vontade dos habitantes para adentrar uma província. p41

É verdade que, quando conquistados pela segunda vez, os países revoltados com maior dificuldade se perdem: a pretexto da rebelião, o príncipe reluta menos em garantir castigo aos revoltosos, aclarar as suspeitas, prover à própria fragilidade. p42

A ordem dos fatos é que, quando um estrangeiro poderoso chega a uma província, todos os que se acham enfraquecidos lhe deem apoio, motivados pela inveja daquilo que os ensenhora. Por esse motivo, deve se lhes alcançar a adesão; de boa vontade formarão bloco com o Estado conquistado. Há o risco de ficar fortes demais e com muita autoridade; se assim for, com facilidade tornar-se-ão árbitros da província, submetendo os poderosos com as próprias forças do conquistador. A esse respeito, aquele que não comandar bem, rapidamente perderá a conquista, e enquanto não a perder terá sucessivos dissabores e dificuldades. p44

Assuntos do Estado: se aos males se conhece com antecedência, o que é concedido apenas aos homens prudentes, rapidamente se pode curá-los; mas se, por ignorados, aumentam a ponto de a todos se dar a conhecer, não terão, aqueles males, mais remédio. p45

O rei Luís cometeu cinco erros: abateu os menos poderosos, aumentou a autoridade de um poderoso na Itália, trouxe um poderosíssimo estrangeiro, não habitou a Itália nem formou aí colônias. p47

CAPÍTULO V

Três maneiras há de preservar a posse de Estados acostumados a governar por leis próprias: "primeiro, devastá-los; segundo, morar neles; terceiro, permitir que vivam com suas leis, arrecadando um tributo e formando um governo de poucas pessoas, que permaneçam amigas. p53

Entretanto, não sabem ser livres as cidades ou províncias acostumadas à sujeição a um príncipe, uma vez extinta a linhagem dele. Ao sentir a falta deste, e habituados a obedecer, não cogitam eleger, entre si, um novo príncipe. Desse modo, são pouco afeitos às armas, e nessas circunstâncias será mais fácil conquistar-lhes a estima e garantir-lhes a lealdade. Já nas repúblicas... não permitem, nem podem permitir, que a memória da antiga liberdade descanse. p54

Para preservar uma república, então, o melhor caminho é destruí-la ou habitá-la pessoalmente. p54

As dificuldades encontradas na conquista do principado originam-se, em parte, da nova ordem legal e dos costumes que se vêem obrigados a introduzir para a instituição do Estado e para sua própria segurança... nada há de mais difícil, nem de sucesso mais duvidoso, nem mais arriscado, do que estabelecer novas leis. O novo legislador terá todos os beneficiados pela antiga legislação por inimigos, e contará com tímidos defensores entre os beneficiados pelas novas leis. Essa fraqueza vem, em parte, do temor dos adversários, e em parte da descrença dos homens, que só crêem na verdade das coisas novas depois de uma firme experiência. Decorre então que os adversários, assim que a oportunidade de assaltar se apresenta, fazem-no com fervor, como sectários, e os outros o defendem sem animação e assim corre perigo a defesa do príncipe. p57

Todos os profetas armados venceram, enquanto os desarmados fracassaram. p57

Os homens ou se conquistam ou se eliminam. p64

CAPÍTULO VI
CAPÍTULO VII

CAPÍTULO VIII

É preciso ressaltar que, ao se assenhorar de um Estado, aquele que o conquista deve definir as ofensas a executar e fazê-lo de uma só vez, a fim de não ter de as renovar a cada dia. assim, será capaz de nos homens inspirar confiança, conquistando-lhes o apoio ao conceder-lhes benefícios. p71

CAPÍTULO IX

Aquele que se faz príncipe pelo favor do povo deve permanecer amigo dele, o que não oferece dificuldades, pois este quer simplismente não receber opressão. Mas o que ascender ao principado contra a vontade do povo, por favor dos poderosos, deve, em primeiro lugar, conquistar o povo. p75

Conclui-se, então, que um príncipe prudente deve pensar nos modos de ser necessário aos súditos, sempre, e de estes necessitarem do Estado; depois, ser-lhe-ão sempre leais. p76

CAPÍTULO X

Às empresas difíceis, são contrários os homens; e não existe facilidade no ataque a quem possui um Estado poderoso e a estima do povo. p

CAPÍTULO XI

CAPÍTULO XII

Há necessidade de um príncipe estabelecer alicerces sólidos; sem isso, sua ruína será certa. p85

Os capitães mercenários ou são grandes militares ou não são nada; se forem, não poderás confiar neles, pois sempre aspirarão à própria glória, quer dominando a ti, que és o patrão delas, quer oprimindo os outros, contra a tua vontade. Caso não sejam grandes capitães, por esse mesmo motivo irão arruinar-te. p86-87

... as tropas devem ser utilizadas ou por um príncipe ou por uma república. O príncipe em pessoa deve fazer-se capitão; já a república deve colocar nesse posto um de seus cidadãos, e, caso seja a escolha infeliz, precisa substituí-lo rapidamente. p86-87

Ensino a experiência que os príncipes, atuando por si mesmos, e as repúblicas, quando armadas, são capazes de grandes progressos, enquanto as armas mercenárias só dão prejuízos. p87

CAPÍTULO XIII

Em suma, nas tropas mercenárias é perigosa a covardia; nas auxiliares, o mérito. p92

Essas tropas sempre foram repelidas pelos príncipes prudentes, que preferiram servir-se das próprias forças, optando ser derrotados com elas a vencer com o apoio das outras, e qualificando como falsa vitória conquistada com tropas alheias. p92

Concluo, que nenhum principado está assegurado sem forças próprias; antes, está ao sabor da fortuna, e não há virtude que o defenda nos momentos adversos. p94

CAPÍTULO XIV

Pois que, de outros motivos que te trazem males, o estar desarmado te força a ser submisso, e essa é uma das desonras que um príncipe deve evitar. p95

Um príncipe deve se preocupar sempre com a arte da guerra, e praticá-la na paz mais ainda do que na guerra, e é possível conseguir isso de dois modos: pela ação ou somente pelo pensamento. p96

Se os inimigos se encontrassem sobre aquele monte, e nós estivéssemos aqui, com nossos exércitos, qual lado teria maior vantagem? Como ir ao encontro deles, observando nossa formação? caso quiséssemos bater em retirada, como o faríamos? Caso eles se retirassem, de que modo iríamos seguí-los? p97

Um príncipe sábio deve prestar atenção a essas coisas e jamais permanecer ocioso nos tempos de paz; ao contrário, deve, com astúcia, ir juntando cabedal de que se possa servir nas adversidades, para sempre estar pronto a opor-lhes resistência. p97

CAPÍTULO XV

Qualquer um reconhecerá ser digno de louvor o fato de um príncipe possuir, entre todas as qualidades, as consideradas boas; mas a condição humana é tal que não permite a posse total de todas elas, nem mesmo a sua prática consistente; é mister que seja o príncipe prudente a ponto de evitar os defeitos que lhe poderiam tirar o governo e praticar as qualidades que lhe garantam a posse, se possível; se não puder, com menor preocupação, deixe que as coisas sigam seu curso natural. E não se importe em sujeitar-se à fama de ter certos defeitos, sem os quais lhe seria difícil salvar o governo, porque, levando em conta tudo, encontrar-se-ão coisas que parecem virtudes e que, se praticadas, conduzí-lo-iam à ruína, e outras que podem se assemelhar a vícios e que, observadas, trazem bem-estar e segurança ao governante. p100

CAPÍTULO XVII

Ao príncipe, assim não deve importar a pecha de cruel para manter unidos e com fé os seus súditos, pois, com algumas excessões, é ele mais piedoso do que aqueles que, por clemência em demasia, permitem o surgimento de desordens das quais podem originar-se assassínios ou rapinagem. p105

Se é preferível ser amado ou temido... é muito mais seguro ser temido do que amado, quando se veja obrigado a falhar numa das duas. p106

Deve, em especial, impedir-se de aproveitar os bens alheios, uma vez que os homens se esquecem mais rapidamente da morte do pai do que da perda de patrimônio. p107

CAPÍTULO XVIII

Deveis saber que dois modos há de combater: um, pelas leis; outro, pela força. O primeiro é natural do homem; o segundo dos animais. ... O príncipe, deve saber empregar adequadamente o animal e o homem. p109

É preciso ... ser bom simulador e dissimulador. E tão simples são os homens, e o obedecem tanto às necessidades presentes, que aquele que engana sempre achará a quem enganar. Não é preciso que o príncipe tenha todas as qualidades...; basta que aparente possuí-las. p110-111

Os homens costumam julgar mais pelos olhos do que pelas mãos, uma vez que todos podem enxergar, mas poucos sabem sentir. Todos vêem o que tu pareces, poucos o que realmente és. p111

CAPÍTULO XIX

O príncipe deve evitar,... aquilo que possa torná-lo odioso ou desprezível;... O que faz em especial odioso... é ser rapace e usurpador dos bens e das mulheres dos súditos. Quando não se tiram aos homens os bens e a honra, vivem eles satisfeitos e somente se deverá combater a ambição de poucos, a qual pode ser contida facilmente e de variadas maneiras. Desprezível torna-se o príncipe considerado volúvel, leviano, efeminado, covarde, indeciso... Deve ele fazer com que de seus atos se reconheça a grandeza, a coragem, a gravidade e a fortaleza;... deve tornar irrevogável a sua sentença, comportando-se de maneira a que ninguém cogite enganá-lo ou fazer com que mude de idéia. p113

... contra aquele que goza de reputação... dificilmente se conspira e dificilmente se ataca. Deve um príncipe ter duas razões de receio: uma interna, de parte de seus súditos, outra externa, da parte dos poderosos de fora. p113-114

... a um príncipe pouco devem importar as conspirações, se for amado pelo povo; porém, se este é seu inimigo e o odeia, deve temer tudo e todos. Os Estados bem organizados e os príncipes prudentes sempre se preocuparam em não deduzir os grandes ao desespero e satisfazer o povo, porque essa é uma das coisas mais importantes que um príncipe deve ter em mente. p115-116

... um príncipe, desejando manter o Estado... é forçado muitas vezes a não ser bom, porque quando aquela maioria - seja ela composta de povo, soldados ou grandes - de que julgas precisar para preservares o poder é corrupta, será proveitoso que siga tuas propensão a contentá-la; e, dessa maneira, são prejudiciais as boas ações. p115-116

É de se assinalar... que esses assassínios, decididos por homens obstinados, são impossíveis, aos príncipes, evitar, porque todos os que não sentem medo da morte poderão executá-los. p118

... Deve apenas impedir-se de ofender gravemente algumas das pessoas de que se vale, e que junto dele permanecem. p120

CAPÍTULO XX

Ao tratares aqueles de maneira diferente, obriga-os para contigo, e os outros te irão desculpar por isso, acreditando ser preciso haver maior recompensa aos que se encontram expostos a maiores riscos exatamente em função de tais obrigações. p125-126

Ao desarmá-los, principias por ofendê-los, indicando que desconfias deles, ou porque és covarde, ou porque neles não te fias. Qualquer dessas opiniões causará ódio contra ti. p125-126

... ao príncipe é muito mais fácil ganhar a amizade dos que se sentiam satisfeitos com o regime antigo, e que são, assim, seus inimigos, do que a daqueles que, por descontentes, tornaram-se seus amigos e aliados, auxiliando-o na conquista do Estado. p128

A melhor fortaleza de todas é não ser alvo do ódio do povo... nunca faltam aos povos rebelados príncipes de fora que queiram ajudá-los. p129

CAPÍTULO XXI

Nada promove tanto a estima de um príncipe como as grandes empresas e os raros exemplos. p131

... quando alguém faça qualquer coisa fora do comum, de bem ou de mal na vida civil, o príncipe deve, para recompensá-lo ou puní-lo, agir de maneira tal que dê margem a amplos comentários. E, acima de tudo, um príncipe deve trabalhar para que, em cada ato, conquiste reputação de grande homem. p132

Quem vence não deseja amigos suspeitos, os quais não dêem ajuda nas adversidades; quem perde não te irá aceitar, pois não quiseste, de armas na mão, correr o mesmo risco. p132

Sempre sucederá que quem não é teu amigo irá pedir-te que sejas neutro, e quem o é pedirá que tomes de armas abertamente... quando, com coragem, tomar partido aberto por um dos contendores, se aquele a quem te uniste vencer, ainda que seja poderoso e que permaneças à sua mercê, terá ele obrigações para contigo e será compelido a ter-te amizade; e os homens nunca são tão cruéis que desejam oprimir aqueles a quem devem agradecer. Além disso as vitórias nunca são integrais a ponto de o vencedor não precisar avaliar outras considerações, principalmente de justiça. p133

Se, no entanto, aquele a quem ajudas perder, serás socorrido por ele quando possível, e, em tal caso, permanecerás unido a uma fortuna que pode renascer. p133

... um príncipe deve ter a cautela de não fazer aliança com um que seja mais poderoso senão quando a necessidade obrigar... pois, vencendo, tornar-se-á prisioneiro do aliado. p133

A prudência encontra-se justamente em conhecer a natureza dos inconvenientes e adotar o menos prejudicial como sendo bom. p134

Também deve um príncipe mostrar-se amante das virtudes e honrar os que se destacam em qualquer arte. p134

CAPÍTULO XXII

... a primeira conjetura que se faz, em relação às qualidades de inteligência de um príncipe, consiste na observação dos homens que ele tem em volta de si. Quando estes são competentes e leais, pode-se considerá-lo sábio, pois soube dar reconhecimento às qualidades daqueles e conservá-los fiéis. ... existem três espécies de cabeças - uma que compreende as coisas por si própria, outra que sabe discernir o que os outros entendem e, por fim, uma terceira, que não entende nem por si nem sabe avaliar o trabalho dos outros (a primeira é excelente, a segunda muito boa e a terceira inútil). p135

Para que um príncipe possa conhecer bem o ministro, há um modo que nunca falha: quando perceberes que o ministro pensa mais em si mesmo do que em ti, e que procura tirar proveito pessoal de todas as suas ações, podes estar certo de que não é bom e nunca poderás confiar nele. De outro lado, o príncipe para ter garantia do ministro, deve pensar nele, honrando-o, tornando-o rico, obrigando-o para consigo, fazendo-o tomar parte de honrarias e de cargos, de tal sorte que as muitas honrarias não lhe façam querer outras, as muitas riquezas não lhe façam desejar maiores, e os muitos cargos não lhe façam recear mudanças. p136

CAPÍTULO XXIII

Deve um príncipe prudente conduzir-se escolhendo os homens sábios de seu Estado, e apenas a estes deve conceder o direito de dizer-lhes a verdade, mas apenas sobre as coisas de que forem perguntados. Deve fazer-lhes consultas acerca de tudo e ouvir-lhes a opinião, e deliberar, em seguida, como bem quiser e com conselhos daqueles, agir de maneira tal que eles notem que, quanto mais liberdade tiverem de falar, tanto mais facilmente suas opiniões serão seguidas. p137

Deve um príncipe, desse modo, sempre pedir conselhos, mas somente quando quiser, não quando os outros entenderem;... deve fazer muitas indagações e ouvir com paciência a verdade sobre as coisas indagadas. Caso julgue que alguém por qualquer temor, não lhe esteja dizendo a verdade, o príncipe deve demonstrar desagrado. p138

... os bons conselhos, venham de onde vierem, decorrem da prudência do príncipe, não a prudência do príncipe dos bons conselhos. p139

CAPÍTULO XXIV

Um príncipe recente tem suas ações mais vigiadas do que um hereditário, e, caso essas ações revelem virtude, atraem muito mais aos homens e os obrigam muito mais do que a antiguidade do sangue... os homens são muito mais presos às coisas presentes do que às do passado, e, quando acham o bem naquelas, contentam-se e nada mais buscam. p141

... é habitual que os homens, na bonança, não se preocupem com a tempestade. p142

CAPÍTULO XXV

... é melhor ser impetuoso do que prudente, porque a fortuna é mulher e, para ter-lhe o domínio, mister se faz bater nela e contrariá-la. E costuma-se reconhecer que a mulher se deixa subjugar mais por estes do que por aqueles que agem de maneira diferente. A fortuna, como mulher, é sempre amiga dos jovens, pois são menos circunspectos, mais impetuosos e com maior audácia a dominam. p146

APÊNDICE

... como disse Dante, não é capaz a ciência do que não guardou o que não escutou. p156

Fichamento do livro MAIS ARMAS, MENOS CRIME?

MAIS ARMAS, MENOS CRIME? Entendendo o crime e as Leis de Controle de Armas de Fogo
Autor: John R. Lott, Jr.
Editora: Makron Books


TÓPICOS:
Introdução - Como testar os efeitos do controle de armas de fogo - Propriedade de armas de fogo, Leis sobre armas de fogo e os dados sobre crimes - Leis sobre armas de fogo de uso discreto e os índices de crimes: A evidência empírica - As vítimas e os benefícios da proteção - O que determina os índices de prisões e a decretação de Leis sobre armas de fogo de uso discreto? - O debate político e acadêmico - Reflexões finais.


INTRODUÇÃO:


Permitir que as pessoas possuam ou portem armas inibe o crime violento? Ou isso faz com que mais cidadãos ocasionem danos uns aos outros?

A maioria de nós recebe imagens de armas de fogo e de seu uso por meio da TV, filmes e jornais.

Embora as notícias ofereçam, às vezes, uma narrativa do uso defensivo de armas de fogo, tais discussões são raras comparadas àquelas que descrevem o crime violento cometido com armas de fogo. Visto que em muitos casos defensivos uma arma de fogo é simplesmente mostrada e ninguém é ferido, muitos usos defensivos não são nem mesmo relatados à polícia.

Philip Van Cleave, um xerife no Texas, escreveu para mim: "Os criminosos temem o cidadão cumpridor da lei e possuidor de uma arma de fogo? você pode apostar que sim. A maioria dos casos de criminosos com medo de um cidadão armado, provavelmente, não é relatado. Mas eu vi um criminoso que ficou tão assustado com uma senhora de 70 anos armada que em seu pânico de fugir virou-se e correu direto para uma parede!" (Ele estava ocupado tentando derrubar a pontapés a porta da casa dela, quando ela abriu a cortina e apontou uma arma para ele.).

Se as pesquisas estiverem corretas, 98% do tempo em que as pessoas utilizam armas defensivamente, elas simplesmente têm de mostrar a arma para cessar um ataque. Tais histórias não são difíceis de encontrar: entregadores de piza se defendem contra ladrões, roubos de carros são impedidos, etc, embora estes não recebam a cobertura nacional de outros crimes com armas de fogo. E também os casos cobertos pela mídia dificilmente são típicos: a maioria dos conflitos relatados envolve um tiroteio que termina em uma fatalidade.

Uma história dramática típica de jornais envolveu uma mulher de Atlanta que evitou um roubo do automóvel e sequestro de sua filha; ela foi forçada a atirar no assaltante.

Embora a mãe tenha salvado a si e ao bebê, com suas ações rápidas, esta foi uma situação de risco que poderia ter terminado de modo diferente. Muito embora não houvesse nenhum policial para defender mãe e filha, defender-se não irá, necessariamente, a única alternativa. Ela poderia ter agido passivamente e o criminoso poderia ter mudado de idéia e simplesmente ter levado a criança, poderia libertá-la mais tarde, sem ferimentos. Na verdade a sabedoria convencional diz que a melhor abordagem é não resistir a um ataque.

De acordo com um recente artigo do "Los Angeles Times", a ""concordância Ativa"é a maneira mais certa de sobreviver a um assalto. As vítimas que se envolvem na resistência ativa (...) têm as melhores chances na guarda de sua propriedade. Infelizmente elas têm muitas chances de serem mortas". Além disso as evidências sugerem que a mulher de Atlanta agiu, provavelmente, da forma mais correta. Embora a resistência seja, geralmente, associada a maiores probabilidades de ferimentos sérios na vítima, nem todos os tipos de resistência são igualmente arriscados. Examinando os dados fornecidos a partir de 1979 até 87... descobriu-se que a probabilidade de ferimentos sérios provenientes de um ataque é 2,5 vezes maior para mulheres que não oferecem nenhuma resistência que para mulheres que resistem com uma arma de fogo.

Contrastando com isso, a probabilidade de mulheres serem feridas seriamente foi quase quatro vezes maior quando resistiram sem uma arma que quando utilizaram uma arma. Em outras palavras, o melhor conselho é resistir com uma arma de fogo, mas se não houver nenhuma arma disponível, é melhor não oferecer nenhuma resistência do que lutar.

O homem também se sai melhor com armas de fogo, mas os benefícios são significativamente menores.

Pequenas histórias sobre criminosos que escolhem as vítimas que eles percebem serem mais fracos são mais típicos.

Criminosos são motivados pela autopreservação, portanto armas de fogo podem ser um meio de intimidação. A natureza potencial defensiva das armas é mais evidenciada por diferentes índices dos chamados "arrombamentos de risco", nos quais um morador está em casa quando um criminoso invade.

No Canadá e no Reino Unido, ambos os países possuindo rígidas leis de controle de armas de fogo, quase metade de todos os arrombamentos a residência são "arrombamentos de risco". Contrastando com isso, os Estados Unidos, com menos restrições, possui um índice de "arrombamentos de risco" de apenas 13%.

Os criminosos não estão apenas comportando-se de modo diferente por acaso. Criminosos americanos condenados mostraram-se, em pesquisa, muito mais preocupados com vítimas armadas do que em fugir da polícia.

Os criminosos comentam frequentemente, nessas entrevistas, que evitam arrombamentos a altas horas da noite porque esta é a "maneira para se levar um tiro".

Para um economista, a noção de intimidação - faz com que os criminosos evitem motoristas de táxi, "rapazes drogados" ou casas onde os moradores possam estar - não é tão surpreendente.

O refreamento importa não apenas para aqueles que assumem ações defensivas. Pessoas que se defendem podem beneficiar indiretamente outros cidadãos. No caso do assassinato (cometido por um cidadão), taxistas e traficantes ou viciados que portam armas produzem um benefício para os taxistas e traficantes ou viciados que não as portam. No exemplo envolvendo "arrombamento de risco", os proprietários que se defendem fazem com que os arrombadores fiquem, geralmente, mais cautelosos quanto a arrombar casas. Esses efeitos transbordantes são frequentemente citados como "efeitos de terceiros" ou "benefícios externos". Em ambos os casos os criminosos não podem saber antecipadamente quem está armado.

... os criminosos nos estados com alto índice de proprietários de armas de fogo eram os mais preocupados em confrontar-se com vítimas armadas.

A questão ainda é reduzida até uma questão empírica: que política salvará o maior número de vidas?

O Debate dos números e o crime:

Infelizmente, o debate sobre o crime envolve muitos "fatos" comumente aceitos que simplesmente não são verdadeiros. Por exemplo, tome a afirmação de que as pessoas são mortas frequentemente, por pessoas conhecidas. Conforme mostrado na Tabela 1.1, de acordo com os Uniform Crime Reports do FBI, 58% dos assassinatos no país foram cometidos por membros da família (18%) ou por aqueles que "conheciam" as vítimas (40%). Embora o relacionamento das vítimas com seus atacantes não pudesse ser determinado em 30% dos casos, 13% de todos os homicídios foram cometidos por pessoas totalmente estranhos.

Certamente, a impressão criada por esses números é de que a maioria das vítimas é morta por conhecidos próximos. Isso está longe de ser verdade. Ao interpretar os números, deve-se entender como são feitas essas classificações. Neste caso, "assassinos que conhecem suas vítimas" é uma categoria muita ampla. Uma enorme parte, mas não claramente determinada dessa categoria, inclui membros de gangues rivais que se conhecem. Em áreas urbanas maiores, onde ocorre a maioria dos homicideos, a maioria dos assassinatos se deve a guerras entre gangues pelo controle do tráfico de drogas.

Poucos assassinos podiam ser classificados como sendo anteriormente cidadãos idôneos. Nos 75 maiores distritos nos Estados Unidos em 1988, mais de 89% dos adultos assassinos possuíam fichas criminais como adultos. Uma mostra de Boston, a única cidade onde foram coletados dados confiáveis, indica que, de 1990 a 1994, 76% das vítimas de assassinato juvenil e 77% dos jovens que mataram outros jovens possuíam processos criminais anteriores. 

... os criminosos não são cidadãos típicos. Como é bem conhecido, jovens rapazes, da metade de sua adolescência até a metade dos 30 anos, cometem uma porção desproporcional de crimes, porém até essa categorização pode ser substancialmente estreitada. Sabemos que os criminosos tendem a ser mais "afirmativos, destemidos, agressivos, não convencionais, extrovertidos e baixamente socializados", enquanto os não delinquentes são "autocontrolados, preocupados com seus relacionamentos com os outros, desejosos de serem guiados por padrões sociais e ricos em sentimentos internos como insegurança, desamparo, amor (ou sua ausência) e ansiedade". Outras evidências indicam que os criminosos tendem a ser mais impulsivos e a colocar relativamente pouco peso em acontecimentos futuros. Finalmente, não podemos ignorar o fato infeliz de que o crime (particularmente o crime violento e especialmente o assassinato) é cometido, desproporcionalmente, contra negros por negros.

A mídia também desempenha uma importante função na definição do que percebemos como as maiores ameaças à nossa segurança. Graças ao fato de vivermos em algo como um mercado nacional de notícias sabemos muito rapidamente de tragédias em outras partes do país. Como resultado disso, alguns acontecimentos parecem ser muito mais comuns do que realmente são.

... Por exemplo, as crianças correm um risco muito menor de serem mortas acidentalmente por armas (particularmente por armas leves) que a maioria das pessoas pensa. Considere os números: em 1995, houve um total de 1400 mortes acidentais por armas de fogo em todo o país. Uma pequena quantidade dessas mortes envolveu crianças, sendo: 30 mortes envolvendo crianças até 4 anos de idade e mais de 170 mortes envolvendo crianças de 5 a 14 anos de idade. Em comparação, 2.900 crianças morreram em colisões de automóveis, 950 perderam suas vidas por afogamento e mais de mil foram mortas por incêndio e queimaduras. Mais crianças morreram em acidentes de bicicleta a cada ano que em todos os tipos de acidentes com armas de fogo.

Outro argumento comum em favor do banimento das armas de fogo envolve o número de pessoas mortas em decorrência de armas de fogo a cada ano: ocorreram 17.790 homicídeos e 18.169 suicídeos, só em 1992. Entretanto, só porque uma lei para proibir armas de fogo é aprovada, isso não significa que no mesmo instante o número total de mortes irá reduzir-se.

Tomemos o grande estoque de armas de fogo nos EUA, assim como as dificuldades enfrentadas pelo governo de modo a evitar a entrada no país de outros itens ilegais, como os narcóticos. Não fica claro até que ponto o governo logrará eliminar a maioria das armas de fogo. Isto levanta uma importante questão a respeito de se a lei reduzirá, de início, o número de armas de fogo sob a posse de cidadãos idôneos. De que maneira esta lei alteraria o balanço relativo das forças entre criminosos e cidadãos cumpridores da lei?

Nossas principais questões são as seguintes: permitir que cidadãos portem armas de fogo discretamente significa que os cidadãos também idôneos causariam danos uns aos outros? A ameaça da autodefesa feita por cidadãos munidos de armas de fogo deteria, em primeira instância, os criminosos? 

Sem dúvida, ocorrem tanto o uso "bom" quanto "mau" das armas de fogo. A questão na realidade não é se ambos ocorrem, mas sim qual é o mais importante. As armas portadas discretamente, em geral, protegem ou tiram vidas?
Continua...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Hells Angels Forever, NYC

Trechos do filme Hells Angels Forever, de 1983. Um pouco da realidade cotidiana dos Angells.

Este filme foi editado do longa "Hells ngels Forever", para incluir a maioria das filmagens que foram filmadas na 3rd St., NYC. O responsável pelo filme morou do outro lado da rua do clube por 10 anos, de meados dos anos 70 a meados dos anos 80. Estes são os caras que ele costumava ver no bloco todos os dias. O primeiro cara falando é Howie Weisbrod, que está no apartamento do outro lado da rua. O próximo cara é Big Vinny Girolamo, que mais tarde perdeu a vida em uma briga de faca com um Oakland Hells Angel, em 1979. Há uma placa em sua memória postada sobre a porta do clube sendo homenageado para este dia. 

Abaixo, vídeo com imagens do quartel general dos Hells Angels motorcycle club, na East 3rd Street, New York City - USA:




Algumas imagens...
  

 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Scorpio Rising (Kenneth Anger, 1964)

Scorpio Rising é um filme estadunidense de 1964 do gênero experimental de Kenneth Anger, também autor do livro Hollywood Babylon (volume 1 e 2). No elenco, o filme traz Bruce Byron como Scorpio. O filme trata de temas como motociclistas com roupas de couro, ocultismo, Jesus e Nazistas.
O filme foi, inicialmente, mostrado no circuito de filmes undergrounds, e não tem diálogo. Ao invés dos diálogos, Kenneth Anger decidiu colocar músicas de artistas populares dos anos 50 e 60, incluindo Ricky Nelson, The Angels, The Crystals, Bobby Vinton, Elvis Presley, Ray Charles e Martha Reeves & the Vandellas. Este filme é também considerado o primeiro filme pós-moderno, o que serviu para influenciar diversos cineastas de renome, tais como Martin Scorsese e David Lynch.
A ligação pública mais conhecida entre motoqueiros fora da lei e a homosexualidade é o filme Scorpio Rising. O filme é um clássico underground medíocre do início dos anos 60. O cineasta kenneth Anger nunca afirmou que Scorpio tivesse alguma coisa a ver com os Hell's Angels, e sua maior parte foi filmada no Brooklyn com a cooperação de um grupo de aficionados por motocicletas tão pouco organizado que sequer se preocupou em arranjar um nome.
Diferentemente de O Selvagem, a criação de Anger não possuía nenhuma intenção jornalística ou de documentário. Era um filme de arte com uma trilha sonora de rock'n'roll, uma estranha crítica aos Estados Unidos do século XX que usava motocicletas, suásticas e homossexualidade agressiva como uma nova trilogia cultural. Quando os Hell's Angels chegaram à cultura mainstream, Anger já havia feito vários outros filmes com forte apelo homossexual e pareceu não gostar da ideia de estar tão parado no tempo a ponto de seu trabalho parecer algo tão banal quanto documentários sobre temas atuais.
No entanto, Scorpio Rising entrou em cartaz em São Francisco em 1964 num cinema de North Beach chamado The Movie, no mesmo prédio em que Anger estava morando na época, e que anunciava o filme na calçada com uma montagem de recortes de jornal sobre os Hell's Angels. A insinuação era tão óbvia que até os Hell's Angels de São Francisco fizeram uma peregrinação para conferir.
Eles não gostaram nem um pouco. Não estavam putos, mas sinceramente ofendidos. Sentiram que seu nome havia sido apropriado para uso comercial fraudulento. "Ei, eu gostei do filme", disse Frenchy, um dos Angels. "Mas não tinha nada a ver com a gente. Todo mundo curtiu. Mas aí a gente saiu do cinema e viu todos aqueles recortes sobre a gente, colados como se fossem propagandas. Nossa, aquilo foi uma droga, não estava certo. Muita gente foi sacaneada, e agora a gente tem que ouvir toda essa merda sobre a gente ser veado. Porra, você viu o jeito que aqueles vadios estavam vestidos? E aquelas motos de merda? Cara, não me diga que aquilo tem alguma coisa a ver com a gente. Você sabe que não tem."
Anger parecia concordar, mas em silêncio. Não havia razão para estragar um novo boom do filme...
Texto baseado no livro Hell's Angels, de Hunter S. Thompson
Abaixo, momentos do filme:

Vídeo 1/3



Vídeo 2/3
Não encontrado.


Vídeo 3/3

sábado, 13 de agosto de 2011

PASSAGEM DO LIVRO HELL'S ANGELS

"A motocicleta é obviamente um símbolo sexual. É o que se chama de símbolo locomotor fálico. é uma extensão do corpo, um poder entre as pernas."
Dr. Bernard Diamond - Criminologista da Universidade da Califórnia, 1965


Por muitas razões, quase sempre contraditórias, a visão e o som de um homem numa moto têm um efeito desagradável para a grande maioria das pessoas que dirigem carros. No encalço do alvoroço provocado pelos Hell's Angels, um repórter do New York Herald Tribune escreveu um longo artigo sobre o mundo das motocicletas e concluiu, no decorrer da sua pesquisa, que "ao avistar um motoqueiro passando, acontece algo que provoca em muitos motoristas de carro a vontade de cometer assassinato".

Quase todas as pessoas que já andaram de moto por algum tempo concordarão com isso. As rodovias estão cheias de pessoas que dirigem como se o único propósito de ficar atrás de um volante fosse se vingar de todas as injustiças já cometidas contra elas por homens, bichos ou pelo destino. A única coisa que as mantém na linha é o seu próprio medo da morte, da prisão e de ações judiciais... o que é muito menos provável que aconteça se elas conseguirem encontrar uma moto para provocar, em vez de outro carro de uma tonelada ou um  poste de concreto. Um motoqueiro tem que pilotar como se todas as outras pessoas na estrada estivessem lá para matá-lo. Algumas delas estão, e muitas das que não estão são igualmente perigosas, porque a única coisa que pode alterar o seu modo engessado e desatento de dirigir é uma ameaça de punição física ou legal, e não há nada numa motocicleta que ameace qualquer homem que esteja de carro. A moto é totalmente vulnerável. Sua única defesa é a mobilidade, e toda situação de acidente é potencialmente fatal, em especial numa autoestrada, onde não há nenhum espaço para cair sem ser atropelado quase imediatamente. Apesar desses perigos, a Califórnia - onde as autoestradas são um estilo de vida - é, de longe, o maior mercado de motocicletas dos Estados Unidos.

Por: Hunter S. Thompson